Despachante que ficou dois anos foragido fala à Justiça sobre fraude no Detran
Caso envolve a liberação irregular de veículos com restrições administrativas e foi descoberto em 2023
O despachante David Cloky Hoffman Chita, que ficou dois anos foragido, participou da primeira audiência de instrução hoje na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. Ele é acusado de ser líder de fraude no Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito) que envolve a liberação irregular de veículos com restrições administrativas.
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O despachante David Cloky Hoffman Chita, foragido por dois anos, participou de sua primeira audiência na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. Ele é acusado de liderar esquema de fraudes no Detran/MS, envolvendo liberações irregulares de veículos com restrições administrativas. O caso veio à tona após denúncia de um servidor que identificou 29 liberações suspeitas em fevereiro de 2024. Além de Chita, também são réus a ex-servidora Yasmin Osório Cabral, em prisão domiciliar, e os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira. O processo corre em segredo de Justiça.
Outros três réus foram ouvidos: a ex-servidora comissionada do Detran Yasmin Osório Cabral, que responde em prisão domiciliar; e os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira. Também foram ouvidas testemunhas de defesa e indicadas pelo Ministério Público, responsável pela acusação. O processo corre em segredo de Justiça.
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O esquema investigado envolve a liberação irregular de veículos com restrições administrativas no sistema do Detran/MS, mediante pagamento de propina. As fraudes foram identificadas após denúncia interna de um servidor, que apontou 29 liberações fora do padrão, feitas em fevereiro de 2024, utilizando seu login e senha, mesmo em dias em que ele não estava no órgão.
As baixas no sistema ocorreram em 9 e 15 de fevereiro daquele ano e se limitavam a registros genéricos como “OK VISTORIA”. A apuração interna chegou a um computador usado para 27 liberações indevidas em um único dia, que pertencia à servidora comissionada Yasmin. Foi identificado ainda que, um dia antes das fraudes, documentos de 25 veículos haviam sido baixados por David, além de Hudson e Edilson, todos ligados ao mesmo escritório de despachante.
Após a audiência, a defesa de Yasmin afirmou que ela nega participação nos fatos. Segundo os advogados Isabela Buchara e Celso Pajoro, há documentos e testemunhas que demonstram que a ex-servidora não praticou os atos atribuídos a ela. Eles destacaram que ainda há outras oitivas previstas e que a versão da defesa está nos autos. Yasmin foi presa em julho de 2024, mas obteve prisão domiciliar após descobrir gravidez poucos dias depois de ingressar no presídio.
O advogado de David, Mateus Tomazini dos Santos, disse que a defesa será feita exclusivamente no processo e negou a existência de qualquer negociação de delação premiada. Segundo ele, rumores externos têm atrapalhado o andamento do caso.
Questionado sobre o período em que o despachante permaneceu foragido, o advogado afirmou que havia receio relacionado à prisão e questões graves de saúde, que exigem uso contínuo de medicamentos. Disse ainda que a defesa já apresentou pedidos de habeas corpus, inclusive um recente, relacionado à realização da audiência.
Hudson Romero Sanches responde ao processo em liberdade, mas está submetido a medidas cautelares que o impedem de se aproximar do Detran ou atuar em procedimentos do órgão. O crachá funcional foi recolhido.
O advogado dele, Mikhail Monteiro afirmou que a defesa avalia de forma positiva o resultado da audiência e sustenta que não há provas de envolvimento do cliente. Segundo ele, das testemunhas ouvidas, apenas uma mencionou o nome de Hudson, sem atribuir crime.
A acusação aponta inserção de dados falsos no sistema e organização criminosa, mas a defesa argumenta que Hudson atuava como preposto e não tinha acesso ou função que permitisse cometer as fraudes descritas.
A defesa de Edilson Cunha Nogueira não se manifestou após a audiência.
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