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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

30/12/2013 08:42

Sangue frio, escândalo, máfia, CPIs e mortes no calvário do câncer

Aline dos Santos
Casa de Siufi foi alvo de operação da PF. O médico nega denúncias. (Foto: Marcos Ermínio)Casa de Siufi foi alvo de operação da PF. O médico nega denúncias. (Foto: Marcos Ermínio)
Sangue frio, escândalo, máfia, CPIs e mortes no calvário do câncer

Terça-feira, 19 de março de 2013. Campo Grande despertou a “Sangue Frio”. Nas primeiras horas da manhã - munidos com 19 mandados de busca e apreensão e quatro ordens judiciais de afastamento de funções - policiais federais foram ao Hospital do Câncer Alfredo Abrão, ao HU (Hospital Universitário) Maria Aparecida Pedrossian, à residência do médico Adalberto Abrão Siufi e à clinica NeoRad.

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Desde a data, o ano foi um desdobramento do escândalo, potencializado, principalmente, pela divulgação de escutas telefônicas revelando conchavos em que a saúde era a última das preocupações.

A primeira suspeita sobre o Hospital do Câncer foi lançada pelo MPE (Ministério Público Estadual). Na semana anterior à operação da PF (Polícia Federal), a promotora Paula Volpe havia pedido à Justiça o afastamento dos três diretores, sendo Adalberto Siufi o diretor-geral.

Conforme a denúncia, a unidade hospitalar mantinha contrato com a NeoRad, empresa cujo um dos proprietários era Siufi; cobrou por atendimento a paciente morto e remunerou parentes do diretor com altos salários.

Outro detalhe era que a Neorad recebia tabela SUS (Sistema Único de Saúde) mais 70%. Em quatro anos, foram R$ 12 milhões. No dia da operação, Siufi chegou a ser preso por porte ilegal de arma, sendo liberado após pagar fiança de R$ 30 mil.

Com as denúncias, os efeitos foram imediatos. O Conselho Curador do hospital nomeou nova diretoria e afastou o médico. No HU, José Carlos Dorsa Vieira Pontes foi afastado da direção por 60 dias, próximo à data do retorno, pediu para sair do cargo. Na unidade, foram investigadas fraudes em licitações, corrupção passiva, desvio de dinheiro público e superfaturamento em obras.

Segundo promotora, familiares querem saber sobre qualidade no atendimento. (Foto: João Garrigó/Arquivo)Segundo promotora, familiares querem saber sobre qualidade no atendimento. (Foto: João Garrigó/Arquivo)

A suspeita é de que a rede pública de atendimento ao câncer foi desmontada em privilégio do setor privado. Até hoje, a NeoRad e o Hospital do Câncer são os únicos que ofertam radioterapia pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Siufi e Dorsa negam as acusações.

Fantástico - Em 5 de maio, a divulgação das investigações no Fantástico, na Rede Globo, deu novo fôlego às denúncias. De imediato, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, veio a Campo Grande e determinou a criação de uma força-tarefa, que fez levantamento em prontuários de pacientes vivos e mortos.

Do total de 255, 40 fichas foram consideradas prioritárias: 22 de pacientes que morreram. A investigação também foi feita na Santa Casa de Campo Grande, Hospital Regional Rosa Pedrossian e Hospital Evangélico de Dourados. Em outubro, a PF (Polícia Federal) indiciou oito pessoas por participação no grupo que ficou conhecido como “Máfia do Câncer”. O inquérito corre sob sigilo e os nomes não foram divulgados.

Lembrança inconsolável - Com as denúncias, uma romaria de famílias foi ao Ministério Público Estadual em busca de informações sobre a morte de entes queridos. A dúvida é se o falecimento foi em virtude da doença ou atendimento inadequado.

A divulgação de escutas telefônicas lançou dúvida sobre a qualidade do atendimento. Numa delas, a farmacêutica Renata Burale aparece trocando remédio receitado pela médica por um mais barato, a pedido de Betina Siufi, então diretora administrativa Hospital do Câncer.

Em um dos diálogos gravados pela Polícia Federal, a farmacêutica diz: “Estou com uma prescrição aqui de um paciente do CTI, que a médica passou um antifúngico pra ele”. Betina Siufi: “É caro pra cacete esse negócio. Nem f..., desculpa o termo. Tá?”. Renata diz: “Essa doutora Camila que passa essas coisas cabulosa. Na hora que eu vi o preço, eu falei ‘Não’”.

Não quero que meu neto me pergunte se eu vi tudo isso acontecer com o pai dele e não fiz nada, diz Galbino, que chora a morte do genro. (Foto: Cleber Gellio)"Não quero que meu neto me pergunte se eu vi tudo isso acontecer com o pai dele e não fiz nada", diz Galbino, que chora a morte do genro. (Foto: Cleber Gellio)

Em 31 de julho, a CPI da Saúde, realizada pela Câmara Municipal, um dos desdobramentos das denúncias, ouviu parentes de pessoas que morreram durante o tratamento. Emocionado, o aposentado Galbino Lima, de 59 anos, relatou a perda do genro. O paciente teve câncer gástrico e era atendido no Hospital do Câncer.

