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Paz em vez de guerras

Por Isaac Roitman (*) | 26/02/2024 09:00

A paz e as guerras são temas de depoimentos, reflexões e manifestações artísticas, desde os primórdios da civilização humana. O escritor russo Liev Tostói escreveu o romance histórico Guerra e Paz onde narra a história da Rússia à época de Napoleão Bonaparte.

O mesmo título foi dado para os painéis de Candido Portinari, que hoje estão expostos na Organizações das Nações Unidas, permitindo que os líderes mundiais que por lá passam de visualizar as terríveis consequências da guerra e o sonho universal pela paz.

As guerras são conflitos armados que acontecem por diferentes motivos, como desentendimentos religiosos, interesses políticos e econômicos, disputas territoriais, rivalidades étnicas, entre outras razões. Os horrores cometidos nas guerras, principalmente nas duas guerras mundiais, levaram a humanidade a sancionar termos para impor limites na ação humana durantes os conflitos armados.

Assim, na quarta convenção de Genebra, realizada em 1949, foram decididos termos para que prisioneiros de guerra, civis, profissionais da saúde, soldados feridos, entre outros, fossem protegidos e tratados dignamente. No entanto, nem tudo que está no papel faz parte da realidade. Civis inocentes, israelenses e palestinos, são vítimas dos recentes conflitos no Oriente Médio. Da mesma forma no conflito da Rússia e Ucrânia.

Uma pergunta emerge: o emprego de meios não violentos na solução de litígios seria possível? Importantes lideres pacifistas, como Mahatma Gandi, Martin Luther King e Nelson Mandela, defenderam a libertação de seus povos através de métodos não violentos. Aparentemente esta estratégia não funciona.

Foi o que aconteceu na política de genocídio étnico durante as guerras civis da Bósnia e de Ruanda. Diante do fracasso de negociações diplomáticas, a solução foi obtida mediante a intervenção de forças internacionais, compostas, não por bandeiras brancas, mas por homens fortemente armados.

Uma dimensão importante nas reflexões sobre as guerras é a que as indústrias de armas são extremamente lucrativas. Desde o início da guerra na Ucrânia, as principais empresas de armas dos EUA superaram os índices de Wall Street.

Presumo que os empresários e oportunistas nesse ramo industrial tenham poucos princípios éticos na formação de suas personalidades. Provavelmente e infelizmente, conflitos armados são planejados para alimentar as indústrias de armamentos.

Mais uma pergunta emerge: será possível que a sociedade humana tenha uma paz permanente? Uma virtuosa reflexão deve ser feita baseada nas ideias de Immanuel Kant. Esse filosofo alemão propôs no seu Projeto para a Paz Perpétua a implantação de uma legislação que legitimasse a razão e moral como a bússola das condutas humanas a nível internacional.

Em 1973 o Papa Paulo VI afirmou que uma paz absoluta e definitiva entre os homens pode ser um sonho. No entanto, essa busca pela paz essencial deve ser um dever consciente para garantir nosso futuro.

Cada um de nós tem um papel importante para conquistar uma paz permanente. Vamos ouvir e seguir as ideias e ações de pacifistas contemporâneos. Entre eles e elas, Malala Yousafzai, Papa Francisco, Denis Mukwege e Beatrice Fihn. Vamos amar e sorrir, armas da paz, e lembrar o notável pensamento da Madre Teresa de Calcutá: “A paz começa com um sorriso”. Oxalá que a palavra guerra não seja usada pelas próximas gerações a não ser em registros históricos tristes da humanidade.

(*) Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília e membro titular de Academia Brasileira de Ciências.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros

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