Lista da Interpol já ajudou a levar Palermo e “Escobar brasileiro” à prisão
Cooperação entre as polícias localiza foragidos em vários países
A Lista de Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), que em breve deve receber o nome do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), o Neno Razuk, já ajudou a tirar de circulação figuras renomadas do crime: Gerson Palermo e Sérgio Roberto de Carvalho, o ex-major mais conhecido como “Escobar brasileiro”.
RESUMO
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A Lista de Difusão Vermelha da Interpol tem sido fundamental para a captura de criminosos internacionais de alta periculosidade. Entre os casos de destaque estão o narcotraficante Gerson Palermo, líder do PCC preso na Bolívia após condenação de 126 anos, e o ex-major Sérgio Roberto de Carvalho, detido na Hungria por tráfico e lavagem de dinheiro. O mecanismo de cooperação internacional facilita a localização de foragidos e deve incluir em breve o ex-deputado Neno Razuk em seu sistema.
Foragido desde 2020 e condenado a 126 anos, o narcotraficante Gerson Palermo, liderança da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), foi preso na Bolívia, país vizinho a Corumbá, em 26 de maio.
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Ele estava na “lista” desde 25 de abril de 2020. O aviso, anotado na cor vermelha, era “dangerous, violent” (perigoso, violento). O documento tinha fotografias, dados pessoais, impressões digitais e número de processos.
O breve histórico de Palermo, na “red notice” (alerta vermelho), informava que ele era condenado por tráfico internacional de drogas e organização criminosa, tendo sido alvo de operação da Polícia Federal, na qual foi apontado como responsável pela logística e pelo transporte de 504 kg de cocaína.
Após a prisão no território boliviano, a PF mencionou a importância da cooperação internacional.
“Vale ressaltar que a captura do foragido no exterior somente foi possível em razão da existência de difusão da Interpol, mecanismo que contribuiu com sua localização e possibilitando sua prisão provisória na Bolívia, encontrando-se atualmente custodiado no referido país, no aguardo dos trâmites necessários à sua expulsão do território boliviano e consequente entrega às autoridades brasileiras, para retomada da execução penal”.
Palermo chegou a Mato Grosso do Sul no dia 27 de maio e cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande.
No currículo, Palermo tem histórico de “façanhas criminais” e a derrocada de um desembargador do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O crime mais ousado foi em 16 de agosto de 2000, quando sequestrou um Boeing da Vasp. Já o episódio que levou à punição do desembargador Divoncir Schreiner Maran foi em abril de 2020.
Ex-major Carvalho
Em 22 de junho de 2022, a Interpol divulgou a prisão de Sérgio Roberto de Carvalho, que estava na lista a pedido do Brasil e foi localizado na Hungria.
O ex-policial militar de Mato Grosso do Sul era alvo de alerta vermelho por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.
“Este é mais um exemplo de policiamento internacional bem-sucedido. Os escritórios centrais nacionais da Interpol em Brasília e Budapeste devem ser elogiados pela estreita colaboração que resultou na prisão de um suspeito perigoso”, declarou o então secretário-geral da Interpol, Jürgen Stock, na ocasião.
A lista facilitou a troca de informações, incluindo detalhes de possíveis documentos de viagem e nomes falsos usados pelo foragido.
O ex-major foi preso no Radisson Blu Beke Hotel, em Budapeste, capital da Hungria. Ele estava com documento falso.
Em novembro de 2020, o ex-policial fugiu do cerco da PF na operação Enterprise e chamou a atenção por ter até uma versão “morto-vivo”.
Na ofensiva contra o tráfico internacional de drogas, foram bloqueados R$ 400 milhões em bens e imóveis dos investigados, incluindo carros de luxo, joias, imóveis e 37 aeronaves (uma delas avaliada em 20 milhões de dólares).

Em Portugal, num imóvel ligado ao ex-major, foram apreendidos 12 milhões de euros em uma van. Na Espanha, a mansão de Carvalho foi avaliada em 2,5 milhões de euros.
De filho de donos de lanchonete em Campo Grande a apontado como líder de organização criminosa capaz de exportar 45 toneladas de cocaína (equivalente a R$ 2,2 bilhões), Carvalho é comparado ao narcotraficante colombiano Pablo Escobar.
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