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Política

Último debate tem ataques, propostas e pouco espaço para aprofundar soluções

Riedel, Trad, Delcídio e Lucien debateram desafios de MS em encontro com confrontos e tempo cronometrado

Por Jhefferson Gamarra | 29/09/2026 23:18
Último debate tem ataques, propostas e pouco espaço para aprofundar soluções
Candidatos ao governo de MS reunidos no estúdio para o último debate do primeiro turno das eleições 2026 (Foto: Antonio Arguello/Reprodução)

O último debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul antes do primeiro turno das eleições 2026 foi marcado pela discussão de temas como saúde, segurança pública, educação, economia, meio ambiente, habitação e desenvolvimento regional, mas também por embates diretos e pouco espaço para aprofundar as propostas. Mediado pela jornalista Lucimar Lescano, o encontro reuniu Eduardo Riedel (PP), Delcídio Amaral (PRD), Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL) na TV Morena.

RESUMO

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O último debate do primeiro turno entre os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul, na TV Morena, reuniu Delcídio Amaral (PRD), Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL). Começou com acusações de corrupção, incluindo a citação de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e depois avançou para propostas em economia, educação, habitação, agricultura familiar, logística, saúde, meio ambiente e combate ao feminicídio.

A dinâmica impôs um formato rígido aos candidatos. Em cada bloco, cada um teve direito a fazer uma pergunta e responder apenas uma vez. Quem perguntava tinha 40 segundos para formular a questão e 1 minuto e 15 segundos para a réplica, enquanto quem respondia dispunha de 3 minutos e 15 segundos para administrar entre a resposta e a tréplica.

O tempo reduzido, especialmente para desenvolver propostas mais complexas, deixou o debate mais direto e contribuiu para que alguns temas fossem tratados de forma rápida.

Ataques marcam início e propostas dominam sequência do 1º bloco do debate

O primeiro bloco do último debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul começou em tom de confronto, com acusações e cobranças envolvendo corrupção, casos investigados e a atuação dos adversários em cargos públicos. Na sequência, a discussão migrou para propostas sobre desenvolvimento econômico, tecnologia, habitação, agricultura familiar e políticas para comunidades indígenas e quilombolas.

A primeira pergunta foi feita por Fábio Trad a Eduardo Riedel. Trad citou casos relacionados à saúde e questionou o governador sobre a relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Riedel respondeu defendendo os mecanismos de controle do Estado e afirmou que o governo é “absolutamente intolerante com a corrupção”. Segundo ele, a Controladoria-Geral do Estado recebeu 7.373 denúncias ao longo de três anos, todas tratadas, e o trabalho resultou, conforme afirmou, em 189 sanções a empresas e R$ 25 milhões em multas.

Na réplica, Trad voltou a questionar Riedel sobre Vorcaro e criticou o discurso baseado em números. Riedel, na tréplica, negou ter estado com Vorcaro em Nova York e classificou a acusação como fake news, dizendo que a vigem foi motivada para buscar recursos e parcerias para o Estado. Também respondeu atacando a atuação de Trad na Embratur e afirmou que o adversário estava recorrendo a informações falsas em vez de apresentar propostas.

Na segunda rodada, Riedel escolheu Delcídio Amaral para responder sobre como distribuir de forma mais justa os resultados do crescimento econômico de Mato Grosso do Sul. Delcídio levou a discussão para a tecnologia e defendeu um projeto de Estado baseado na integração tecnológica de serviços de educação, saúde e segurança pública, além do uso de tecnologia nas regiões de fronteira. Ele também citou o Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras).

Na réplica, Riedel destacou a atração de investimentos em áreas como energia, segurança alimentar e sustentabilidade e relacionou o crescimento econômico à geração de empregos, renda e qualificação profissional. Segundo ele, 55% dos alunos da rede estadual estão fazendo cursos profissionalizantes alinhados à demanda do mercado regional.

Delcídio retomou o tema da qualificação e acrescentou a exploração do gás natural como uma oportunidade de desenvolvimento. Também afirmou que o Estado precisa preparar a mão de obra local para os grandes projetos que estão chegando. “O que está acontecendo é que muita gente está vindo de fora”, disse.

