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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

29/09/2015 16:32

O governo economizou com a greve do INSS

Por Jânio Batista de Macedo (*)

Faça as contas. Quase três meses de greve no INSS. O Governo Federal levou as negociações como diz minha mãe “no banho Maria” Sabe por que caro leitor?A greve no INSS, que começou no início de julho e acabou na segunda-feira (28) proporcionou ao Governo Federal uma economia de R$ 2,6 bilhões com benefícios que deixaram de ser pagos e de quebra ajudou a equipe econômica a conter o crescimento das despesas obrigatórias. E mole...?

Essa estimativa consta do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, documento do Ministério do Planejamento divulgado no último dia 22 com previsões sobre o Orçamento de 2015. No documento, o governo reduziu de R$ 438,8 bilhões para R$ 436,2 bilhões a projeção de pagamento de benefícios da Previdência neste ano. (Economia Ig)
Estava lendo o site Economia Ig, lá nos informa que de acordo com o Planejamento, a greve dos servidores do INSS foi a principal responsável pela queda nos gastos do Governo Federal.. A variação observada nessa projeção deve-se, sobretudo, à atualização dos dados realizados até o mês de Julho, considerando ainda o impacto da paralisação dos servidores do INSS.

Quem sofreu com a greve foram os beneficiários que precisavam receber os seus benefícios. A greve não interrompeu o pagamento dos benefícios de que já vinha recebendo, mas diminuiu a concessão de novos benefícios.

A corda arrebenta no lado mais fraco que são os contribuinte do INSS. Por que aeconomia com os benefícios não pagos aos novos beneficiários da Previdência ajudou o governo a segurar as despesas obrigatórias, que não podem ser cortadas. Segundo o Relatório de Receitas e Despesas, a estimativa de gastos obrigatórios para 2015 ficou praticamente estável, com queda de R$ 11,2 milhões em relação ao documento anterior, divulgado em Julho. O que o governo economizou com os benefícios da Previdência foi absorvido com o crescimento nos gastos de outros benefícios, como o seguro desemprego e o abono salarial, cuja projeção passou de R$ 45,8 bilhões para R$ 48,5 bilhões – crescimento de R$ 2,7 bilhões – por causa do aumento do desemprego.

Quem conseguiu dar entrada no processo, antes ou durante a paralisação, e tiver o pedido aprovado pelo INSS, receberá o benefício retroativo ao dia do primeiro agendamento. No entanto, quem não conseguiu fazer o primeiro agendamento durante a greve, não terá esse direito. Para essa parcela, a greve fez o governo adiar o pagamento da primeira aposentadoria ou pensão por quase três meses, economizando o dinheiro.

A volta dos servidores ao trabalho não significou o fim da “economia” para o governo. Com os médicos peritos do INSS parados desde o dia quatro de setembro, sem data para voltar, a concessão e a renovação do auxílio-doença ficam interrompidas. Enquanto governo e médicos peritos não chegam a uma solução, o governo continuará economizando à custa de quem espera o auxílio-doença. O saldo dessa greve será a desgraça do contribuinte que tanto precisa do beneficio. Recorrer a quem? Para quem acredita só Deus na causa.

(*) Professor Jânio Batista de Macedo, coordenador estadual do SINDNAPI MS (www.sindnapi.org.br)

 

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