Audiência discute obra bilionária em comunidade “sufocada” pelo pó do minério
Porto Esperança tem 54 famílias e história ligada à ferrovia inaugurada em 1912
Com previsão de investimento de R$ 1,9 bilhão, os impactos do projeto apresentado pela Lhg Mining Corumbá (antiga J&F Mineração), que busca ampliar a capacidade de embarque de minérios no Terminal Privativo Gregório Curvo para 15 milhões de toneladas por ano, serão discutidos em audiência pública nesta quinta-feira (dia 11).
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Audiência pública nesta quinta-feira (11), às 19h, no Centro de Convenções do Pantanal, em Corumbá, discutirá projeto da Lhg Mining que prevê investimento de R$ 1,9 bilhão para ampliar o Terminal Privativo Gregório Curvo para 15 milhões de toneladas anuais. Moradores de Porto Esperança denunciam poluição por poeira de minério. As obras estão previstas entre 2026 e 2029.
O debate será às 19h, no Centro de Convenções do Pantanal, em Corumbá. O evento também será transmitido pelo canal do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) pelo YouTube.
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O porto fica às margens do Rio Paraguai, em Porto Esperança, distrito que tem 54 famílias e história ligada à Estação Ferroviária da Estrada de Ferro inaugurada em 1912. A localização é considerada estratégica, pois permite o escoamento do minério de ferro da Mina de Santa Cruz por ferrovia, através da Malha Oeste. Contudo, a comunidade denuncia que é “sufocada” pelo pó do minério.
A vila tem tráfego intenso, com poluição sonora, poeira excessiva e pó mineral cobrindo de vermelho toda a vegetação, as residências dos moradores e os ranchos dos pescadores esportivos. Atividades ligadas à pesca turística são a principal fonte de renda da região.
Atualmente, o empreendimento tem a Licença de Operação 220/2019, emitida pelo Imasul, que autoriza a capacidade de armazenamento no pátio de produtos de 700.000 toneladas por ano de minério de ferro e manganês.
Logística - Os vagões carregados de minério chegarão pela ferrovia e ingressarão na pera ferroviária (utilizada para mudar a direção de uma composição), onde passarão pelo virador de vagões para descarregamento automático.
Após descarregado, o minério seguirá para o pátio de estocagem através de transportadores de correia (esteiras rolantes), onde estão previstas sete pilhas de estocagem. A área de formação das pilhas será descoberta e, por isso, são previstas unidades aspersoras para controle de poeiras. Foram projetados 22 transportadores de correia.
O minério de ferro granulado seguirá por transportadores de correia para a área de peneiramento e posteriormente para o píer. O minério mais fino (sínter feed) seguirá diretamente para o píer. O local contará com plataformas para o carregamento das barcaças por meio de dois carregadores móveis.
Obra e empregos – A obra exige a remoção da vegetação numa área de 66,52 hectares, a terraplenagem e abertura dos acessos. É nessa fase que será construída uma ponte, transpondo corixo (braço de rio que se forma durante a cheia).
Parte do material de empréstimo (solo, areia, sedimentos) será obtida de fornecedores locais e parte será retirada por meio da realização de dragagem de manutenção de calado. O volume previsto na atividade de dragagem é de 234.619 m³ (metros cúbicos), equivalente a 94 piscinas olímpicas.
“No rio Paraguai, para garantir a navegabilidade das embarcações responsáveis pelo transporte de minério, serão realizadas obras de dragagem de manutenção do calado, com o objetivo de assegurar o fluxo contínuo dessas embarcações”.
De acordo com o estudo, está previsto um total de 1.642 trabalhadores, considerando equipes de terraplanagem, obras civis, montagem eletromecânica, comissionamento, gerenciamento e equipe operacional. No pico das obras, serão 999 funcionários.
Após a obra, a fase de operação requer 218 profissionais, mas somente 24 vagas serão abertas, pois os demais 194 trabalhadores já atuam no terminal. A etapa de implantação é entre 2026 e 2029, com entrada em operação no ano de 2029.
Meio ambiente - A área diretamente afetada pelo projeto é composta principalmente por vegetação nativa, que ocupa 66,52 ha (53,93%), pelos corpos d’água (42,22 ha) e pelas áreas modificadas pelo homem (14,61 ha).
A promessa é de programas para controle de ruídos provocados pela movimentação de cargas e veículos, medidas para minimizar o efeito da poeira e controle erosivo devido à obra de dragagem.
Conforme o projeto, a dragagem será realizada conforme necessidade para garantir a profundidade adequada no canal de acesso, mantendo a navegabilidade e segurança das operações do terminal.
“Nos ambientes aquáticos, a retirada da vegetação que protege os cursos d’água, especialmente 18,9 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a dragagem do leito do rio Paraguai podem causar o afugentamento da fauna”.
Sobre a poeira, a mineradora divulgou nota à imprensa e relata que, desde que assumiu as operações do Porto Gregório Curvo, tem prestado apoio e auxilio à comunidade.
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