Onde nasce a água, Cerrado ganha proteção permanente em Ribas do Rio Pardo
Nascentes, veredas e diferentes formações de vegetação nativa integram reserva de 1.209 hectares

Uma área de 1.209 hectares de Cerrado, onde nascentes dividem espaço com veredas, cerradões e campos de vegetação nativa, passou a ter proteção permanente em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande. O território agora forma a Reserva Particular do Patrimônio Natural Cerrado Protegido.
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Uma área de 1.209 hectares de Cerrado em Ribas do Rio Pardo, a 98 km de Campo Grande, ganhou proteção permanente com a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural Cerrado Protegido. Reconhecida pelo ICMBio e localizada em propriedade da Suzano, a reserva abriga 164 espécies vegetais e 363 animais, incluindo tamanduá-bandeira, lobo-guará e tatu-canastra. A unidade será administrada pelo Instituto Ecofuturo.
Reconhecida pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), a reserva está localizada em uma propriedade da Suzano e será administrada pelo Instituto Ecofuturo, organização sem fins lucrativos mantida pela empresa.
A criação da RPPN protege mais do que árvores. Levantamentos realizados para a elaboração do Plano de Manejo apontaram 164 espécies da flora, distribuídas em 52 famílias botânicas. Entre elas está a catuaba, classificada como espécie em perigo de extinção na lista nacional da flora ameaçada.
A fauna também revela a importância da área. Os estudos reuniram registros de 363 espécies, incluindo 234 aves, 49 mamíferos, 31 anfíbios, 29 peixes e 20 répteis.
Nesse território vivem ou circulam animais emblemáticos do Cerrado, como anta, tamanduá-bandeira, queixada, tatu-canastra, macaco-prego, lobo-guará, mutum-de-penacho e tico-tico-de-máscara-negra. Algumas dessas espécies precisam de grandes áreas preservadas para encontrar alimento, reproduzir-se e se deslocar.
O tatu-canastra e o mutum-de-penacho estão entre os animais considerados prioritários para conservação pela abordagem RHINO, da União Internacional para a Conservação da Natureza. A fragmentação do habitat é uma das principais ameaças à sobrevivência dessas espécies.
As nascentes mapeadas dentro da reserva ampliam o valor ambiental da unidade. No Cerrado, a vegetação nativa funciona como proteção natural para as águas, ajuda a conservar o solo e mantém processos ecológicos ligados às veredas e áreas úmidas.

Segundo Beatriz Greco Tavora, gerente de Sustentabilidade da Suzano e do Instituto Ecofuturo, a reserva permitirá ampliar pesquisas, acompanhar a fauna e a flora e desenvolver ações de educação ambiental, principalmente com jovens da região.
“A área reúne nascentes, diferentes tipos de vegetação nativa e espécies que dependem de grandes extensões preservadas, como o tatu-canastra e o mutum-de-penacho”, afirmou.
A criação da unidade foi oficializada pela Portaria ICMBio nº 4.100, assinada pelo presidente do órgão, Mauro Oliveira Pires, e publicada no fim de agosto. Os 1.209 hectares da RPPN estão dentro de uma área maior, com aproximadamente 3.543,5 hectares, destinada pela Suzano a ações de conservação e manejo.
Com a nova unidade de Ribas do Rio Pardo, a empresa passa a manter nove RPPNs em quatro estados brasileiros. Juntas, as reservas somam 12.697 hectares distribuídos por três biomas.
Em uma região que atravessa profundas mudanças econômicas e ambientais, preservar nascentes e manter corredores para a circulação dos animais significa proteger também o futuro. No Cerrado, conservar a vegetação não é apenas salvar a paisagem: é garantir água, equilíbrio climático e espaço para espécies que desapareceriam silenciosamente sem áreas protegidas.

