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Dia Mundial de Combate a Lesões por Esforços Repetitivos

Por Sergio Ricardo Thomaz (*) | 01/03/2024 09:30

Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) passou a ser considerado um problema de saúde pública mundial nos anos 2000, quando foi criado o Dia Mundial de Combate à LER/DORT observado em 28 de fevereiro.

A criação desta importante data objetiva conscientizar a população e chamar a atenção das autoridades sobre os riscos desse problema ocupacional e promover medidas de prevenção e tratamento contra às LER/DORT.

Dados do Ministério da Saúde (2019) no Brasil desta doença, que afeta a qualidade de vida do trabalhador, sua produtividade laboral, seu comprometimento profissional e sua vida financeira, reflete um desafio significativo para a saúde ocupacional no país.

Estudos indicam que as LER/DORT é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil afetando trabalhadores de diferentes setores. Segundo levantamento deste órgão, 67.599 casos foram registrados entre os trabalhadores do país de 2007 a 2016, sendo que o total de notificações cresceu 184%.

Mas afinal, o que é a LER/DORT? O termo DORT foi introduzido para substituir a sigla LER, pois estes distúrbios osteomusculares podem ser causados pela sobrecarga muscular, por movimentos repetitivos e por posturas inadequadas relacionadas à ocupação, isto é, quando a condição de trabalho é desfavorável, o corpo humano é afetado.

No Brasil, os distúrbios mais frequentes são as cervicalgias e lombalgias (dor na região cervical e lombar), as tendinites ou tenossinovites (principalmente no ombro, cotovelo e punho) e as mialgias (dores musculares) em diversos locais do corpo.

Sintomas como dor localizada, dificuldade de movimentação, fraqueza, cansaço, peso, dormência, formigamento, sensação de diminuição, perda ou aumento de temperatura e sensibilidade, redução na amplitude do movimento, dificuldades para o uso dos membros, particularmente das mãos, são comuns nestes casos e é fundamental buscar auxílio médico e tratamento no início dos sintomas.

Mas, afinal como podemos preveni-la? Para isso, algumas medidas devem ser tomadas no ambiente de trabalho e no dia a dia como:

1. Os locais de trabalho devem ser projetados de forma ergonômica para reduzir o esforço físico excessivo como, por exemplo, introduzir apoios ergonômicos para os punhos e pés durante a utilização do computador e manter o monitor na altura dos olhos durante as atividades laborais.

2. Promover pausas regulares a cada 60 minutos e alternância de tarefas para reduzir a sobrecarga repetitiva em músculos e articulações.

3. Educar os trabalhadores sobre práticas seguras de trabalho, posturas corretas e técnicas de levantamento de pesos adequados.

4. Utilizar ferramentas e equipamentos ergonômicos como cintas e outros acessórios de proteção durante tarefas que exijam esforço físico, pois ajudam a reduzi-lo e a minimizar o risco de lesões.

5. Realizar avaliações regulares dos riscos ergonômicos nos locais de trabalho e implementar medidas corretivas quando necessário.

6. Incentivar um estilo de vida saudável, incluindo exercícios regulares, alimentação balanceada e boas práticas de sono visando fortalecer o corpo e reduzir o risco de lesões.

7. E o mais importante, a intervenção precoce, pois reconhecer os sinais de LER/DORT e intervir rapidamente com medidas preventivas e tratamentos adequados pode evitar complicações e incapacidades a longo prazo.

Enfim, abordar efetivamente estes distúrbios requer uma abordagem multissetorial e multiprofissional visando implementar medidas preventivas e programas de saúde ocupacional.

E, apesar do aumento significativo na conscientização sobre os riscos das LER/DORT, dos avanços tecnológicos que tem contribuído para reduzir a carga de trabalho físico repetitivo, do Brasil possuir legislação específica relacionada à saúde e segurança ocupacional como, dentre outras, a Norma Regulamentadora 17 (NR-17) que trata da ergonomia no ambiente de trabalho e estabelece diretrizes para a organização do trabalho visando à prevenção de LER/DORT, infelizmente, nem todos os trabalhadores têm acesso adequado a serviços de saúde ocupacional e tratamento especializado para LER/DORT, o que pode dificultar a prevenção e o manejo dessas condições.

Portanto, embora tenha havido progressos significativos, o combate às LER/DORT continua sendo um desafio contínuo que exige esforços coordenados de diversos setores, incluindo governos, empregadores, profissionais de saúde, principalmente os médicos de trabalho e fisioterapeutas, e trabalhadores.

Enfim, a pesquisa contínua, a educação e a implementação efetiva de medidas preventivas são essenciais para enfrentar esses problemas de saúde ocupacional.

(*) Sergio Ricardo Thomaz é professor do curso de Fisioterapia no campus da Faculdade de Ceilândia na Universidade de Brasília.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.

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