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Campo Grande, Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

03/06/2018 10:26

Por que nos atingimos tanto com que falam ou pensam de nós?

*Por Gabrielly Rezende

Durante uma sessão de terapia, essa interrogação foi levantada para mim e, desde então, não consigo parar de pensar nesta pergunta e acho que ela é válida para fazermos uma reflexão de nossos valores e conceitos.

Pelo menos uma vez na vida, você também já se sentiu mal com um comentário ou ficou machucado com uma ofensa. Você, provavelmente, já chorou quando alguém desaprovou um trabalho ou não foi reconhecido pelo seu esforço em uma atividade. Possivelmente, você já mudou de estilo ou de personalidade para agradar um familiar ou para fazer parte do bando, etc... E, toda vez que somos atingidos pelo que vem de fora, nos sentimos mal. Nós sentimos medo. Nós sentimos tristeza. Nós temos, inclusive, a sensação de invisibilidade ou de inutilidade.

Podemos sentir medo, tristeza, melancolia, raiva ou irritabilidade, mas como lidar com esses sentimentos é o grande X da questão.

Desenvolvendo a ideia...

Digamos que você fez uma pesquisa para um trabalho de escola. Você passou dias empenhado nessa tarefa e deu o seu melhor para que tudo ficasse bonito, bem feito e para que o professor percebesse seu interesse. Dias depois, recebe uma nota baixa e o professor diz que você é indolente, preguiçoso. Obviamente, você ficará ressentido e muito magoado. Aliás, poderá absorver essas criticas e acreditar que é, de fato, o pior aluno da classe. Por que, mesmo sabendo que houve intensa dedicação e afinco com a tal pesquisa, você se conforma com palavras do professor?

Essa situação é apenas um pequeno exemplo, porém somos bombardeados com criticas e pré-julgamentos que nos trazem uma aflição enorme em várias áreas da vida.

Certamente, somos seres sociais que dependem de interações e laços para própria sobrevivência. Como observava Aristóteles, há muitos e muitos e muitos anos atrás, basicamente, temos a tendência natural de formar grupos sociais: nós nos unimos e formamos famílias, famílias formam vilarejos, vilarejos formam cidades, e assim por diante. E, talvez, seja essa inclinação inerente de assentar unidades sociais que faz com que nos importemos com a opinião do próximo, afinal sentir-se deslocado dentro da própria comunidade não é tão agradável.

Podemos analisar esse problema de outra forma, por exemplo, como apontava, resumidamente, o filosofo inglês John Locke: nós nascemos como uma folha em branco, uma “tábula rasa” e, à medida que vivenciamos experiências, podemos adquirir conhecimento do mundo. Que os nossos sentidos proporcionam o conhecimento, e aí o entendimento (a mente) imprimi um “acabamento” final. Em suma, tudo aquilo que somos e que compreendemos vem do exterior, não é inato.

E todos querem uma “folha” bem escrita, quase perfeita e repleta de belas colocações.

Por sermos naturalmente sociais e também por sermos esculpidos através de tudo aquilo que é externo, é muito plausível que haja uma espécie de “expectativa social” na nossa casa, trabalho, escola, etc. E, quando não correspondemos com essas promessas, somos impactados com as condenações, com os insultos, os comentários levianos.

Então, pergunto novamente, por que nos atingimos tanto com o que dizem ou pensam sobre nós?

Ou melhor, por que eu me abalo tanto com que falam ou pensam sobre mim?

Não é o outro que me atinge porque, na verdade, eu sou quem me sinto ferido com o que ele/ela disse, fez....

Por que eu me incomodo tanto quando me dizem que sou imprestável mesmo sabendo que não é verdade? Por que eu me aborreço tanto quando dizem que sou anormal, mesmo sabendo que a diversidade é essencial? Por que eu me entristeço quando tomam uma decisão injusta, na minha opinião, apesar de ter a consciência de que cada um tem autonomia sobre sua própria vida?

Por que estou permitindo que as pessoas escrevam na minha “folha em branco” quando, na verdade, sou eu que devo sistematiza-la a partir do que é extrínseco a mim?

Acredito que a fonte de todas essas perguntas seja proveniente do meu próprio eu, e não do outro, por meio de uma autoanalise. Afinal de contas, eu não posso escrever na folha em branco do próximo ou enquadra-lo em um determinado grupo, ou tentar muda-lo, transforma-lo segundo os meus medos, inseguranças e dúvidas.

Além disso, uma das respostas para todas as perguntas acima, pode ser o autoconhecimento, a vontade de lidar com as contradições humanas e de equilibrar nossos sentimentos e regular os nossos comportamentos. Ademais, criar uma fronteira entre aquilo que me pertence, que me cabe e me define daquilo não me diz respeito, não me serve, é fundamental para uma vida mais tranquila, serena.

Vale ressaltar que esse limite é construído com o tempo porque muitas fissuras aparecem, muitas rachaduras precisam ser remendadas. E ouso dizer que é exatamente isso que deixa essa técnica de separar aquilo que me faz bem e que me faz mal, aquilo que realmente sou e o que querem que eu seja, mais interessante.

Para finalizar: acho mais proveitoso, agora, elaborar “filtros” sociais e emocionais para tentar me ferir menos. Acho mais digno me importar com assuntos mais graves do que com o que pensam ou acham de mim.

Talvez eu ou você devesse confiar mais nas potencialidades, nos talentos e nas qualidades que todos nós temos. Talvez eu ou você pudesse construir o devido ego, a devida individualidade através da autorreflexão, de parar e pensar como nós gastamos energia sofrendo com o que dizem...

Pense nisso também.

*Gabrielly Rezende é colaborador do blog obvious - obviousmag.org

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