Na terceira rodada, Lucien Rezende questionou Fábio Trad sobre habitação e apresentou a questão como uma comparação entre governos federais. Trad respondeu citando a parceria com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu a ampliação da oferta de moradias em Mato Grosso do Sul, especialmente para a população em situação de maior vulnerabilidade.

Lucien, na réplica, apresentou como proposta a construção de 80 mil moradias e citou idosos, mulheres vítimas de violência e famílias que aguardam há anos por uma residência. Também defendeu a criação de uma lista única para organizar a demanda habitacional.

Na tréplica, Trad falou em 78 mil pessoas sem casa no Estado e defendeu parceria com o governo federal, subsídio para financiamento da casa própria e regularização fundiária. Também direcionou a proposta a grupos como mães solo, idosos e pessoas com deficiência.

O último confronto do bloco foi entre Delcídio Amaral e Lucien Rezende, com foco na agricultura familiar, aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Delcídio questionou quais políticas Rezende pretende adotar para esses grupos.

Lucien respondeu com críticas à estrutura de assistência ao pequeno produtor e afirmou que pretende criar cinco cinturões verdes em Mato Grosso do Sul para fomentar a agricultura familiar. Também citou a necessidade de melhorar a estrutura dos escritórios da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), oferecer análise de solo e utilizar tecnologias como drones e inteligência artificial.

Na réplica, Delcídio destacou a necessidade de assistência técnica, equipamentos, comercialização e cooperativismo para os pequenos produtores. Também citou o Programa Luz para Todos e defendeu atenção às comunidades indígenas e quilombolas, mencionando localidades onde, segundo ele, ainda há falta de água.

Lucien retomou a situação de assentamentos e aldeias e afirmou que problemas como a falta de água potável exigem “vontade política”. Também defendeu que a produção da agricultura familiar seja ampliada dentro do próprio Estado para gerar renda e reduzir custos para as famílias sul-mato-grossenses.

Assim, o primeiro bloco teve uma mudança clara de tom: começou com acusações e respostas sobre corrupção e informações consideradas falsas pelos candidatos e, nas rodadas seguintes, passou a concentrar a discussão em desenvolvimento econômico, tecnologia, qualificação profissional, habitação e agricultura familiar.

Corrupção abre 2º bloco, que avança por reforma tributária, educação e logística

O segundo bloco do debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul começou novamente com o tema da corrupção, retomando o tom de confronto visto na primeira parte do programa. Na sequência, os candidatos passaram por reforma tributária, incentivos fiscais, educação, qualificação profissional e, por fim, logística e transportes, com discussões sobre ferrovias, rodovias, Bioceânica e os impactos da expansão da indústria de celulose no Estado.

A primeira pergunta foi feita por Lucien Rezende (PSOL) a Eduardo Riedel (PP), sobre as medidas adotadas durante o mandato para combater a corrupção. Riedel defendeu o fortalecimento da Controladoria-Geral do Estado e da chamada rede de controle, formada por diferentes órgãos públicos. Segundo ele, seu governo não foi tolerante com desvios e adotou medidas administrativas quando surgiram suspeitas.

“Em nenhum caso a gente foi tolerante com nenhum tipo de desvio”, afirmou Riedel, citando novamente as 7.373 denúncias recebidas pela Controladoria e as 189 empresas sancionadas, com R$ 25 milhões em multas, números que já haviam sido apresentados no primeiro bloco.

Lucien, por sua vez, afirmou que a corrupção estaria sendo “normalizada” no Estado e defendeu mudanças na estrutura administrativa, incluindo a limitação do período de permanência de pessoas em cargos considerados estratégicos. O candidato também disse que pretende acompanhar mais de perto a atuação do governo nos municípios.

Na tréplica, Riedel voltou a defender a atuação dos mecanismos de controle e citou operações recentes envolvendo órgãos estaduais. Como exemplo, mencionou uma investigação relacionada a medicamentos e outra envolvendo policiais e desvios de drogas. “Os casos acontecem, mas a gente deve ter tolerância zero com a corrupção”, afirmou.

Reforma tributária e incentivos fiscais - O segundo tema sorteado foi reforma tributária. Fábio Trad (PT) questionou Delcídio Amaral (PRD) sobre o modelo econômico do Estado e os incentivos fiscais concedidos a grandes empresas.

