Dólar sobe a R$ 5,16 e bolsa tem maior queda em 5 meses
Ibovespa recua 2,5% com cenário eleitoral, juros e impasse no Estreito de Ormuz
O dólar fechou em alta de 0,98% nesta terça-feira (11), cotado a R$ 5,1606, enquanto o Ibovespa caiu 2,50% e encerrou aos 167.875 pontos. O mercado reagiu às incertezas sobre as eleições e os juros no Brasil, além do impasse entre Irã e Estados Unidos sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
RESUMO
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O dólar fechou em alta de 0,98% nesta terça-feira (11), cotado a R$ 5,1606, enquanto o Ibovespa recuou 2,50%, aos 167.875 pontos, maior queda desde março. O mercado foi pressionado por relatório do JPMorgan, que rebaixou a recomendação para o Brasil, e pelas incertezas eleitorais e sobre os juros. No exterior, o impasse entre Irã e EUA sobre o Estreito de Ormuz elevou o petróleo Brent a US$ 88,94.
A queda do Ibovespa foi a maior desde 12 de março, quando o índice recuou 2,55%. A moeda americana acumula alta de 1,52% na semana e de 1,80% em agosto, mas ainda registra queda de 5,98% no ano. A Bolsa soma perda de 5,77% no mês e avanço de 6,86% em 2026.
Parte da pressão veio de um relatório do JPMorgan, que reduziu de “acima da média” para “neutra” a recomendação para o mercado brasileiro. O banco também diminuiu de 190 mil para 185 mil pontos a projeção para o Ibovespa no fim deste ano.
A instituição apontou entre os riscos a possibilidade de interrupção dos cortes da Selic depois de setembro e os efeitos das eleições de outubro sobre os investimentos. O aumento da cautela afetou as ações brasileiras, o dólar e as taxas negociadas para os juros futuros.
No cenário econômico, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,07% em julho, depois de avançar 0,16% no mês anterior. A inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,44%, dentro do limite da meta, mas acima do centro de 3%.
O BC (Banco Central) também divulgou nesta terça a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O documento afirma que a autoridade monetária poderá reagir “com firmeza” caso a volatilidade dos preços do petróleo provoque impactos relevantes sobre a inflação brasileira.
Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. O mercado, porém, passou a avaliar se haverá espaço para novos cortes nos próximos meses.
No exterior, as dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz mantiveram a pressão sobre os preços do petróleo. A rota concentra cerca de 20% do comércio mundial da commodity e permanece no centro das negociações entre Irã e Estados Unidos.
Teerã apresentou uma série de condições para liberar a passagem de embarcações. Entre elas estão o fim do bloqueio naval e das sanções americanas, a retirada de tropas dos Estados Unidos das proximidades do Irã e a liberação de ativos iranianos congelados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), reagiu às exigências e rejeitou a cobrança de indenizações feita pelo governo iraniano. As divergências mantiveram as dúvidas sobre quando o tráfego comercial pelo estreito poderá voltar ao normal.
O barril do Brent, referência internacional, avançou 1,39%, para US$ 88,94. Já o WTI (West Texas Intermediate) subiu 1,16%, cotado a US$ 83,08.


