Antes de Neno, 5 sul-mato-grossenses já figuram na lista de procurados Interpol
Ex-deputado será o 6º a integrar a atual lista da Difusão Vermelha, mas o nome ainda não foi enviado

Antes da inclusão do ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) na lista da Difusão Vermelha da Interpol, outros cinco sul-mato-grossenses já figuram na relação pública da organização, todos procurados em investigações ligadas a crimes como homicídios, tráfico internacional de drogas e participação em organizações criminosas.
RESUMO
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Além do ex-deputado Neno Razuk, outros cinco sul-mato-grossenses já constam na lista pública da Difusão Vermelha da Interpol, procurados por homicídio, tráfico internacional de drogas e participação em organizações criminosas. Entre eles estão o ex-guarda municipal Juanil Lima, ligado ao grupo de Jamil Name, e Claudinei Predebon, apontado como integrante da elite do PCC. O estado ainda tem oito nomes no Projeto Captura do Ministério da Justiça.
A Difusão Vermelha, ou Red Notice, é um alerta internacional emitido a pedido de um país-membro da Interpol para localização e prisão provisória de um investigado ou condenado, visando eventual extradição. Ela não representa, por si só, um mandado de prisão internacional.
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Um dos sul-mato-grossenses na lista é o ex-guarda municipal Juanil Miranda Lima, 49 anos. Nascido em Campo Grande, ele ficou conhecido por integrar a organização criminosa liderada por Jamil Name e é acusado de integrar um grupo de extermínio investigado na Operação Omertà, com participação no atentado que matou, por engano, o estudante Matheus Coutinho, em abril de 2019.
O rapaz era filho do ex-capitão da Polícia Militar Paulo Roberto Teixeira Xavier, apontado como verdadeiro alvo dos criminosos. Desde aquele ano, Juanil passou a ser considerado foragido e teve o nome incluído na lista da Interpol.
Ligados ao tráfico internacional
Outro nome conhecido das páginas policiais é o de Claudinei Predebon, natural de Fátima do Sul. Considerado integrante da “elite do PCC”, ele tem ligações com o narcotraficante Aldo José Marques Brandão, conhecido como “Sheik”.
Em 2017, Predebon se tornou alvo de ações contra o PCC e foi pego em uma casa de luxo na cidade de Pedro Juan Caballero. Ele acabou sendo solto três meses depois, mas voltou para a prisão em 2019. No ano seguinte, fugiu do presídio da capital paraguaia. Ele também tem condenação por atropelar e matar uma menina de 1 ano e 7 meses, em Ponta Porã.
Também ligado ao tráfico, Marcial Dario Acosta, nascido em Ponta Porã, é apontado como liderança no comércio internacional de entorpecentes envolvendo Bolívia, Brasil, Paraguai e Peru e responde a processos no Rio Grande do Sul e na Justiça Federal do mesmo estado.
Na mesma situação está Ramao Anacleto Brites Davalo, natural de Aral Moreira, município localizado na linha internacional com o Paraguai. Ele também é alvo de investigação por tráfico internacional e organização criminosa.
"Mais jovem"
O mais jovem entre os sul-mato-grossenses procurados é Luis Antonio Varela da Silva, de 30 anos. Nascido em Campo Grande, seu nome ganhou repercussão após a fuga em massa registrada na penitenciária de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, em janeiro de 2020.
Dias depois, ele foi localizado e preso em Campo Grande durante ação conjunta das forças de segurança. Na época, as autoridades o apontaram como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital). Posteriormente, voltou à condição de foragido e passou a integrar a lista pública da Interpol.
Entrada de Neno
A entrada de Neno Razuk (PL) na lista vai ampliar o número de sul-mato-grossenses com alerta internacional divulgado publicamente pela Interpol. Diferentemente dos demais casos, porém, o ex-parlamentar responde a uma investigação distinta e não possui qualquer vínculo conhecido com os outros procurados.
O pedido para inclusão na lista vermelha foi apresentado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) esta semana. Depois, na decisão encaminhada à Superintendência da PF (Polícia Federal) em Mato Grosso do Sul, o juiz José Henrique Kaster Franco, titular da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, reforça que foram levantados indícios de que o ex-parlamentar possa estar fora do país.
A prisão preventiva do ex-deputado estadual Neno Razuk foi decretada antes de 6 de julho de 2026, data em que o juiz responsável pelo processo entrou de férias. A decisão foi fundamentada no risco à ordem pública.
“Projeto Captura”
Além dos listados na Interpol, Mato Grosso do Sul tem outros 8 nomes entre os mais procurados do Brasil no sistema do Ministério de Justiça e Segurança Pública, o conhecido “Projeto Captura”.
Entre eles estão Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota, o “Motinha”, apontado como um dos principais traficantes da fronteira, e Cleber Laureano Rodrigues, acusado de participar do “tribunal do crime” que matou Thiago Brumatti Palermo e Marcelo dos Santos Vieira após uma negociação de cocaína adulterada.
Além de Osmar Pereira da Silva, o “Branco”, condenado a mais de 70 anos por roubos, furtos, receptação e organização criminosa, está Phillypi Junior Nunes Matos, sentenciado por tráfico de drogas e posse de armas de uso restrito e considerado de alta periculosidade.
Ricardo de Souza, o “Cabelo”, integrante do PCC que atua no tráfico de drogas. Ronaldo Gonçalves Martinez, o “R7”, investigado por roubos e outros crimes patrimoniais, foi incluído na lista em janeiro deste ano. Thiago Vinicius Vieira, o “Dourado”, apontado como líder de quadrilha especializada em grandes assaltos e no contrabando de armas, fugiu da Penitenciária Jair Ferreira de Carvalho, a “Máxima”, em 2018.
O nome mais recente a entrar na lista foi Ronald Alves Cordeio, em maio deste ano. Embora tenha a identidade publicada no sistema, ainda não há detalhes sobre suas passagens criminais. Ele, Thiago e Ronaldo passaram a integrar o sistema após a saída de Éder de Barros Vieira, o "Mistério do PCC", e de Gerson Palermo, ambos já capturados.
O limite de nomes no sistema do Ministério da Justiça é de 8 por estado como "procurados prioritários".



