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Campo Grande, Terça-feira, 28 de Março de 2017

20/05/2015 14:25

Se Cristo estivesse entre nós, ele seria cristão? Acho que não...

Por Marco Asa (*)

Muito se fala em cristianismo, em Deus, mas, sinceramente, você acha que, se voltasse à Terra hoje, Jesus Cristo seria cristão? Eu tenho quase a certeza que não! Pense bem:

- Jesus foi condenado à morte, executado na “cadeira elétrica” da época, que era a crucificação. Essa pena era dedica apenas aos bandidos mais perigosos, sendo que Jesus foi condenado pelo povo, que escolheu soltar o ladrão Barrabás e deixar Jesus definhando, pregado na cruz.

Hoje, muitos cristãos “batem no peito” em redes sociais defendendo a pena de morte, defendendo a família e querendo eliminar da face da terra os malfeitores, agindo como deuses, tirando a vida. Muitos vão dizer: “você está comparando Jesus com um bandido?”. Eu respondo com outra pergunta: o povo da época soube diferencia Jesus de um bandido? E, quem garante que o erro não aconteceria hoje, de novo? Quantos “Jesus” teríamos que matar em vão?

- Muitas igrejas pregam a “teoria da prosperidade”, onde Deus se alegra com a ostentação, com demonstrações extremas de posses e “disputa” entre quem é o cristão mais poderoso. Mas, Jesus Cristo não pregou a humildade? Ele mesmo não era exemplo disso, sem posses, sempre junto dos mais humildes? Na verdade, a Bíblia é sempre usada em partes. Somente as partes que interessam os gananciosos, os preconceituosos e os oportunistas é que são utilizadas...e distorcidas.

- Falando em preconceito, Jesus ficaria horrorizado com a perseguição dos que se dizem seus seguidores para com os gays, pobres e outras minorias. Tem cristão pregando o extermínio ou a cura dos homossexuais. Ora bolas, Jesus não pregou o “amor ao próximo”. Isso quer dizer, você tem que amar a todos, sem distinguir sua classe social, crença e gênero sexual (sim, gênero, pois ninguém OPTA por ser uma coisa que resulta em perseguição). Jesus mesmo deu o exemplo, protegendo uma prostituta do apedrejamento e desafiando: “Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra”. Pois bem! Tem tanto pecador apedrejando os outros em rede nacional de televisão.

- Jesus se revoltou e “armou o barraco” na frente de um tempo que lucrava em nome de Deus, dos chamados “vendeiros do templo”. Se Ele voltasse hoje, ficaria mais nervoso que o “Hulk” ao assistir programas de TV religiosos insistindo em pagamento de dízimo em boleto bancário ou cartão de crédito. Se Jesus assistisse o Fantástico, da Rede Globo, na edição de ontem (17) então, chutaria a televisão de raiva. Usar a igreja para pegar cheques em branco de gente com interesse em cargos e benesses públicos, trocar com agiotas e ainda dizer, em gravação, que é “blindado por Deus” seria demais para Jesus.

Aliás, essa história de usar Deus pra tudo é dúbia. Para muitos, o demônio é um deus. Sim, Belzebu, capeta ou qualquer apelido do tinhoso. Você pode estar adorando ao demônio disfarçado de Deus. Este gosta de dinheiro acima de tudo e todos, gosta de poder, de ostentação e de enganar aos outros.

Temos que tomar cuidado com tudo na vida, inclusive com a religião. Afinal, o Deus de paz, de humildade, de amor, de Jesus Cristo, pode não ser o deus de muitas igrejas por aí. Pense nisso...

(*) Marco Asa, ou Marco Antônio dos Santos Araújo, é jornalista, publicitário e escritor. Autor do livro “E Agora, Meu Deus?”. Contato pelo e-mail portalautoasa@gmail.com

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concordo em gênero, número e grau.
 
Nelll em 22/05/2015 20:53:30
Realmente Marco Asa, Jesus deu um verdadeiro exemplo de amor e compaixão quando protegeu a mulher adúltera de seus algozes. Apenas a título de esclarecimento, o que Jesus disse não foi "aquele que não tiver pecado", mas sim aquele que "estiver sem pecado" atire a primeira pedra. Isso quer dizer que não existe ninguém que não tenha pecado, pois todos nós pecamos (ver o que o apóstolo Paulo diz em Romanos 3:23 e 5:12). Outra observação que gostaria de fazer, é que você deixou de mencionar que, ao despedir a mulher, Jesus lhe deu um conselho, que permanece para os cristãos da era atual: "vai-te e não peques mais". Resumindo, Jesus ama os pecadores na mesma proporção que ele abomina o pecado. Foi por isso que ele morreu na cruz, para salvar os pecadores, sem contudo, corroborar com o pecado.
 
Oséias Bispo de Araújo em 20/05/2015 15:56:02
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