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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

05/06/2018 13:10

Quem manda no Brasil?

Por Heitor Freire (*)

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. (Constituição da República Federativa do Brasil).

A Teoria da Divisão de Poderes, também conhecida como Sistema de Freios e Contrapesos, foi consagrada pelo pensador francês Montesquieu (Charles-Louis de Secondat) na obra O Espírito das Leis, baseado nas obras Política, do filósofo Aristóteles, e Segundo Tratado do Governo Civil, de John Locke.

Assim escreveu Montesquieu: “Para melhor compreensão desta obra é preciso observar que o que denomino virtude na república é o amor à pátria, isto é, o amor à igualdade. Não é, em absoluto, virtude moral, nem virtude cristã, e sim virtude política; é a mola que faz mover o governo republicano, assim como a honra é a mola que faz mover o governo na monarquia” .

Como o ideal que inspirou Montesquieu em sua obra está distante da realidade brasileira! O que vemos hoje em nosso país é uma contradição que cria uma distância abissal entre o ideal e a realidade.

Embora os poderes sejam aparentemente independentes e autônomos, uma característica os une de forma umbilical: a subserviência total ao verdadeiro e único poder que tudo domina, o poder econômico.

O presidente, os membros do poder legislativo e os membros do poder judiciário (com algumas exceções), “paus mandados”, são instrumentos dos verdadeiros donos do poder.

O poder exercido hoje no Brasil é invisível aos olhos, mas percebido claramente nas entrelinhas do exercício desse poder.

O jornal Le Monde Diplomatique esmiúça a crise no Brasil com grande poder de síntese e conhecimento da realidade brasileira. Traça uma análise que, pelo valor de seu conteúdo, reproduzo in totum:

“De fato, trata-se de uma sofisticada análise das forças que governam a política do país e que bem poderia ter por título ‘O poder invisível e seu exercício’. Eis, em 13 itens, essa precisa anatomia:

1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais.

2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.

3 – O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.

4 – Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.

5 – Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos. Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro.

6 – O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com sua conveniência.

7 – Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo, responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura.

8 – O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros.

9 – Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa: eles querem, na conjuntura atual, a reforma na Previdência, o fim das leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário, os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e o alívio dos tributos para os mais ricos.

10 – Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país.

11 – Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir também de maneira estratégica.

12 – A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois.

13 – Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso, estão no poder."

Pois é, mas tem um provérbio português que diz o seguinte: “Esperteza, quando é muita, vira bicho, e come o dono”. E é o que vai acontecer com esses “espertos”, mais cedo ou mais tarde. Todos colherão o que plantaram. É a lei.

Pelo que se vê, estamos chegando ao caos. O que não deixa de ser uma coisa boa. Como alguns sabem, no princípio era o caos, e do caos nasce a luz. A esperança brilha mais que nunca.

(*) Heitor Rodrigues Freire, é corretor de imóveis e advogado.

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