Ele contou que após análise do prontuário foi constatado que o medicamento que o genro recebia era dipirona. Ainda segundo Gabino, na avaliação da força-tarefa, o tratamento foi insuficiente.

“Deixaram ele chorando de dor em uma cama e não fizeram nada”, citou Gabino. Ele se emocionou ao falar do neto, de 4 anos. “Não quero que meu neto me pergunte se eu vi tudo isso acontecer com o pai dele e não fiz nada, por isso, me coloco à disposição das investigações”.

Os holofotes – As denúncias levaram à criação de duas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito). A Câmara Municipal de Campo Grande sai na frente e abriu a investigação. Em maio em 20 de dezembro, a comissão pediu o indiciamento de Adalberto Siufi, José Carlos Dorsa, Eva Glória Siufi ( irmã de Adalberto), Blener Zan e Luiz Felipe Terrazas, os dois ex-presidente do Conselho Curador da Fundação Carmem Prudente, que administra o Hospital do Câncer.

O tema também foi apurado por uma CPI na Assembleia Legislativa, que fez um diagnóstico da Saúde em cidades de Mato Grosso do Sul.

Reação em cadeia – No dia primeiro de julho, a divulgação de escutas da operação Sangue Frio levou ao pedido de demissão da secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi. 

Na ocasião, também foi dispensado o diretor do HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian, Ronaldo Perches Queiroz. Ele ainda comandava a Funsau (Fundação de Serviços de Saúde).

Na gravação, eles combinam como responderiam ao Ministério da Saúde solicitação sobre o interesse do Estado em repasse de aceleradores lineares para tratamento de pacientes com câncer.

A estratégia era a de convencer o Inca (Instituto Nacional do Câncer) a enviar os equipamentos apenas para o HR e ao Hospital do Câncer, dirigido na época por Adalberto Siufi.

HU foi alvo de operação sobre Máfia do Câncer. (Foto: Marcos Ermínio)HU foi alvo de operação sobre Máfia do Câncer. (Foto: Marcos Ermínio)
Hospital do Câncer mantinha contrato especial com clínica de diretor. (Foto: Marcos Ermínio)Hospital do Câncer mantinha contrato especial com clínica de diretor. (Foto: Marcos Ermínio)



ISSO TUDO VAI ACABAR EM PIZZA OU EM PRISAO DOMICILIAR, ISSO É UMA VERGONHA NACIONAL.
 
FRANCISCO DA SILVA em 30/12/2013 16:43:37
Só Deus sabe o sofrimento de quem perdeu um ente querido e ainda saber que a pessoa sofreu por ser mal atendido. Isso é uma vergonha mas nada como ter fé e esperar a justiça divina por que a dos homens é meio dificil de acontecer.
 
Rosana Lemes de Moura em 30/12/2013 13:46:37
Enquanto uma quadrilha es as soltas após cometer tantos crimes contra a população nossos vereadores e boa parte da imprensa preferiram dar destaque a briguinha de interesses dos nossos politicos,deixando de lado o que realmente deveria e deve ter investigação séria.
 
walter oliveira em 30/12/2013 12:38:47
ESSE STALIN, ESSE HITLER DE CAMPO GRANDE FOI RESPONSÁVEL POR PIORAR O ESTADO DE SAÚDE DA MINHA AVÓ. POR ELE, ELA FICARIA SEM MEDICAMENTO.
ELE SEMPRE SE DIVERTIU EM DEIXAR PESSOAS COM CÂNCER MORRENDO. O DESMANDO NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DIZ TUDO. ELE LUCROU MUITO COM AQUELE CAMPO DE CONCENTRAÇÃO NA R. MARECHAL RONDON.
 
Cristiano Arruda em 30/12/2013 11:21:41
O caos na saúde só é o que é por falta de profissionalismo, humanidade por conta dos profissionais da área. Passei uma tarde na sala de recuperação da Santa Casa e a falta de humanidade dos (as) enfermeiras é um afronto à humanidade. Uma pessoa sentindo dor e eu pedi para 5 enfermeiras falar com ele e simplesmente todas ignoraram o chamado. Atendem de cara feia parece que estão fazendo favor. Para não dizer que todas são ruim, teve uma que se importava com os pacientes e disse a ela que o governo tinha que importa também enfermeiros e enfermeiras. Todos que mexem com seres humanos tinham que fazer um curso "HUMANITÁRIO". Tratar mal a um animal é inafiançável e o ser humano?
 
Placida Barros em 30/12/2013 09:37:52
Quero ver se agora todos serão presos ou não.
 
marcos silva em 30/12/2013 09:21:01
Esses bandidos disfarçados de médicos,parentes de politicos corruptos merecem todos ir para cadeia.Quantas pessoas não morreram por falta detratamento adequado?tomara que a justiça federal condenem todos.A justiça Estadual tenho minhas duvidas!Esse grupo tem muita influencia politica.
 
LUIS MARIO em 30/12/2013 09:12:32
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