Delcídio afirmou que não é contrário aos incentivos, mas defendeu uma revisão dos benefícios concedidos e disse que o Estado precisa dar mais atenção aos pequenos e médios produtores. Segundo ele, os incentivos já alcançariam aproximadamente R$ 12 bilhões.

“Não sou contra os incentivos tributários, mas acho que nós precisamos analisar bem o montante que já foi alcançado de incentivos em função dos novos projetos que estão se instalando aqui”, afirmou.

Delcídio também relacionou a discussão à situação financeira do Estado e defendeu uma revisão da política de incentivos para ampliar investimentos em áreas como saúde, educação e segurança.

Trad, na réplica, explicou que a reforma tributária muda a lógica de arrecadação ao direcionar a cobrança para o local de consumo, e não de produção. Na avaliação dele, isso exige uma mudança na estratégia econômica de Mato Grosso do Sul. O candidato defendeu ainda que comércio e serviços recebam mais atenção.

Delcídio, na tréplica, acrescentou a necessidade de exigir contrapartidas dos grandes grupos que se instalam no Estado. Citou investimentos em infraestrutura, educação, saúde e segurança como áreas que poderiam receber essas contrapartidas.

Educação volta ao centro - Na sequência, Delcídio questionou Fábio Trad sobre os indicadores da educação, principalmente do ensino médio. Trad aproveitou a pergunta para criticar a atual situação da rede estadual e contestar declarações feitas anteriormente por Riedel sobre ensino integral e desempenho no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).

Trad afirmou que pretende colocar o ensino médio de Mato Grosso do Sul entre os três melhores do país. Entre as propostas apresentadas, citou novos concursos, equiparação salarial entre contratados e concursados, atenção à saúde mental dos professores, climatização das salas e maior uso de tecnologia.

“Não. Mato Grosso do Sul, na minha gestão, vai exportar inteligência, conhecimento, tecnologia, software, startups, incubadoras, aceleradoras, cérebro e inteligência”, afirmou.

Na resposta, Riedel citou a posição do Estado nos indicadores do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e defendeu o ensino integral associado à formação técnica e ao uso de tecnologia. Também propôs maior integração entre universidades e instituições de ensino para ampliar a qualificação dos estudantes.

Trad voltou a criticar o modelo de contratação de empresas privadas para cursos profissionalizantes e defendeu parcerias com instituições públicas de ensino, como a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul) e a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).

Ele também citou a necessidade de acompanhar individualmente alunos com dificuldades e defendeu complementar, com recursos estaduais, o programa federal Pé-de-Meia.

Logística, ferrovias e Bioceânica - O último tema do bloco foi logística e transportes. Eduardo Riedel questionou Lucien sobre quais conexões entre os diferentes modais seriam necessárias para aumentar a competitividade de Mato Grosso do Sul.

Lucien destacou o impacto da expansão da indústria de celulose sobre a infraestrutura estadual e afirmou que faltou planejamento para acompanhar o crescimento desses empreendimentos. Citou a BR-262, entre Três Lagoas e Corumbá, e defendeu maior utilização da ferrovia que acompanha o trajeto.

O candidato também destacou a oportunidade representada pela Rota Bioceânica e afirmou que o Estado precisa se preparar para aproveitar o corredor de transporte e atrair empresas.

Na réplica, Riedel concordou sobre a importância da ferrovia, mas atribuiu ao governo federal a demora na relicitação da Malha Oeste. Também citou investimentos previstos em rodovias e defendeu o uso de tecnologia para agilizar o transporte de cargas, incluindo sistemas de alfândega e liberação de caminhões.

Na tréplica, Lucien deslocou novamente a discussão para a formação de mão de obra. Segundo ele, a chegada da indústria de celulose cria oportunidades, mas trabalhadores de outros Estados acabam ocupando vagas mais qualificadas.

“É uma oportunidade para o Mato Grosso do Sul crescer, mas para isso tem que ter planejamento”, afirmou.

