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Meio Ambiente

Entre discursos da COP15, corujas vivem rotina silenciosa no coração do poder

Entre carros, servidores e eventos, aves transformam área central do poder em território silencioso

Por José Cândido | 24/03/2026 13:40
Entre discursos da COP15, corujas vivem rotina silenciosa no coração do poder
Aves vivem em tocas no solo e passam boa parte do dia imóveis, camufladas no gramado (Foto: Osmar Veiga)

Enquanto autoridades de diferentes países discutem a proteção de espécies migratórias durante a COP15, em Campo Grande, um espetáculo discreto acontece do lado de fora dos auditórios e palcos oficiais. No gramado do Parque dos Poderes, em frente ao Palácio Popular da Cultura, pequenas corujas transformaram o centro político do Estado em território próprio.

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Enquanto a COP15 discute a proteção de espécies migratórias em Campo Grande, corujas-buraqueiras estabeleceram território no gramado do Parque dos Poderes, em frente ao Palácio Popular da Cultura. As aves formam grupos de até dez indivíduos, permanecendo imóveis durante o dia e caçando à noite. A espécie adaptou-se ao ambiente urbano, escolhendo o local pela oferta de alimento e baixa presença de predadores naturais. Apesar dos riscos da proximidade com vias de circulação e pessoas, as corujas resistem no centro político do Estado, evidenciando a persistência da biodiversidade urbana.

Entre veículos que passam, pessoas que caminham e o ritmo acelerado da rotina institucional, elas permanecem ali — imóveis por longos períodos, camufladas no chão, como se fizessem parte da paisagem. Às vezes, são duas ou três. Em outros momentos, chegam a formar pequenos grupos, com até dez aves dividindo o mesmo espaço.

A cena chama atenção de quem passa com mais calma. Há quem já saiba onde olhar. Outros se surpreendem ao descobrir que, no meio do concreto e da circulação intensa, existe vida selvagem resistindo.

Entre discursos da COP15, corujas vivem rotina silenciosa no coração do poder
Tocas espalhadas pelo gramado servem de abrigo para corujas que se adaptaram ao ambiente urbano (Foto: Osmar Veiga)

As aves, conhecidas popularmente como corujas-buraqueiras, têm um comportamento que desafia a lógica urbana. Diferente de outras espécies, vivem no solo, em tocas, e se adaptam a áreas abertas — o que ajuda a explicar a presença constante nos gramados bem cuidados do parque.

Durante o dia, ficam praticamente imóveis. À noite, saem para caçar insetos e pequenos animais. A escolha do local, segundo especialistas, pode estar relacionada à oferta de alimento e à relativa ausência de predadores naturais, mesmo em um ambiente urbano.

Ainda assim, a convivência não é isenta de riscos. A proximidade com vias de circulação, a presença constante de pessoas e até eventos na região podem interferir na rotina das aves. Não há sinalização específica nem ações visíveis de monitoramento no local.

O contraste com o momento vivido pela cidade é inevitável. Enquanto dentro da COP15 se discutem políticas globais para proteger espécies que cruzam continentes, do lado de fora, a biodiversidade urbana segue seu próprio curso, silenciosa, adaptando-se como pode.

Ali, no coração do poder, as corujas não fazem discursos. Mas ocupam espaço — e lembram, à sua maneira, que a preservação também começa onde a gente pisa todos os dias.

Entre discursos da COP15, corujas vivem rotina silenciosa no coração do poder
O Parque dos Poderes, em frente ao Palácio Popular da Cultura, virou habitat de corujas-buraqueiras (Foto: Osmar Veiga)