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Cidades

Empresas de MS participavam de esquema que movimentou R$ 21 milhões para facção

Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpre 150 ordens judiciais para desarticular rede em 5 estados

Por Ana Paula Chuva | 11/06/2026 08:17
Empresas de MS participavam de esquema que movimentou R$ 21 milhões para facção
Policial civil durante buscas na casa de um dos investigados (Foto: Divulgação | PCRS)

Empresas de Mato Grosso do Sul são alvos da Operação Apakani, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por meio do Denarc (Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico), na manhã desta quinta-feira (11). A ação mira uma rede criminosa ligada a uma facção gaúcha, que movimentou R$ 21,3 milhões em um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro.

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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Apakani, mirando empresas de Mato Grosso do Sul ligadas a uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 21,3 milhões. Foram cumpridas 150 ordens judiciais, incluindo 28 prisões preventivas e 69 buscas e apreensões. A investigação, iniciada em 2023, revelou 21 empresas usadas para disfarçar lucros do tráfico de drogas, com líderes operando de dentro de presídios gaúchos.

Ao todo, as equipes policiais saíram às ruas para cumprir 150 ordens judiciais, sendo 28 de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 69 mandados de busca e apreensão, além de 59 bloqueios de contas bancárias e o sequestro de diversos veículos de luxo e imóveis. Os alvos estão no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

De acordo com a Polícia Civil gaúcha, a investigação teve início em novembro de 2023, após a apreensão de mais de 1,2 tonelada de maconha em um depósito na cidade de Canoas (RS). A partir dali, os policiais da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro descobriram que o grupo gerenciava uma complexa estrutura para distribuição de cocaína, crack e maconha vindos da região de fronteira do Centro-Oeste.

Para fazer o dinheiro do tráfico retornar à economia formal com aparência de legalidade, a organização criminosa utilizava uma rede de dissimulação financeira. Foram identificadas 21 empresas operadoras do esquema - entre estabelecimentos reais, de fachada e firmas fantasmas - localizadas estrategicamente em solo sul-mato-grossense e nos demais estados envolvidos.

O grupo utilizava técnicas como smurfing (fracionamento de grandes quantias em múltiplos depósitos de pequenos valores para burlar o rastreamento do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)), triangulações bancárias, contas de passagem e a mistura do capital ilícito ao faturamento de empresas ativas. Os valores vinculados a essas pessoas jurídicas em Mato Grosso do Sul foram objeto de indisponibilidade e bloqueio judicial.

A complexidade da organização chamou a atenção dos investigadores pelo fato de que parte das lideranças operava de dentro do sistema carcerário gaúcho. Em áudios interceptados com autorização da Justiça, detentos demonstravam tamanho conforto com o fluxo financeiro que chegaram a encomendar picanha e maminha em churrascarias para entrega na porta de uma das penitenciárias.

A ofensiva em Mato Grosso do Sul, que contou com o apoio operacional da Polícia Civil local, focou no bloqueio patrimonial e na coleta de novos documentos e mídias digitais nas sedes das empresas investigadas. A ação está integrada à Operação Narke 6, uma mobilização de âmbito nacional coordenada pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública).

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