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Meio Ambiente

Cerrado de MS perdeu 55,7% da vegetação nativa; cobertura atual chega a só 23,6%

MapBiomas aponta perda de 6,59 milhões de hectares no Estado de 1985 a 2025

Por Inara Silva | 07/10/2026 06:45
Cerrado de MS perdeu 55,7% da vegetação nativa; cobertura atual chega a só 23,6%
Formação savânica do Cerrado, que perdeu 69% de sua área em Mato Grosso do Sul entre 1985 e 2025, segundo o MapBiomas (Foto: Semadesc)

A porção do Cerrado em Mato Grosso do Sul perdeu 6,59 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025, uma redução de 55,7% da cobertura existente no início do período. Em 2025, essa vegetação ocupava aproximadamente 23,6% do território do bioma no Estado, a segunda menor proporção entre as unidades da Federação com área no Cerrado, superior apenas à de São Paulo, com 14,7%.

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A porção do Cerrado em Mato Grosso do Sul perdeu 6,59 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025, queda de 55,7%, segundo a Coleção 11 do MapBiomas. A área passou de 11,83 milhões para 5,25 milhões de hectares, 23,6% do bioma no Estado. A formação savânica teve a maior perda proporcional, de 69%. Entre 2015 e 2025, a redução líquida foi de 429,3 mil hectares. A pesquisadora Bárbara Costa associa a perda à expansão agropecuária e defende proteger nascentes e conexões da paisagem.

Os resultados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta quinta-feira (8). A redução estadual foi calculada a partir das quatro classes de vegetação nativa apresentadas na tabela de MS: formação florestal, savânica, campestre e campo alagado e área pantanosa. Juntas, elas passaram de 11,83 milhões para 5,25 milhões de hectares.

O levantamento considera exclusivamente a parte de Mato Grosso do Sul inserida no Cerrado, com aproximadamente 22,22 milhões de hectares. Os números não representam a cobertura vegetal do Estado inteiro.

Conforme o levantamento, a redução proporcional em MS foi maior que a registrada no conjunto do Cerrado. Em todo o bioma, a perda líquida chegou a 51,7 milhões de hectares, equivalente a 34% da vegetação nativa existente em 1985. A cobertura remanescente ocupa 49,6% do Cerrado.

Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e pesquisadora da equipe Cerrado do MapBiomas, confirma uma redução estadual próxima de 6,6 milhões de hectares e associa a transformação à expansão dos usos agropecuários. Segundo ela, o Estado tem papel importante tanto na produção quanto na conservação: concentra aproximadamente 17% da área de agropecuária de todo o Cerrado e cerca de 5% da vegetação nativa remanescente do bioma.

Cerrado de MS perdeu 55,7% da vegetação nativa; cobertura atual chega a só 23,6%

Formação savânica - Entre as classes de vegetação nativa da tabela estadual, a formação savânica registrou a maior queda proporcional. Sua área passou de 3,26 milhões para aproximadamente 1 milhão de hectares, redução de 69%. A formação florestal perdeu a maior extensão em termos absolutos: caiu de 7,32 milhões para 3,66 milhões de hectares, uma redução de 50%. A formação campestre passou de cerca de 236 mil para 106 mil hectares, queda de 55%.

Conforme o estado, os campos alagados e áreas pantanosas também encolheram. Essa classe perdeu aproximadamente 539,6 mil hectares, ou 53% de sua área inicial, dentro do Cerrado sul-mato-grossense.

O estudo mostra que a perda continuou na última década. Entre 2015 e 2025, as quatro classes de vegetação nativa passaram de 5,67 milhões para 5,25 milhões de hectares. A redução líquida foi de aproximadamente 429,3 mil hectares, equivalente a 7,6% da cobertura existente em 2015. A perda líquida corresponde à diferença entre a área de vegetação nativa no início e no fim do período, porém, não equivale necessariamente ao desmatamento acumulado, que contabiliza eventos de perda ao longo dos anos.

Conservar e conectar - Para Bárbara Costa, o desafio é conciliar a produção agropecuária com a preservação do bioma, como aumentar a produtividade em áreas já convertidas, proteger a vegetação que permanece e recuperar a conexão entre fragmentos.

A pesquisadora defende que as estratégias de conservação e restauração alcancem todo o Estado. Como ponto de partida, destaca a importância de proteger as nascentes no planalto e as conexões da paisagem com a planície pantaneira.

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