Ao longo do segundo bloco, portanto, o debate voltou a alternar entre confrontos sobre a gestão atual e propostas para áreas consideradas estratégicas, com os candidatos discutindo mecanismos de combate à corrupção, política de incentivos fiscais, efeitos da reforma tributária, qualidade do ensino médio, qualificação profissional e infraestrutura para acompanhar os novos investimentos no Estado.

Saúde abre 3º bloco com foco na regionalização do atendimento

O terceiro bloco do debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul foi marcado por temas livres e começou com Delcídio Amaral (PRD) questionando Eduardo Riedel (PP) sobre a regionalização da saúde. Delcídio citou a prioridade dada pela população ao setor e perguntou qual seria a estratégia para concluir a descentralização dos atendimentos no Estado.

Riedel defendeu a ampliação da estrutura regional de saúde e afirmou que Mato Grosso do Sul passou de um hospital regional para quatro nos últimos anos, citando as unidades de Ponta Porã, Dourados e Três Lagoas. Também mencionou a duplicação do hospital regional de Campo Grande por meio de parceria público-privada e a ordem de serviço para uma unidade em Corumbá.

O candidato também destacou o financiamento estadual de hospitais das macrorregiões e a expansão da telemedicina. Segundo Riedel, foram realizados 112 mil atendimentos pela modalidade somente neste ano. Ele relacionou o avanço ao investimento em conectividade e citou os 7 mil quilômetros de fibra óptica instalados no Estado.

Na réplica, Delcídio defendeu a descentralização dos atendimentos e a criação de um cadastro único para que o paciente possa ser encaminhado regionalmente, sem sobrecarregar a estrutura de Campo Grande. Também citou o financiamento da Santa Casa e a necessidade de discutir os valores pagos pela tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).

Delcídio ainda destacou a situação de Corumbá, cidade de fronteira, e afirmou que o Estado precisa buscar um tratamento diferenciado para o atendimento de pacientes de países vizinhos.

Na tréplica, Riedel disse que um dos pontos centrais da regionalização é unificar as filas de atendimento. Segundo ele, atualmente existem 80 filas entre municípios, macrorregiões e Estado. O candidato afirmou que um projeto para unificar os sistemas está em andamento e citou ainda o financiamento estadual dos hospitais, com pagamentos superiores aos valores da tabela SUS.

Diversificação econômica - Na sequência, Riedel questionou Delcídio sobre como diversificar e verticalizar a economia de Mato Grosso do Sul. Delcídio defendeu a agregação de valor à produção estadual e afirmou que o Estado precisa avançar da produção primária para atividades industriais.

O candidato citou setores como papel e celulose, gás natural, mineração e agronegócio. Para ele, a industrialização precisa ser acompanhada de qualificação profissional para que os moradores do Estado ocupem os novos postos de trabalho.

“É muito importante a agregação de valor à nossa produção”, afirmou Delcídio, ao defender que Mato Grosso do Sul aproveite os recursos disponíveis para ampliar a industrialização.

O candidato também falou sobre o uso do gás natural boliviano e citou a possibilidade de ampliar a transformação de matérias-primas produzidas no Estado.

Na resposta, Riedel rebateu as críticas aos incentivos fiscais e afirmou que eles também beneficiam pequenas empresas. Ele associou a política de incentivos à geração de empregos e citou um saldo positivo de 120 mil postos de trabalho.

O governador também destacou a mudança no perfil econômico do Estado, citando o crescimento da indústria de transformação de proteína animal, energia renovável e da cadeia de celulose.

Delcídio retomou, na tréplica, a necessidade de qualificar a mão de obra para que os moradores de Mato Grosso do Sul possam ocupar os postos criados pelos novos investimentos. Também destacou o papel das universidades e dos institutos federais e defendeu uma economia sustentável.

Meio ambiente entra no debate após tempestades em MS - O terceiro confronto teve Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL) debatendo meio ambiente. Lucien perguntou a Trad sobre a possibilidade de extinção do Ministério do Meio Ambiente, mencionando as fortes tempestades registradas nos últimos dias e a importância do Pantanal para Mato Grosso do Sul.

Trad defendeu a manutenção da estrutura de proteção ambiental e criticou a visão de que o desenvolvimento econômico deve se sobrepor às questões ambientais. Para ele, o desenvolvimento precisa ter como pressuposto o respeito ao meio ambiente.

