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30/06/2017 06:00

Químico José Saramago

Por Adilson Roberto Gonçalves*

Duas ausências nas páginas de muitos jornais foram marcantes no domingo, 18 de junho. A morte de José Saramago completou sete anos e a falta de suas metáforas e estilo próprio não foi lembrada, mesmo em edições com notícia sobre o trágico incêndio em Portugal. A outra ausência já era esperada, uma vez que poucos comemoram o Dia do Profissional da Química, a ciência que transforma a matéria e a sociedade.

Antes designada como Dia do Químico, a data passou a abranger todos os profissionais que lidam com a ciência química, uma vez que todos são regulados pelo mesmo Conselho Profissional – o CFQ, Conselho Federal de Química, que em São Paulo é representado pelo Conselho Regional de Química da IV Região (CRQ-IV). Podemos ver nas embalagens de produtos químicos, de limpeza, cosméticos e até de alguns alimentos a menção ao profissional responsável pelo conteúdo daquele recipiente com seu registro no Conselho. Se não estiver explícito um nome e um número de CRQ, denuncie, pois é ilegal e há muitos produtos comercializados sem a devida supervisão do profissional químico habilitado.

Os conselhos existem não como órgão de classe, pois isso é atribuição dos sindicatos, e sim para proteger a população da atuação dos profissionais. Assim, há jurisdição federal e arcabouço legal para regulamentar as atribuições dos químicos, engenheiros químicos, técnicos da área e várias outras profissões correlatas. Tudo isso para que a população esteja mais segura e que haja responsáveis quando algum acidente ou mau uso dessa deliciosa ciência aconteça. A data de 18 de junho é alusão ao dia em que foi publicada a lei federal 2.800 de 1956 que estabeleceu a criação dos mencionados conselhos e mudou a regulação de engenheiros da área química e qualquer outro profissional que lide com processos e produtos químicos para o sistema CFQ/CRQ. É motivo de controvérsia, já que muitos engenheiros entendem que vale o rótulo da formação (engenharia) e não seu conteúdo (química) para o vínculo ao órgão regulador.

Mesmo o google, que lança periodicamente os doodles, ilustrações e animações alusivas a datas comemorativas, não transformou sua página de abertura para lembrar de nós, os químicos deste país. Não nos esquecemos, ainda mais com a coincidência de outras efemérides.

Saramago escreveu duas dezenas de livros, incluindo romances e livros de viagem e de memória. Há ainda os poemas agrupados em três volumes, a dramaturgia, os contos, as crônicas, os diários, os ensaios, além da produção infanto-juvenil. É um material fascinante, com o qual se deleita a cada página virada, a cada sentença lida. E isso quando são enormes as sentenças, muitas ausentes de pontuação, marca registrada do mago das palavras português.

Assim, geminianos somos muitos neste mês em que se lembra a morte do transformador das palavras José Saramago e do profissional desse apaixonante ramo do conhecimento. Será também assinalado como o da ausência da perda paterna.

*Adilson Roberto Gonçalves é químico e pesquisador na Unesp-Rio Claro.

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