Capital das árvores, Campo Grande encara desafio de mantê-las vivas e saudáveis
Com 175 mil unidades plantadas nas calçadas, houve, entre 2023 e este ano, 3.702 ocorrências de quedas

Campo Grande já recebeu por sete vezes seguidas o título Tree City of the World (Cidade Árvore do Mundo), o que revela que a Capital está entre as mais arborizadas do mundo. Por outro lado, a cada tempestade, parte dessas árvores se despede. A população arbórea é estimada em 175 mil unidades nas calçadas, conforme levantamento da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) de 2024. Entre 2023 e este ano, porém, 3.702 ocorrências de quedas de árvores foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros.
RESUMO
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Campo Grande, sete vezes reconhecida como Cidade Árvore do Mundo, registrou 3.702 quedas de árvores entre 2023 e 2026, sendo 759 só neste ano, segundo o Corpo de Bombeiros. A cidade possui cerca de 175 mil árvores nas calçadas. A Semades aponta que plantios inadequados do passado e podas irregulares agravam o problema e defende o manejo correto como solução, sem reduzir a arborização.
O principal inimigo são os temporais. Só neste ano, a corporação registrou 759 ocorrências. A gerente de arborização da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), Dayane Zanela, explica que é justamente nesses eventos que se concentra boa parte das quedas, algumas delas com risco de acidentes.
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Entretanto, ela pondera que o número é pequeno diante da quantidade de árvores existentes na cidade.
“É um número baixo em relação ao todo, mas é claro que é algo que a gente tem que olhar. Tem que entender que temos um problema e a árvore, ela tem que passar a ser vista como uma infraestrutura da cidade, que precisa de manutenção, precisa de recursos públicos pra fazer esse manejo”, destaca.
Para a gerente, um dos desafios de Campo Grande é saber quais espécies podem ser plantadas e em quais locais. Parte do problema atual, segundo ela, é uma herança da arborização feita no passado, quando espécies foram plantadas em espaços incompatíveis com seu porte.
Um exemplo é a fícus. Conforme Dayane, a espécie não é recomendada para calçadas por atingir grandes proporções. A prefeitura afirma que vem fazendo gradualmente a substituição de árvores consideradas inadequadas para os locais onde foram plantadas.
É aí que também entra o apoio da população. Dayane lembra que a prefeitura, por meio da Semades, publicou o Manual de Arborização Urbana, que orienta sobre as espécies que podem ou não ser plantadas na Capital. A publicação pode ser conferida aqui. O Campo Grande News também já publicou várias matérias sobre o assunto (confira abaixo).
“A melhor saída é o plantio correto da espécie correta. Só aí eu acho que a gente já consegue arrumar a situação daqui pra frente. Se plantar a espécie correta, a tendência é esse problema ir diminuindo”, define.
O cuidado não termina no plantio. Podas feitas de maneira inadequada também podem aumentar o risco. Segundo Dayane, algumas das árvores avaliadas pela equipe apresentam histórico de intervenções que acabaram comprometendo seu equilíbrio e sua sustentação.
“Muitas das árvores que a gente avalia como um risco de queda, a gente consegue perceber o histórico de poda inadequada na árvore. Elas podem dar desequilíbrio, porque daí faz a árvore perder a sustentação”, explica.
Alguns sinais podem servir de alerta para os moradores, como inclinação muito acentuada do tronco, raízes expostas ou levantadas e grandes cavidades. A gerente ressalta, porém, que cada árvore precisa ser avaliada individualmente, inclusive considerando as condições do espaço em que está plantada.
Equipe pequena – Com apenas quatro auditores fiscais ambientais, a equipe precisa dividir o trabalho entre as solicitações da população, vistorias preventivas, análises relacionadas a grandes empreendimentos e denúncias de supressão irregular.
“É importante ressaltar que eles não atendem só às vistorias de árvores nas calçadas e praças. Eles atendem solicitações diárias internas de grandes empreendimentos que vão ser construídos, porque também precisam de nossa autorização. Temos as demandas da população também”, diz.
A Semades recebe cerca de 150 pedidos por mês feitos por moradores. Como uma única solicitação pode envolver mais de uma unidade, a equipe vistoria, em média, 290 árvores mensalmente, sem contar as análises relacionadas aos grandes empreendimentos.
O principal meio para fazer a solicitação é o formulário disponível no site da secretaria, aqui. O atendimento também pode ser feito pessoalmente na Central de Atendimento ao Cidadão. Dayane orienta que o morador envie fotos e informações detalhadas, porque isso permite à equipe fazer uma triagem e priorizar situações de maior risco.
A prefeitura também disponibiliza gratuitamente mudas para a população. Antes da entrega, a equipe analisa onde será feito o plantio para indicar uma espécie e um porte compatíveis com o espaço disponível.

Em relação ao temporal do dia 10 de setembro, quando 344 quedas de árvores foram registradas na Capital, a reportagem também procurou a Defesa Civil, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura. O órgão informou que, ao todo, foram atendidas 603 ocorrências, das quais 344 eram referentes a quedas de árvores. Todas as sete regiões de Campo Grande foram atingidas.
Números – Dados do Corpo de Bombeiros mostram que a corporação atendeu 3.702 ocorrências relacionadas a quedas de árvores entre 2023 e 2026, até agora. Neste ano foram 759, contra 961 em 2025, 757 em 2024 e 1.225 em 2023.
A corporação explicou que a maior parte das quedas ocorre durante ventanias e temporais, principalmente quando a árvore já apresenta algum dano ou está com as raízes comprometidas. Em períodos de chuvas seguidas, quando o solo fica encharcado, também aumentam as condições favoráveis às quedas.
Para Dayane, a resposta não está em reduzir a arborização da cidade, mas em tratá-la como parte da infraestrutura urbana. Além da sombra, as árvores contribuem para o conforto térmico, retenção de poluentes e drenagem, mas exigem escolha adequada da espécie, espaço para o desenvolvimento das raízes, poda correta e manutenção.
“Ela faz parte da infraestrutura. Ela contribui para diversos benefícios, conforto térmico, retenção de poluentes do ar, até para a drenagem. Mas ela tem que ser olhada e tem que ter atenção à poda adequada, à espécie adequada em cada local”, conclui.
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