“Sem respeitar o meio ambiente, a médio e longo prazo, nem desenvolvimento teremos”, afirmou.

Na réplica, Lucien citou problemas de assoreamento na região de Costa Rica e os impactos sobre os rios Taquari, Coxim e Paraguai. Também falou sobre fiscalização ambiental e afirmou que o Estado precisa estar atento aos efeitos das mudanças no clima.

O candidato defendeu prioridade para a preservação ambiental e citou propostas voltadas a ribeirinhos, indígenas e pescadores artesanais. Também falou em fortalecer as brigadas de combate a incêndios no Pantanal e valorizar os servidores responsáveis pela fiscalização ambiental.

Feminicídio fecha o bloco com propostas de prevenção e proteção - O último confronto do terceiro bloco teve como tema o feminicídio. Delcídio questionou Lucien sobre as medidas que pretende adotar para prevenir os assassinatos de mulheres e qual seria sua política de segurança para enfrentar o problema.

Lucien defendeu uma política de proteção que, segundo ele, deve começar antes que a violência chegue ao extremo. Entre as propostas apresentadas, citou aluguel social para mulheres em situação de risco, ampliação das delegacias especializadas e funcionamento 24 horas das unidades, principalmente nos fins de semana.

O candidato também defendeu o uso de inteligência pela Polícia Militar para prevenir casos de violência contra a mulher.

Na resposta, Delcídio apresentou uma série de medidas para prevenção e proteção das vítimas. Entre elas estão a criação do Pelotão Maria da Penha, agentes comunitários de prevenção à violência familiar, doméstica e infantil, além do monitoramento por tornozeleira eletrônica de agressores e da distribuição de botões de pânico.

Ele também prometeu ampliar o funcionamento das delegacias de atendimento à mulher no interior e afirmou que pretende reforçar o efetivo da Polícia Civil.

Delcídio ainda relacionou o combate à violência a políticas de cultura e lazer nas periferias e defendeu o uso de inteligência policial para reduzir os casos.

Com isso, o terceiro bloco terminou concentrado em quatro grandes eixos: regionalização da saúde, diversificação e industrialização da economia, preservação ambiental e políticas de prevenção ao feminicídio. Diferentemente do início mais marcado por acusações, os candidatos também utilizaram boa parte do tempo para apresentar propostas e medidas que pretendem adotar em um eventual governo.

Habitação abre último bloco

O quarto e último bloco do debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul começou com o tema habitação e enfrentamento do déficit habitacional. Eduardo Riedel (PP) questionou Lucien Rezende (PSOL) sobre como pretende enfrentar o déficit, estimado durante o debate entre 76 mil e 78 mil unidades.

Lucien defendeu planejamento e o uso de novas tecnologias na construção de moradias. Ele citou as casas modulares como uma alternativa para acelerar as obras e reduzir impactos ambientais. O candidato também afirmou que é necessário priorizar as famílias mais vulneráveis.

Na réplica, Riedel contestou a forma como o déficit habitacional é apresentado e afirmou que, das 76 mil unidades mencionadas, cerca de 50 mil estariam relacionadas ao comprometimento da renda das famílias, e não à ausência de moradia. Ele citou ainda o bônus moradia e parcerias com o programa Minha Casa, Minha Vida como iniciativas para ampliar o acesso à habitação.

Lucien, por sua vez, defendeu um olhar voltado às famílias de baixa renda e disse que o próximo governador precisa acompanhar de perto a situação nos municípios.

Segurança pública e crime organizado - O segundo tema foi segurança pública e avanço do crime organizado. Delcídio Amaral (PRD) direcionou a pergunta a Fábio Trad (PT), que apresentou como proposta a criação de um Centro Integrado de Inteligência da Fronteira.

Trad defendeu a integração entre as polícias Militar, Civil e Penal, além da Polícia Federal, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal. A ideia, segundo ele, é compartilhar informações e identificar a estrutura financeira das organizações criminosas.

“Os recursos econômicos que fomentam o poderio delas” devem ser atingidos, afirmou o candidato, ao defender o combate às finanças das facções.

