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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

15/08/2014 10:10

Prefeito diz que Quinta Gospel é de Deus e pastor sugere "Quarta da Macumba"

Ângela Kempfer e Aline Araújo
Show da cantora Cassiane na noite de ontem (Foto: Marcelo Victor)Show da cantora Cassiane na noite de ontem (Foto: Marcelo Victor)

Se depender da administração municipal, não tem nem choro nem vela vermelha. A turma evangélica que assumiu a prefeitura de Campo Grande deixou claro na noite de ontem que a "Quinta Gospel" tem dono, mesmo gastando dinheiro público no pagamento de cachês e estrutura para os shows. O prefeito Gilmar Olarte subiu ao palco antes da apresentação da cantora Cassiane para defender a exclusividade do evento. “Ninguém vai tentar misturar! Ela é evangélica. É de Deus”, bradou aos 4 cantos.

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O assunto virou polêmica por algumas vezes desde que foi criado na administração passada. Primeiro, por colocar dinheiro público em evento religioso, o que não pega bem para um "estado laico", ou seja, teórica e moralmente sem qualquer relação com nenhum Deus ou credo. Depois, por vetar outros tipos de religião, como as de linha espírita. 

A diretora-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Juliana Zorzo, responsável pelo veto na semana passada à cantora de Tecnomacumba, Rita Ribeiro, também falou sobre o assunto ontem à noite. “Essa prefeitura tem posicionamento e nós não deixaremos nada mudar isso”, admitiu sobre a legião de fiéis que dominou a administração.

O coro foi engrossado pelo pastor Domício Júnior, da 1ª Igreja Batista. Ele ajudou a inflamar a plateia contra a tentativa de outras religiões, dizendo que considera um ataque o simples fato de artistas de outras doutrinas tentarem espaço na Quinta Gospel. Depois, também virou a mira para a imprensa.

“Sites e pessoas mal intencionadas estão tentando destruir o espaço que foi conquistado por alguns legisladores para o público evangélico”, disse ao lembrar da força da bancada evangélica na Câmara, que conseguiu aprovar o uso de orçamento municipal para a Quinta Gospel.

Na argumentação do pastor, “a umbanda tem a linha muito fraca. Vem desde antes de Cristo, logo não é cristã e nem evangélica, ou seja, não é gospel”, afirmou, demonstrando que a proposta de mudança na lei, para ampliar a abrangência da Quinta Gospel, também terá resistência forte.

 

Cleiton e Caludenice acham que evento deveria ser amplo. (Foto: Marcelo Victor)Cleiton e Caludenice acham que evento deveria ser amplo. (Foto: Marcelo Victor)

Incisivo, o pastor instruiu o público a não dar ouvidos à mídia e reforçou, categoricamente, que o evento financiado com dinheiro público por meio da Fundação de Cultura é e sempre será destinado apenas ao público evangélico.

“Esse foi um direito que os nossos legisladores conquistaram para a gente. Se a umbanda ou candomblé querem um dia para eles, que os legisladores deles façam o projeto da Quarta da Macumba. Agora não venham mexer no que nós conquistamos. Glória a Deus irmãos!”, terminou.

O evento na Praça do Rádio Clube não estava cheio. De chegada, antes de todos os discursos inflamados, ainda era possível encontrar pessoas com vontade de ampliar a Quinta Gospel, para envolver outras religiões.

O militar Cleiton Ferreira, de 21 anos, e a namorada Claudenice Cardoso, de 17, não consideram problema em ser um espaço para todos.

“É a opinião de cada um. Todo mundo é livre para acreditar no que quiser e a praça é um lugar de todos, então deveria ter de qualquer religião”, afirmou Cleiton.

Pastor usou a palavra para defender exclusividade da Quinta Gospel.Pastor usou a palavra para defender exclusividade da Quinta Gospel.
Pai e filho tem religiões diferentes e defendem diversidade. (Foto: Marcelo Victor)Pai e filho tem religiões diferentes e defendem diversidade. (Foto: Marcelo Victor)

A família Telles, por exemplo, dá uma aula de como é possível respeitar as diferenças religiosas, começando dentro de casa. O pai, Diógenes Telles, de 56 anos, é católico. Já o filho Júlio César, de 23, é evangélico da comunidade cristã El Shaddai. Mesmo que em diferentes caminhos, eles comungam da opinião de que não haveria problema um grupo de outra denominação religiosa, mesmo que não seja cristã, se apresentar no evento.

