Governo exonera assessor citado em “máfia do Pix” no hospital de Sidrolândia
Sérgio Castilho ocupava cargo na Casa Civil; investigação aponta que ele receberia R$ 290 mil em esquema

Sérgio Roberto Castilho Vieira, ex-assessor parlamentar apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul como um dos intermediários em um suposto esquema de desvio de recursos destinados à reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, foi exonerado do governo estadual. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (15).
RESUMO
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Sérgio Roberto Castilho Vieira, o Serginho, foi exonerado do cargo de assessor especial na Casa Civil de Mato Grosso do Sul, conforme o Diário Oficial desta quinta-feira (15). Ele é apontado pelo Ministério Público como intermediário em suposto desvio de recursos da reforma do hospital de Sidrolândia, investigado na Operação Dirty Pix. Os promotores suspeitam de propina de R$ 290 mil. A obra recebeu R$ 8,5 milhões da Itaipu. O ato não apresenta justificativa.
Serginho, como é conhecido, ocupava o cargo em comissão de assessor especial III, símbolo CCA-04, na Secretaria de Estado da Casa Civil. A exoneração foi assinada pelo secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez Ramos, em ato datado de 14 de outubro, com efeitos a partir da publicação.
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Conforme o Portal da Transparência do governo estadual, Sérgio recebeu remuneração fixa de R$ 24.617,25 em setembro de 2026. Após as deduções obrigatórias, o valor líquido foi de R$ 18.039,89. Ele havia sido admitido para o cargo em 26 de janeiro de 2023.
O nome de Serginho aparece na investigação da Operação Dirty Pix, conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do Ministério Público. Segundo a apuração, ele teria atuado na intermediação para obtenção de recursos da Itaipu Binacional destinados à reforma e ampliação do hospital, obra que recebeu R$ 8,5 milhões da instituição e cerca de R$ 1,3 milhão da Prefeitura de Sidrolândia.
Suspeita de pagamento de R$ 290 mil - Conversas extraídas dos celulares dos investigados são apontadas pelos promotores como indícios de que Serginho esperava receber vantagens financeiras pela intermediação. Em agosto de 2024, quando os recursos começaram a ser liberados, ele perguntou ao então presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, se avisaria que o dinheiro havia chegado.
Na conversa, Serginho escreveu: “Tô com sede” e acrescentou: “Não bebo água faz tempo”. No mesmo dia, Jacob informou ao engenheiro Lucas Marques Nunes que o dinheiro estava na conta.
De acordo com o Ministério Público, as mensagens indicariam que Serginho acompanhava a liberação dos recursos e cobrava valores que teriam sido previamente combinados.
Em setembro de 2024, após uma reunião no hospital, Jacob discutiu com outros envolvidos a emissão de notas fiscais para justificar pagamentos. Conforme a investigação, seriam duas notas, uma de R$ 210 mil, vinculada ao hospital, e outra de R$ 80 mil, relacionada à empresa Global Produtos Agropecuários Ltda., pertencente a Jacob.
Para os promotores, os R$ 290 mil corresponderiam à propina destinada a Serginho. A investigação suspeita que os documentos fiscais tenham sido utilizados para justificar pagamentos sem correspondência com serviços efetivamente prestados.
Obra de quase R$ 10 milhões - A investigação também aponta suspeitas de que o orçamento da reforma tenha sido artificialmente elevado para alcançar o valor do financiamento pretendido. O primeiro projeto previa gastos de R$ 1,13 milhão, mas as planilhas foram ampliadas ao longo das articulações até chegar a R$ 8,55 milhões, montante próximo dos R$ 8,5 milhões buscados junto à Itaipu.
Mensagens entre Jacob e o engenheiro Lucas mencionam a possibilidade de ajustar a planilha ao valor pretendido e fazem referência a itens que teriam “gordura” no orçamento. Para o Ministério Público, os diálogos indicam possíveis manipulações nos custos apresentados ao financiador e levantam suspeitas de que parte dos recursos poderia ter sido desviada.
O empresário Hélio Carrilho Modesto Junior também é citado na investigação como responsável por aproximar Jacob de representantes da Itaipu. Em uma conversa, Lucas mencionou “10% de 8 milhões”, o que corresponderia a R$ 800 mil. Segundo os promotores, o diálogo sugere uma possível propina relacionada à intermediação, mas não comprova que Hélio tenha recebido esse valor.
A reforma e ampliação do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa foi entregue em dezembro de 2025. Somados os recursos da Itaipu e da Prefeitura de Sidrolândia, os investimentos chegaram a aproximadamente R$ 10 milhões.
Operação Dirty Pix - Jacob foi preso preventivamente em 7 de outubro, durante a segunda fase da Operação Dirty Pix. Na ocasião, o Ministério Público também solicitou buscas em endereços ligados a Lucas, Serginho e Hélio. A força-tarefa cumpriu três mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.
Jacob negou irregularidades na gestão do hospital. Até a publicação da reportagem anterior sobre o caso, o Campo Grande News havia tentado contato com Seginho e Lucas, mas não obteve retorno. A reportagem também informou que não conseguiu localizar o contato de Hélio. A Itaipu Binacional havia sido consultada e ainda não tinha se manifestado.
A exoneração de Sérgio Castinho do cargo no governo estadual foi formalizada no Diário Oficial desta quinta-feira (15). O ato administrativo não apresenta justificativa para a decisão.
A reportagem tenta contato com Sérgio Roberto Castilho Vieira, desde o dia em que a investigação veio a público, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação e eventuais esclarecimentos.