Na resposta, Riedel também apresentou propostas para a segurança e defendeu a retomada de estruturas de integração e tecnologia. Ele citou o uso de controle por satélite, drones, câmeras e sistemas digitais, além da contratação de policiais militares e civis.

O candidato também afirmou que pretende valorizar as forças de segurança e destacou o papel das polícias Militar, Civil e Penal e da perícia criminal.

Emprego e renda para jovens, mulheres e idosos - O terceiro tema foi emprego e renda, com foco em oportunidades para jovens, mulheres e pessoas com 60 anos ou mais. Fábio Trad direcionou a pergunta a Delcídio, que começou a resposta destacando políticas voltadas às mulheres e lembrou sua atuação na implantação da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande.

Sobre os idosos, Delcídio defendeu a criação de oportunidades para que pessoas com mais de 60 anos possam continuar trabalhando e participando da economia. Também falou em medidas contra fraudes financeiras e consignados.

Para os jovens, o candidato voltou a defender qualificação profissional e empregos com melhores salários. Também citou a necessidade de criar oportunidades nas cidades de fronteira para evitar que jovens deixem seus municípios ou sejam atraídos pelo crime organizado.

Delcídio mencionou ainda a proposta de criação de zonas francas em Corumbá e Ponta Porã e defendeu políticas específicas para as regiões de fronteira, envolvendo educação, saúde, segurança e trabalho.

Desenvolvimento regional fecha o debate - O último tema do debate foi desenvolvimento regional e os municípios da faixa de fronteira. Lucien questionou Riedel sobre o que foi feito nos últimos quatro anos para levar desenvolvimento às cidades fronteiriças, especialmente por meio do turismo.

Riedel citou o Centro de Inovação de Ponta Porã e a participação das universidades em projetos relacionados às regiões de fronteira. Também defendeu a integração com Paraguai, Argentina, Chile e Bolívia a partir da Rota Bioceânica.

Para o governador, a fronteira deve ser tratada como uma oportunidade econômica e social, e não apenas como um problema de segurança.

Na réplica, Lucien afirmou que ainda há falta de investimentos em cidades como Porto Murtinho, Ponta Porã e Corumbá. Ele destacou o potencial turístico e cultural desses municípios e defendeu maior atenção do Estado às cidades que fazem parte do corredor da Rota Bioceânica.

Riedel respondeu destacando obras de saneamento, habitação e infraestrutura na faixa de fronteira. Também citou a ponte sobre o Rio Paraguai e afirmou que, além da estrutura física, será necessário garantir tecnologia e agilidade nos procedimentos aduaneiros para o transporte de cargas e passageiros.

Farpas entre Trad e Riedel voltam na reta final - Além dos temas determinados, o último bloco teve pequenos embates diretos entre Fábio Trad e Eduardo Riedel. Os dois trocaram críticas sobre informações apresentadas durante o debate e sobre decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à campanha.

Riedel pediu que o adversário se concentrasse em propostas e contestou afirmações feitas por Trad. O petista, por sua vez, rebateu as críticas e voltou a questionar ações da atual gestão, antes de retomar suas propostas para segurança pública.

Na parte final, Riedel também voltou a contestar declarações de Trad ao responder à pergunta de Lucien, enquanto o petista havia feito críticas à administração estadual em confrontos anteriores.

Com o encerramento do quarto bloco, o debate percorreu temas como saúde, economia, educação, meio ambiente, habitação, segurança pública, emprego, renda e desenvolvimento regional. A programação seguiu então para as considerações finais dos quatro candidatos, encerrando o último debate televisivo antes da eleição.

 Considerações finais - Ao fim do debate, cada candidato teve dois minutos para fazer suas considerações finais. O momento foi usado para reforçar propostas, pedir votos aos eleitores e também declarar apoio aos respectivos candidatos ao Senado e aos presidenciáveis de suas alianças.

Em suas falas finais, os quatro candidatos buscaram destacar os principais pontos defendidos ao longo do debate e reforçar o pedido de voto na reta final da campanha. O espaço também serviu para que cada um apresentasse seus aliados na disputa nacional e pelo Senado, ampliando o tom eleitoral do encerramento após uma noite marcada por perguntas cronometradas, propostas e pequenos embates diretos.