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Meio Ambiente

Inusitado: planta cresce na rede de energia elétrica em Campo Grande

Por Luciana Brazil | 01/08/2012 13:28
Uma semente é levada pelo vento e em um estreito fio da rede elétrica, a planta se instala. (Fotos:Minamar Júnior)
Uma semente é levada pelo vento e em um estreito fio da rede elétrica, a planta se instala. (Fotos:Minamar Júnior)

No corre-corre do dia-a-dia, elas passam desapercebidas. Lá no alto, as pessoas nem sabem de sua existência. Quem nota sua presença, não consegue dizer ao certo do que se trata. De forma singular, como a natureza gosta de surpreender, a cena desperta a curiosidade dos mais observadores. Plantas se instalam em lugares inusitados, como os fios de alta tensão. Um fenômeno caprichado da natureza.

A imagem, que desperta o interesse, é revelada na rua Raul Pires Barbosa, no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. Em frente a um mercado, lá estão as plantas, são bromélias, entrelaçadas aos fios. Semelhante a um floco, é preciso olhar alto para vê-las suspensas.

De acordo com o biólogo Geraldo Damasceno, professor de botânica da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), as bromélias podem se instalar também em troncos de árvores, telhados de casa, sobre rochas ou em qualquer base que possibilite a fixação de suas raízes.

“Essas plantas são da família das Bromeliáceas e pertencem ao gênero Tillandsia. São plantas epífitas, ou seja, plantas que se fixam em bases, mas não absorvem nada delas” explicou.

Mesmo frequentando o mercado todos os dias, a servidora pública Nathalia Torres, 25 anos, confessou nunca ter reparado nas plantas. Para o representante comercial Jorge Chermont, 49 anos, a planta passou despercebida. “Não tinha reparado. Acho que pode ser o ninho de um passarinho ou mesmo uma planta”, ressaltou.

De longe parecem ninho de passarinho. Mas nem todo mundo repara.
De longe parecem ninho de passarinho. Mas nem todo mundo repara.
Gerente do mercado diz que as plantas não passaram despercebidas, mas não soube explicar o fenômeno.
Gerente do mercado diz que as plantas não passaram despercebidas, mas não soube explicar o fenômeno.

Diariamente no comércio, o gerente do mercado Joseval Fernandes da Silva, 39 anos, explica que já sabia da planta e arriscou alguns palpites. “Talvez tenha alguma relação com a energia e acabe atraindo a planta”.

O biólogo, com doutorado em biologia vegetal, explica que as plantas dessa espécie fabricam o seu próprio alimento através da fotossíntese, absorvem água e sais minerais do ambiente e o gás carbônico é absorvido da atmosfera.

A única energia que elas utilizam é a do sol. Em geral, as plantas usam as raízes para fazer a absorção de água e sais, mas no caso específico das bromélias epífitas essa absorção é feita pelas folhas, utilizando as escamas especiais. Essas escamas conseguem retirar umidade do ar e também sais minerais a partir de elementos que estão em suspensão no ar.

A adaptação natural permite que a planta sobreviva em locais onde haja pouca umidade no ar, conforme explicou o biólogo. O vento é o responsável por fazer a dispersão das sementes até os locais de fixação e a produção da espécie, ele garante que é boa.

Outras plantas, da mesma espécie, também conseguem se estabelecer nesses ambientes e segundo o Damasceno, em cidades como Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, a quantidade dessas espécies é grande e a fixação acontece comumente em telhados e fiação elétrica.

Sobre os perigos para os fios da corrente elétrica, o professor de física também da UFMS, Moacir Lacerda, destaca que os problemas só existirião se a planta fosse maior, com tamanho suficiente para gerar descarga elétrica entre os fios ou entre um fio e o solo.

“Como essas plantas têm tamanho semelhante a um pequeno pássaro, que também pousam sobre a fiação e não causam problema, acredito que elas não ofereçam risco para a fiação elétrica”.

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