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07/12/2013 08:52

Natal sem hipocrisia

Por Marcos Luiz Garcia (*)

Aproxima-se o Natal. Outrora se dizia Santo Natal, mas hoje chamar o Natal de santo é propriamente um disparate, pois se tornou sinônimo de boas vendas, luzes frias e sem sentido que enchem as ruas e os shoppings. Balconistas esboçam sorrisos interesseiros para conquistar clientes. O grande astro é Papai Noel, o marqueteiro ateu.

Os brinquedos já não são inocentes nem maravilhosos, mas reproduzem amiúde seres horríveis da TV ou do cinema. As pessoas viajam, se largam e se desabotoam nos ambientes que costumam frequentar. Come-se demais, bebe-se demais, veste-se de menos, relaxam-se os costumes e as maneiras.

Nada de sobrenatural, nada de elevado, nada de piedade autêntica. Excessos se sucedem nos dias de comemoração antecedendo a frustração da volta para casa. Busca-se em tudo o maior prazer, mas não se encontra. Uma sensação de frustração invade o espírito. Logo depois de regressar ao lar vêm as consultas para sair da depressão. Por quê?

Sobretudo porque Aquele que é a razão mesma do Natal ficou esquecido. Para essas pessoas, a presença de Deus em nada lhes é sensível, pois se encontra completamente alheia aos festejos. Aliás, são os mal educados, para não dizer hipócritas, que comemoram a data do nascimento sem dar a menor importância ao aniversariante.

Há os que sabem comemorar com a conveniência devida a grande festa natalina. Recolhidos e cheios de gratidão pela vinda do Messias, contemplam o Menino Jesus, Verbo de Deus encarnado, que dorme numa manjedoura sob os olhares vigilantes de Nossa Senhora e São José. E se lembram de agradecer o bem infinito da Redenção.

Recordam-se eles que a redenção do homem do pecado original representa a maior prova de misericórdia que Deus pôde demonstrar por suas criaturas, e, por isso sentem-se felizes por pertencer a esse Deus infinitamente bom, a Quem eles procuram expressar a sua profunda união. Rezam e meditam.

Sim. Mas também comem e bebem com equilíbrio, comportam-se como pessoas nas quais a alma predomina e rege todos os seus atos, pois a virtude da temperança as mantém nos devidos limites de tudo quanto fazem. No fim dos festejos elas não se sentem frustradas, mas felizes; não se sentem desarranjadas, mas ordenadas; não se sentem tristes, mas alegres.

Celebram o Santo Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, e, pelo favor de sua santa Mãe e de São José, recebem graças que as aproximam ainda mais do seu Criador que veio ao mundo para redimi-las. Esse é um Natal sem hipocrisia, cheio de autêntico amor, de união e de verdadeira paz.

(*) Marcos Luiz Garcia é escritor e colaborador da ABIM.

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