Defesa fala em “confusão” sobre rifas após Justiça manter irmãos Razuk presos
Advogados dizem que sorteios eram autorizados e vão entrar com habeas corpus

Os empresários Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk vão permanecer presos após passarem por audiência de custódia na manhã desta quinta-feira (20), no Fórum de Campo Grande. As defesas sustentam que os sorteios divulgados pelos irmãos estão dentro da legalidade e alegam que houve uma confusão na interpretação sobre a atuação de Eduardo, que, segundo o advogado, faria a divulgação de sorteios autorizados, e não a exploração direta de loteria irregular.
RESUMO
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Os empresários Eduardo e Rafael Rezende da Silva Razuk permanecem presos após audiência de custódia no Fórum de Campo Grande. Presos na Operação Rodas da Sorte, que investiga exploração ilegal de loterias, lavagem de dinheiro e associação criminosa, as defesas contestam as prisões e recorrerão via habeas corpus. A polícia aponta movimentação de R$ 100 milhões em seis meses com sorteios irregulares pela internet.
Os dois foram presos na terça-feira (18), durante a Operação Rodas da Sorte, deflagrada pela Polícia Civil para investigar suspeitas de exploração ilegal de loterias, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Como as prisões ocorreram em cumprimento a mandados preventivos expedidos anteriormente, os argumentos das defesas para revogação das medidas não foram analisados pelo juiz responsável pela audiência desta manhã, segundo os advogados.
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Com a manutenção das prisões, as duas defesas informaram que vão recorrer por meio de habeas corpus.
Na saída do Fórum, o advogado Tiago Bunning, que representa Eduardo, afirmou que teve acesso à investigação no fim do dia de ontem (19) e contestou a principal tese apresentada pela Polícia Civil.
Segundo Bunning, a investigação considera que Eduardo não teria autorização para promover os sorteios. A defesa, no entanto, contesta. “Todos os sorteios são autorizados, são registrados, foram auditados e toda a renda que o Eduardo e a empresa dele obtêm a partir da divulgação é declarada no Imposto de Renda, com os tributos pagos”, afirmou Bunning.
Para o advogado, a divergência está justamente na definição do papel desempenhado pelo influenciador. “O delegado se baseia no entendimento de que o Eduardo, em si, não teria autorização para fazer o sorteio. Mas o Eduardo é quem divulga. Há uma confusão sobre se ele promove ou não. É um debate jurídico, de interpretação, e isso não é questão para manter alguém preso”, disse.
Bunning também afirmou que os bens atribuídos a Eduardo, inclusive os veículos apreendidos durante a operação, estão registrados em seu nome. Para a defesa, essa circunstância afasta a acusação de ocultação patrimonial utilizada para sustentar a suspeita de lavagem de dinheiro.
O advogado acrescentou que Eduardo é primário, tem bons antecedentes e não havia sido chamado anteriormente para prestar esclarecimentos sobre os sorteios. A defesa questiona a necessidade da prisão preventiva diante de crimes que, segundo Bunning, não envolvem violência ou grave ameaça.
A Polícia Civil sustenta uma versão diferente. Conforme apresentado pelos investigadores após a deflagração da operação, Eduardo realizaria rifas pela internet desde 2019 e teria movimentado mais de R$ 100 milhões em um período de seis meses. Segundo a investigação, os sorteios chegaram a movimentar aproximadamente R$ 1,9 milhão por edição e eram realizados uma ou duas vezes por semana.
Ainda de acordo com a polícia, a partir de 2025 os investigados teriam estruturado operações com empresas de outros estados para dar aparência de legalidade aos sorteios. Os investigadores afirmam que as rifas não possuíam a autorização necessária para funcionar como loteria com finalidade lucrativa.
A defesa contesta essa conclusão. Bunning afirmou que, ao menos desde dezembro de 2025, os sorteios mencionados pela investigação possuem número de registro e documentação vinculada a uma loteria oficial. Ele disse que ainda analisa a alegação policial de que a atividade teria começado em 2019.
Negativa - O advogado João Paulo Calves, responsável pela defesa de Rafael Razuk, também afirmou que não vê fundamentos para a manutenção da prisão preventiva.
Segundo Calves, Rafael auxiliava o irmão nos sorteios, mas não exercia função de gestão na empresa relacionada às operações investigadas.
“A gente entende que não estão presentes os requisitos da prisão, especialmente a periculosidade. Ele não coloca em risco a sociedade e há ausência de elementos centrais da própria existência do crime”, declarou.
A defesa sustenta que Rafael não teve participação em eventual exploração de loteria não autorizada e afirma ter questionado a legalidade da prisão após acessar o conteúdo da investigação.
Rafael aparece em registros empresariais como sócio-administrador da Razuk Vault Ltda., aberta em setembro de 2025, em João Pessoa (PB), com capital social de R$ 1,55 milhão. Entre as atividades secundárias cadastradas pela empresa estão exploração de jogos de azar e apostas e promoção de vendas.
A Polícia Civil investiga se empresas e pessoas ligadas aos irmãos foram utilizadas na movimentação e eventual ocultação de recursos provenientes dos sorteios. Além dos Razuk, outras duas pessoas foram presas durante a operação, que também cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em diferentes estados.
Durante as buscas em Campo Grande, policiais apreenderam uma frota de veículos de alto valor, relógios de luxo, celulares e outros equipamentos eletrônicos. O material deverá ser analisado no decorrer da investigação.
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