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Política

“Nós que cruzamos a fronteira de MS”, diz presidente da Bolívia em São Paulo

Em visita à Fiesp, chefe de Estado boliviano destacou laços históricos com o estado sul-mato-grossense

Por Guilherme Correia, de São Paulo | 17/03/2026 15:01
“Nós que cruzamos a fronteira de MS”, diz presidente da Bolívia em São Paulo
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, durante evento em São Paulo. (Foto: Guilherme Correia)

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou nesta terça-feira (17) de evento na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e afirmou que a relação do território boliviano com o Brasil é histórica.

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O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destacou a histórica relação fronteiriça com o Brasil durante evento na Fiesp, em São Paulo. Com 3.423 quilômetros de extensão, a fronteira boliviana é a maior divisa terrestre do Brasil, tendo Corumbá (MS) como principal ponto de entrada. Durante o encontro, Paz enfatizou a importância da Rota Bioceânica e o potencial logístico boliviano para a região. O presidente também abordou questões ambientais, revelando que 60% da água que abastece o Brasil tem origem na Bolívia, e manifestou preocupação com os recentes incêndios que devastaram área equivalente a três países europeus.

"Com todo respeito aos irmãos do Mato Grosso. Mas somos nós que entramos no Mato Grosso 'do Norte' e Mato Grosso do Sul", disse o presidente boliviano, em referência à extensa fronteira que a Bolívia compartilha com a região.

Bolívia faz fronteira com o Brasil em extensão de cerca de 3.423 quilômetros, a maior fronteira terrestre do território brasileiro com qualquer outro país. MS ocupa a posição mais ao sul da fronteira, sendo o ponto de entrada da linha divisória.

Corumbá é o único município sul-mato-grossense que divide limites com o país vizinho.

Rota Bioceânica - Paz citou as diferentes rotas de escoamento de produção que ligam a Bolívia ao Brasil, incluindo a Rota Bioceânica, corredor que passa por Mato Grosso do Sul e que conecta o centro da América do Sul ao Oceano Pacífico, pelo Chile, e ao Atlântico, pelo Brasil.

O presidente defendeu que essas rotas são estratégicas tanto para a Bolívia quanto para o Brasil, e que o potencial logístico boliviano é um diferencial para a região.

"Uma delas é o aspecto logístico que a Bolívia representa na América do Sul, tendo cinco fronteiras", afirmou Paz.

Ele também reforçou, durante o evento, que os dois países têm economias complementares e que a relação deve ser conduzida com regras claras.

"Se a Bolívia é cuidada, o potencial é complementário ao crescimento do Brasil", disse. "Não temos medo de discutir os temas. Falar com clareza em todos os âmbitos para ir com um plano de longo prazo."

Sustentabilidade - Paz lembrou ainda que a interdependência entre os dois países vai além do comércio. Segundo ele, 60% da água que abastece o Brasil vem da Bolívia, pelas nascentes da cordilheira dos Andes que alimentam a bacia amazônica.

Sobre os incêndios que devastaram o solo boliviano nos últimos anos, Paz afirmou que a destruição atingiu uma área equivalente à soma de Bélgica, Alemanha e parte da França.

"Isso já não é um problema de ordem produtiva. Isso é matar a pátria", declarou.