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Campo Grande, Domingo, 19 de Agosto de 2018

10/08/2018 06:51

O que pensam os candidatos?

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

A inflação tem causado danos e é explicada como sendo o aumento contínuo dos preços. Alguns economistas preferem defini-la como sendo a consequência de um aumento no suprimento de dinheiro (expansão monetária) e isso acontece quando o governo emite dinheiro para atender a seus compromissos sempre crescentes. Ou o governo toma dinheiro no mercado financeiro para pagar seus compromissos e constitui dívida soberana, ou os bancos criam dinheiro através do crédito fracionado, isto é, os depósitos dos clientes são multiplicados para conceder empréstimos.

Analisando os números das contas públicas do Brasil, o economista Clovis Panzarini já afirmava em 2016 que “Por longo período, a voracidade da despesa foi alimentada por sucessivos aumentos da carga tributária e pela contratação de novos empréstimos. Como resultado, a carga tributária equivale a 35% do PIB e a trajetória da relação dívida/PIB aponta para uma situação insustentável, já alcançando 67,5%”.

A classe política acha que o Estado é ela própria e jamais se pergunta o que tem feito de bom para o país. Se perguntasse, teria de ver o horror de sua atuação. Em 2018, a dívida bruta está se aproximando dos R$ 5 trilhões, correspondendo a 75% do PIB. Não dá para elevar mais a carga tributária, mas a classe política continua fantasiando enquanto o país foi sofrendo perdas na indústria e no preparo das novas gerações, e se encontra em rota visivelmente decadente.

Há muita discussão e pouca compreensão do que se passa no Brasil e no mundo. Expandir o consumo com o aumento de importados e crédito sempre cria problemas, pois, com isso, se transfere para fora a produção e empregos, com consequências sobre a capacitação da mão de obra. O PIB tende a estagnar. Com a automação em andamento, a situação dos empregos tende a piorar. Para que haja consumo é preciso ter renda. Isso está se passando no Brasil e também nos EUA com déficit comercial de longa data, apesar deles terem o dólar. O Brasil tem permanecido atrasado na educação e na melhora da renda.

Os acordos comerciais são essenciais, mas têm de produzir melhoras no nível técnico e produtividade, sem acarretar déficits e endividamento. As redes de varejão, oferecendo produtos de segunda linha, demonstram que elas vêm ao encontro de consumidores que estão perdendo poder aquisitivo. O que os candidatos propõem para corrigir as distorções que atrasam o Brasil?

O crescimento do PIB da China continua atingindo as previsões, ensejando a melhoras nas condições gerais de vida, mas surgirão incertezas caso haja recrudescimento da guerra comercial. Em vista disso, surgem diversas comparações entre o imobilismo econômico do Ocidente e as arrojadas transformações postas em prática na Ásia, visando uma ordem econômica calcada no aumento de produção e redução de custos para atender ao mercado externo, e oferecendo melhoras ao vasto contingente de trabalhadores empregados.

A economia mundial vive um momento de inquietude. Após o término da guerra fria, o livre mercado seguiu a tendência de maximizar os ganhos enquanto surgia o capitalismo de estado visando grandes quantidades para baixar os preços. No embate, a produção industrial do livre mercado perdeu terreno, reduzindo as oportunidades e a qualidade dos empregos. É preciso resolver essa dramática questão dando oportunidades aos talentos das novas gerações de forma produtiva. Então, o que poderia fazer o Ocidente? Alguns teóricos chegam a sugerir o caminho extremo de unificar o comando como meio para obter melhores resultados na economia e na preservação do meio ambiente.

Frequentemente ouve-se falar em governo mundial. Como ele seria? Com quase oito bilhões de habitantes, tendendo a crescer 30%, as dificuldades de controle mundial aumentam. Muitos estudiosos julgam que terá de ser imposta uma disciplina rígida sobre o comportamento das pessoas, o que significaria a perda da liberdade de decidir sobre a própria vida. Mas, sob o uso da força física e psicológica, a sociedade sempre será como estopim aceso prestes a explodir. Sem o desenvolvimento da verdadeira consciência, a decadência é inevitável.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. 

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