Riedel anuncia edital de US$ 80 milhões para venda de créditos de carbono
Estado prepara oferta de ativos ambientais e aposta em florestas plantadas para ampliar receita verde
Mato Grosso do Sul deve lançar em breve um edital de US$ 80 milhões para a comercialização de créditos de carbono. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (18) pelo governador Eduardo Riedel (PSDB), durante o FIAP (Fórum Internacional da Agropecuária), realizado na sede da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande.
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Mato Grosso do Sul deve lançar em breve um edital de US$ 80 milhões para a comercialização de créditos de carbono, anunciou o governador Eduardo Riedel durante o FIAP, em Campo Grande. A iniciativa se apoia no avanço da cadeia da celulose e na expansão das florestas plantadas, que elevam o saldo de mitigação de gases de efeito estufa. O Estado quer alcançar a neutralidade de emissões líquidas até 2030.
O governador explicou que a iniciativa é viabilizada pelo expressivo saldo de mitigação de GEE (gases de efeito estufa) proporcionado, entre outros fatores, pela expansão da cadeia produtiva da celulose no Estado. A área ocupada por florestas plantadas passou de 378,1 mil hectares, em 2010, para cerca de 1,89 milhão de hectares em 2026.
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“Nós temos as três maiores plantas industriais de celulose do mundo implantadas ou em implantação. Isso tem um efeito gigantesco nesse balanço de carbono. Quando apoiamos o produtor nessa linha, mostramos um caminho em que o resultado ambiental vem acompanhado do resultado econômico. Não é apenas uma questão de consciência, mas também de geração de renda”, afirmou o governador.
As unidades citadas por Riedel são a fábrica da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, a unidade da Arauco, em construção em Inocência, e o projeto da Bracell, previsto para Bataguassu.
Segundo o governador, o Estado está mensurando as emissões e as mitigações de gases de efeito estufa dentro do programa Carbono Neutro, que tem como meta neutralizar as emissões líquidas de Mato Grosso do Sul até 2030.
“Vamos mostrar aos mercados que é possível produzir mais e melhor, com eficiência e responsabilidade ambiental. Em Mato Grosso do Sul, da mesma maneira que se remunera a produção, também pagamos pelos serviços ambientais prestados pelos produtores do Pantanal. Eles têm o direito de abrir novas áreas dentro dos limites da legislação, mas optam por preservar o bioma. É importante que recebam por isso, porque a preservação precisa ter valor econômico para não ficar apenas no discurso”, ressaltou.
Em outubro do ano passado, durante as discussões preparatórias para a COP-30, realizada em novembro, em Belém (PA), Riedel já havia sinalizado a intenção de lançar um edital para a comercialização de créditos de carbono vinculados aos ativos ambientais do Estado.
As florestas plantadas têm papel relevante nesse processo por sua capacidade de absorver e armazenar carbono durante o crescimento das árvores. Segundo o SNIF (Sistema Nacional de Informações Florestais), elas atuam como importantes sumidouros de carbono, contribuindo para a redução da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e fortalecendo o balanço ambiental positivo da atividade florestal.


