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Cidades

Família vive aflição com campo-grandense desaparecido há 15 dias no Japão

Parentes apontam contradições em relatos, cobram investigação e ação do consulado brasileiro

Por Bruna Marques | 11/01/2026 09:57
Família vive aflição com campo-grandense desaparecido há 15 dias no Japão
Kennedy Kashiwabara está desaparecido desde 22 de dezembro (Foto: Arquivo pessoal)

Sul-mato-grossense, nascido em Campo Grande e morador do Japão há mais de 20 anos, Kennedy Kashiwabara, de 38 anos, está desaparecido desde o dia 27 de dezembro. A família, que vive na Capital, cobra providências das autoridades do país asiático e do consulado brasileiro.

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Sul-mato-grossense Kennedy Kashiwabara, 38 anos, está desaparecido no Japão desde 22 de dezembro. Morador do país asiático há mais de 20 anos, ele mantinha contato diário com familiares em Campo Grande, até cessar abruptamente as comunicações. A última interação confirmada ocorreu em 22 de dezembro. Dias depois, mensagens suspeitas foram recebidas pela família, com inconsistências no padrão de escrita. A polícia japonesa foi acionada após relatos contraditórios sobre seu paradeiro, incluindo uma suposta ida à delegacia de Otta que não foi confirmada pelas autoridades locais. Kennedy é divorciado e pai de dois adolescentes residentes no Japão.

Segundo os familiares, Kennedy mantinha contato diário com o irmão que mora em Campo Grande. Todos os dias, após o trabalho, ele acessava o computador para jogar e, nesse período, conversava com frequência sobre pescaria, jogos e assuntos do cotidiano. Também era comum o envio de vídeos de memes e pescarias antes de dormir ou durante momentos de descanso.

Ainda de acordo com a família, Kennedy não possuía vícios, como fumar, ingerir bebidas alcoólicas ou fazer uso de substâncias ilícitas.

O último contato direto com o irmão, por computador ou mensagens, ocorreu no dia 22 de dezembro. Nos dias seguintes, a ausência chamou atenção, já que Kennedy não acessou mais a internet nem enviou mensagens ou vídeos, comportamento considerado fora do padrão.

No dia 25 de dezembro, após a meia-noite no Japão, o irmão enviou uma mensagem desejando Feliz Natal. Ao receber a resposta, percebeu que o texto não havia sido escrito por Kennedy, pois o modo de escrever não correspondia ao seu padrão habitual. A mensagem era curta e sem detalhes.

Na mesma resposta, foi informado que Kennedy estaria ausente porque estaria saindo do trabalho às 22h. A informação entrou em contradição com o que ele havia dito no dia 22, quando afirmou que estava saindo mais cedo devido à falta de serviço. A divergência levantou suspeitas na família.

Família vive aflição com campo-grandense desaparecido há 15 dias no Japão
Kennedy Kashiwabara em momento de lazer durante pescaria (Foto: Arquivo pessoal)

No dia 28 de dezembro, o irmão foi informado pelo ex-cunhado de Kennedy que o chefe dele teria comunicado o desaparecimento no dia 27. Essa informação teria sido repassada a partir das Filipinas.

Segundo o relato desse chefe, ele teria levado Kennedy a um restaurante em frente ao PIT100 de Otta e, depois, ambos teriam ido jogar bilhar. Ainda conforme essa versão, no local, Kennedy teria manifestado a intenção de ir até a delegacia de Otta para registrar uma ocorrência.

O chefe brasileiro teria informado que não poderia acompanhar Kennedy até a delegacia porque precisava realizar pagamentos em um konbini, termo japonês para loja de conveniência. Assim, Kennedy teria ido acompanhado de um cidadão peruano, descrito como líder na empresa, até a delegacia de Otta.

De acordo com o relato do peruano, ao chegarem à delegacia de Otta, um policial teria orientado que a ocorrência fosse registrada na delegacia de Oizumi, cidade onde Kennedy morava. Ao saírem do local, Kennedy teria optado por retornar a pé, alegando que queria passear.

A família considera essa versão incompatível com o comportamento habitual dele, já que não costumava nem se deslocar a pé até uma conveniência a duas quadras de casa, sendo improvável que retornasse caminhando de Otta para Oizumi.

Família vive aflição com campo-grandense desaparecido há 15 dias no Japão
Kennedy Kashiwabara mora no Japão há mais de 20 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Ainda no dia 28, o pai registrou oficialmente a ocorrência de desaparecimento na delegacia de Oizumi. O irmão solicitou que fosse feita uma verificação junto à delegacia de Otta para confirmar se houve tentativa de registro de ocorrência em nome de Kennedy Kashiwabara. Segundo o policial responsável em Otta, não houve qualquer pessoa com esse nome tentando registrar ocorrência naquela unidade.

Diante desses fatos, o irmão afirma que as versões apresentadas contêm contradições e aparentam ser inconsistentes. Todos os nomes dos supostos envolvidos e os locais mencionados foram informados às autoridades competentes, o que, no entendimento da família, fornece elementos suficientes para apuração e esclarecimento do desaparecimento.

Posteriormente, o irmão entrou em contato com o brasileiro citado no relato. Ele afirmou que não houve conflito, apenas uma conversa entre ambos e uma terceira pessoa no dia 22. Questionado sobre quem seria essa terceira pessoa ou sobre possíveis testemunhas, evitou responder, não informou nomes e passou a desconversar.

Segundo a família, o tom da conversa se alterou em seguida. O homem afirmou que o irmão estaria desconfiando dele, disse que apenas queria ajudar, passou a proferir ofensas verbais e encerrou a ligação de forma abrupta.

A família registrou oficialmente o desaparecimento junto à polícia japonesa, mas até o momento não há informações sobre o andamento das investigações. Também foram feitas tentativas de contato com a Embaixada do Brasil no Japão e consulados, sem retorno, segundo os familiares.

O que se sabe é que a polícia entrou em contato com o empregador japonês de Kennedy, que estaria nas Filipinas. Kennedy é divorciado e pai de dois adolescentes, de 14 e 15 anos, que moram na mesma cidade.

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