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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

02/02/2019 09:58

Caminho

Neimar Machado de Sousa*
Família guarani capturada por caçadores de índios, Jean Baptiste Debret, 1830Família guarani capturada por caçadores de índios, Jean Baptiste Debret, 1830

A nação guarani se fez transitando por muitos caminhos e o Rio Paraguai foi uma das vias de sua expansão. Assim chegaram aos locais onde seu modo de ser, teko, encontraria possibilidades de desenvolvimento, crescimento e vida. Esta dispersão durou séculos e resultou muitas vezes de fugas e expulsões.

Ao longo dos anos surgiram diversas formas de vida guarani sem perder a nidade essencial em torno do teko, seu ser, seu estado de vida, sua condição, seu estar, sua lei, seus hábitos. Um dos principais especialistas neste modo de vida no tempo colonial foi o padre Antonio Ruiz de Montoya. Em sua caminhada, os Guarani guaranizaram as terras onde pisaram, a fizeram humana e familiar. Sua vivência materializa a terra sem mal, terra que se desdobra na terra, no dia-a-dia. Seu modo de vida é moderado e sem depredação.

No entanto, seus territórios foram alvo da cobiça individual e empresarial por ser serem terras férteis. Os usurpadores depredam e vivem como se não houvesse amanhã. Tratam de obter o maior lucro no menor tempo possível sem se preocupar com as consequências ambientais da derrubada das matas e empobrecimento do solo.

A cultura guarani e as culturas indígenas têm muitos ensinamentos valiosos para as sociedades não-indígenas, mas ainda assim vivem um mundo de violência e abandono em seus direitos humanos essenciais. Trilham ainda seu caminho, buscando justiça, sem saber até quando.

FONTES: MELIÁ, Bartomeu. Caminho Guarani. 2016. Prefácio. Adaptação.

* Doutor em educação pela UFSCar, é professor da Faculdade Intercultural Indígena da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados)

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