“Eu não conheço o trabalho dela (tecnomacumba), mas acho que no dia viria assistir quem gosta”, pontuou Júlio. Ele também lembrou do caso da banda Católica Rosa de Saron que já se apresentou na Quinta Gospel. “No dia do show deles, tinha gente que nem era convertido. Vi gente bebendo, fumando e todo mundo veio porque gosta deles.” Diógenes ensina: “É só ter respeito e tem espaço para qualquer religião se apresentar. Não tem porque proibir”.

Depois do pronunciamento do pastor e da equipe da prefeitura, passou a ser difícil falar com alguém, principalmente, por eu ser representante da mídia tão atacada no palco.

A auxiliar administrativa Patricia Paula, de 23 anos, aceitou conversar para emendar a conversa do pastor. “Se é gospel, é para o público evangélico. Não tem que misturar”. Ela estava acompanhada pelo “irmão” de igreja, Max Nogueira, de 31 anos, que tem como profissão “servo do senhor”.

Ele acredita que a solução do impasse seria criar outro dia para atender outras religiões. “Tem que abrir outro espaço, outro dia da semana, porque são culturas diferentes e se fizerem no mesmo dia, o público evangélico acaba perdendo espaço.”

E haja dinheiro público para sustentar tanto show religioso nesse tal "estado laico".




Brasil...
 
Rafael Eliziário Vieira em 17/08/2014 23:48:22
Nem quinta gospel, nem quarta da macumba! Nada com dinheiro público! Eu não pago impostos para patrocinar manifestações religiosas! Se as religiões, seitas ou seja lá o que for quiserem realizar seus eventos "rituais culturais" fora de seus templos, centros e terreiros, são livres, façam! Mostrem o que creem e são. Não sou contra nenhuma expressão pública de fé. Mas, por favor, realizem seus eventos, cultos, shows, macumbas, passes, missas com recursos próprios e não públicos... Tenho minha fé, participo de uma religião e não compactuo com tal prática. Esses eventos estão gerando preconceito e etnocentrismo religioso em nossa capital, além de ser, ao meu ver, uma forma de usar o nosso dinheiro para subsidiar reuniões de "credos privativos", beneficiando grupos seletos, escolhidos a dedo..
 
Rafael Eliziário Vieira em 17/08/2014 23:44:01
Primeiro: quem são esses pastores? Seguidores de Jesus Cristo? Será mesmo?
Engraçado, porque o MAIOR ENSINAMENTO dele foi AMAR E RESPEITAR O PRÓXIMO como a si mesmo. É o cúmulo do absurdo uma pessoa se intitulando pastor, defensor das leis de "Deus" sequer aplicar e vivenciar o maior ensinamento que o filho dele nos trouxe.
Até onde eu sei, a religião de DEUS é o AMOR, pra ele não há discórdia. O estado deveria mesmo é proibir a rixa religiosa explícita, pois isso além de AFETAR A ORDEM PÚBLICA, desmoraliza todos os seres humanos envolvidos.
Mais respeito por favor!
E prefeito OLARTE, você ENQUANTO REPRESENTANTE DO MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE, deve se CONTER em seus comentários e posturas, se não logo logo preencherá seu currículo com diversas razões para ser retirado do poder.
 
Jessica C em 15/08/2014 17:22:50
É bem propicio que a secretaria de cultura, que foi indicada pelo prefeito, compartilhe da mesma religião que ele e assine em baixo das declarações absurdas que este prefeito/pastor infeliz fez ao público.
 
maximiliano rodrigo antonio nahas em 15/08/2014 14:44:16
Com todo o respeito, é uma pena que o Prefeito Gilmar Olarte e o Pastor Marcos Grava sejam tão ignorantes! A Lei Municipal destina recursos para a realização de um projeto cultural, caso contrário, se fosse especificamente destinada aos evangélicos, seria considerada inconstitucional. Macumba, é um instrumento musical. Dito da forma que foi, é ofensivo e esse pastor pode ser processado.
Se na próxima Quinta Gospel não tiver espaço para outras denominações religiosas, em especial aos espíritas, umbandistas e candomblecistas, então só nos resta acionar o Ministério Público para exigir a inclusão, ou ainda, o cancelamento da realização do evento com a devida restituição dos recursos ao cofre público, gastos até aqui com este evento.
Que se cumpra a Constituição Federal.
 
Luiz Afonso Junot Morisson em 15/08/2014 13:43:32
Pura discriminação! Não faz sentido estigmatizar um evento desse porte com shows estritamente evangélicos, haja vista a pluralidade de crenças e cultos religiosos existentes. A "Quinta Gospel" não se trata de uma conquista da bancada evangélica em favor dos evangélicos, e sim, uma conquista da população campo grandense em prol da cultura atrelada à religião. Até porque os vereadores ditos evangélicos representam todos os cidadãos, independentemente de suas convicções religiosas, não só os evangélicos.
A negativa por parte da FUNDAC e o discurso do Prefeito Municipal servem, tão somente, para fomentar a discórdia. Lamentável.
 
Felipe Accioly em 15/08/2014 12:40:38
Isso virou uma palhaçada, o prefeito não pode impor sua religião aos cidadãos de Campo Grande bancando shows evangélicos para seus fiéis, eu sou católico e não apoio os shows evangélicos bancados com dinheiro publico do imposto que eu pago, vamos unir as demais religiões, (católicos, budistas, umbandistas, espiritismo, seicho no ie, etc) e vamos processar o prefeito por preconceito religioso, a população não pode deixar os caprichos do prefeito e de uma secretaria de cultura agraciar sua religião e diminuir as demais, ao afirmar que não poderia aceitar umbanda se misturar com evangelicos pois os evangelicos são de Deus, ele simplesmente diminuiu e condenou a umbanda por ser uma religião que ele não considera de Deus.
 
maximiliano rodrigo antonio nahas em 15/08/2014 12:19:42
O público evangélico não tem o hábito de ir a shows de músicas populares como noite da Seresta, Som da Concha ou MS canta Brasil que também são financiados com dinheiro público (cujo evangélico também é contribuinte), a idéia de shows gospels foram providenciais para este público que não quiseram colocar os cantores evangélicos no mesmo calendário de noite da seresta entre outros. A quinta gospel sempre foi um evento que acontecia dentro da primeira igreja Batista e acho que quiseram levar o evento pra praça para reunir o público evangélico de todas as denominações.
Penso que (isto é opinião minha), se o objetivo das religiões é a paz, o Vereador deveria propor uma Lei que integre isto, criando em outra data ou em outro lugar, chega de guerra.
 
Fabio Nogueira em 15/08/2014 12:17:26
Vivemos em um país que oficialmente é um Estado Laico, seguindo esse preceito é sabido que nenhum governante, seja prefeito ou presidente, pode apoiar ou discriminar qualquer religião. Infelizmente os Evangélicos apoiam, ou ao menos sua grande maioria, mas como cidadãos que têm direitos e deveres com essa cidade, devemos nos conscientizar e pensar bem sobre quem colocamos no poder, pois além de Estado Laico, nós também vivemos em um país Democrático, onde quem manda é o povo, quem decide é o povo. Seja evangélico, católico, umbandista ou kardecista, todos temos direitos. "Quarta da Macumba" é uma ofensa religiosa, de quem desconhece o que é todos os ramos do espiritismo e vindo de alguém do alto escalão, isso é mais do que uma ofensa, é um absurdo. E só para registro, sou agnóstico.
 
Gabriel Bruno em 15/08/2014 11:37:12
E haja dinheiro público para sustentar tanto show religioso...
E haja dinheiro público para fomentar o ódio e o preconceito contra quem não comunga com o dogmas e preceitos dessas seitas ditas evangélicas que se acham os escolhidos por uma divindade.
A laicidade do estado deve ser respeitada, sob pena de termos instaurado em nosso país um "talibã evangélico", onde quem não adora e bajula o deus abraâmico é simplesmente demonizado e segregado do meio social.
E haja paciência para aguentar o fanatismo, a ignorância e a intolerância dessa gente, que "zeus", ou o deus espaguete voador que circunda Marte nos salve desse "jihad" cristão.
 
Luciano Bandeira em 15/08/2014 10:34:36
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