A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

16/05/2013 12:59

Banda larga móvel: um serviço caro e de pouca qualidade

Por Dane Avanzi (*)

Segundo informações da UIT, União Internacional de Telecomunicações, Agência da ONU, focada na organização e padronização para a indústria de produtos de telecomunicações, a quantidade de aparelhos celulares e assinantes de serviços de telefonia móvel, cresce a uma taxa maior que a população do planeta. Outro dado interessante, é que o número de assinantes de celulares ativos, ainda este ano, superará o número de pessoas na terra, hoje estimado em 7,1 bilhões de habitantes em face de 6,8 bilhões de linhas ativas no início de 2013.

Até o final deste ano, a previsão é de que sejam ativadas mais de 2 bilhões de linhas. Destaca-se nesse cenário a Coréia do Sul, que possui 98% do serviço de banda larga móvel com velocidade de acesso igual ou maior que 10 megabits, seguida por Hong Kong e Japão, ambas com 88% do respectivo serviço ativado. Porém, o que mais chama atenção e é considerado muito significativo, é a grande desigualdade na tarifação do serviço, que chega a custar 10 vezes mais em países em desenvolvimento como o Brasil se comparado com os Estados Unidos e a Comunidade Europeia.

A UIT também aponta que a banda larga fixa é mais barata em países desenvolvidos e possui maior abrangência territorial, havendo os preços de pacotes nos últimos quatro anos despencado 82% na média mundial. Com isso, temos hoje mundialmente, somente com a internet fixa, 41% da população mundial com acesso a rede, representando cerca de 750 milhões de residências assinantes do serviço, estando o Brasil no grupo dos mais tarifados.

Embora a banda larga móvel, hoje e nos próximos anos, tenha forte tendência de crescimento mundial, acredito que o serviço de banda larga fixa possui mais vantagens que a móvel, como por exemplo, disponibilidade, confiabilidade e qualidade de conexão, e, em razão disso, acredito que aqueles que podem pagar pela banda larga móvel e fixa irão manter as duas assinaturas. A expansão territorial das redes fixa e móvel, fazem com que a Europa se torne a região com maior taxa de penetração no mundo, marcando expansão de 75% na última década, seguida das Américas, que acumulou no mesmo período 61% de avanço na ampliação das redes.

No geral, somando as duas plataformas de acesso à internet, temos hoje 39% da população mundial plugada na web, o que equivale a 2,7 bilhões de internautas. Ainda segundo a UIT, o Brasil possui quase 50% do serviço de banda larga móvel disponível aos assinantes, sendo que a maior parte das conexões está entre 2 megabits e 10 megabits. Agora com a introdução do 4G a perspectiva é que esse número evolua.

Mesmo sabendo que as realidades e demandas são diferentes e a carência de investimentos em países em desenvolvimento como o Brasil é grande, “10 vezes mais” ainda é um número que assusta bastante. Mas onde o Brasil está errando? Acredito que ao liberar as operadoras para estipular o preço que elas bem entendem, criou-se uma “carta branca” para conquistar o cliente com pacotes de serviços de baixo custo e que nem sempre entregam o serviço que foi prometido.

Que a concorrência deve ser estimulada, isso ninguém discute, desde que se preservem os índices de qualidade do serviço, bem como a taxa de penetração da rede em áreas sem atendimento, lembrando que o serviço de telefonia móvel é ferramenta de implementação de políticas públicas importantes, como educação a distância, por exemplo.

Não podemos nos esquecer de que a disparidade de tarifas, em parte, é fruto da carga tributária escorchante que afeta toda a cadeia produtiva do Brasil, desde a indústria nacional até a taxa de importação, sendo que muitos dos produtos utilizados pelas operadoras são importados, além de ICMS, FUST, FUNTEL,CFRP, TFI, TFF e PPDUR que direta e indiretamente são cobrados nas tarifas pós e pré-pagas aos brasileiros.

Como cidadãos, esperamos que as autoridades competentes fixem um preço justo, trabalhem com afinco na redução da carga tributária deste e de outros setores e encontrem um meio termo para o consumidor e a concessionárias provedoras do serviço. Mas é de extrema importância que não se deprecie a taxa de penetração em regiões rurais que precisam se desenvolver, bem como a busca de qualidade e preços mais próximos aos países desenvolvidos.

(*) Dane Avanzi é advogado, empresário do setor de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações.

O país onde tudo é obrigatório
Nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra, as regras ou são obedecidas ou não existem, por que nessas sociedades a lei não é feita para explorar ...
Universidade pública e fundos de investimento
  A universidade pública não é gratuita, mas mantida pelos recursos dos cidadãos. E por que a Constituição brasileira escolheu determinar esse tipo d...
Uma nobre atitude de cidadania e espiritualidade
A solidariedade é intrínseca à condição humana, um dever moral que vai além da dimensão religiosa, pois todos somos gregários e frágeis. A bondade é ...
Servidor público da Previdência Social
Os servidores da Previdência Social, em especial aqueles que trabalham no INSS, estão totalmente sem norte, em virtude das mudanças políticas promovi...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions