Bancário aposentado de 83 anos perde R$ 393 mil com golpe do falso gerente
Dois dias antes, ele havia ido até a agência para tentar a liberação de um investimento
Um aposentado de 83 anos perdeu R$ 393,9 mil com o golpe do falso gerente em dezembro do ano passado em Campo Grande. No dia 4 daquele mês, ele recebeu uma ligação de um homem fingindo ser gerente do Banco Bradesco, onde mantém conta corrente há anos. Curiosamente, dois dias antes, ele havia ido até a agência para tentar a liberação de um investimento, mas foi informado que o serviço não poderia ser feito imediatamente devido a trâmites burocráticos que levariam cerca de dois dias para serem realizados.
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Um aposentado de 83 anos foi vítima de golpe em Campo Grande, perdendo R$ 393,9 mil após receber ligação de um falso gerente do Banco Bradesco. O golpista, que conseguiu simular o número telefônico e nome do verdadeiro gerente, convenceu o idoso a realizar duas transferências sob o pretexto de cancelar supostas transações indevidas. A filha da vítima também foi enganada, transferindo R$ 30 mil adicionais. A fraude só foi descoberta quando o golpista solicitou informações sobre vestimentas e veículo que usariam para ir à agência. O banco, previamente ciente de golpes similares envolvendo espelhamento de números telefônicos, foi acionado judicialmente para restituição dos valores.
Ao receber a ligação, o nome e o número que apareciam na tela eram efetivamente do gerente da agência, entretanto, um golpista simulava ser o gestor bancário, conforme consta na petição do processo que ele ajuizou para tentar reaver os valores.
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“Como a ligação havia partido de um número identificado como sendo do Banco Bradesco (...) e o interlocutor ter se apresentado com o nome do seu gerente, inclusive sabendo as informações da sua conta bancária (dados e saldo disponível), o autor, que já aguardava uma ligação do mesmo, acreditou estar conversando, realmente, com o funcionário do banco que lhe atendera na agência dois dias antes.”
O telefonema durou mais de uma hora, período em que, simulando ter havido transferência indevida em sua conta corrente, o golpista conseguiu que o idoso lhe fizesse dois repasses financeiros, sendo um de R$ 299,9 mil e outro de R$ 94 mil. O aposentado, conforme o advogado Fabrício Felini, estava “convicto de que o interlocutor era, de fato, o seu gerente, no intuito de cancelar/evitar as supostas transações, passou a seguir as orientações lhe repassadas pelo telefone”.
Assim que sua filha chegou em casa, ela também foi enganada e acabou fazendo uma transferência de R$ 30 mil ao golpista. Eles só perceberam que poderia se tratar de um golpe quando, do outro lado da linha, o homem pediu para que eles se dirigissem à agência e perguntou que roupas eles usavam e em que carro chegariam. Desconfiada, a filha desligou o telefone.
Assim que desligou, o idoso acessou o aplicativo do banco e viu que as duas transferências tinham sido realizadas da sua conta bancária. “Além disso, um empréstimo pessoal também havia sido solicitado em seu nome, à sua revelia, mas o correspondente valor não fora disponibilizado, já que a liberação do montante ficou condicionada à análise de crédito.”
Junto com a filha, o aposentado foi então até a agência falar diretamente com o gerente, que lhe informou que ele havia caído em um golpe e ainda lhe disse que “já era do conhecimento da instituição financeira que falsários estariam “espelhando” o número do seu celular e, se passando por ele, aplicado golpes em clientes”.
Depois disso, ele tentou diretamente com a agência ter o valor restituído ou ao menos que lhe apresentassem alguma ajuda e solução, mas sem sucesso, ele buscou o Poder Judiciário. Felini chegou a notificar o banco extrajudicialmente, mas não houve retorno, segundo ele. “Os dados do meu cliente saíram do banco, logo, este é responsável pelos danos”, afirmou o defensor.
Procurado, o Banco Bradesco informou que "por questão de sigilo bancário, o banco não comenta ações judiciais".
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