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Cidades

Há 2 anos, filha de mulher que teve corpo furtado de cemitério vive com medo

Jovem alega que foi perseguida por ex-padrasto por sete meses e precisou mudar de casa e emprego

Por Ana Paula Chuva | 26/06/2022 10:55
Rosilei viveu por 8 anos com o ex-tenente da Polícia Militar,  José Gomes. (Foto: Arquivo | Campo Grande News)
Rosilei viveu por 8 anos com o ex-tenente da Polícia Militar,  José Gomes. (Foto: Arquivo | Campo Grande News)

Pâmela Potronieli Paulino, 23 anos, filha de Rosilei Potronieli, vive com medo do ex-padrasto, o policial militar aposentado José Gomes Rodrigues. Em 2019, o homem, conhecido como "Coronel", roubou o corpo da ex-namorada do cemitério de Dois Irmãos do Buriti e o colocou em uma cova rasa na chácara onde morava, em Campo Grande.

Segundo a mulher, logo após o crime, ela foi perseguida pelo ex-tenente. Por cerca de 7 meses, homem a procurava no trabalho e na casa onde ela morava, dizendo que era desejo da mãe que eles ficassem juntos. “Eu precisei mudar de emprego e tive que voltar a morar com meu ex-marido. Na época, já estávamos separados e por conta do José, ele passou a me buscar e levar no trabalho, até que voltamos a morar juntos por conta da perseguição”, explicou ao Campo Grande News.

À reportagem, Pâmela explicou que o homem tentou por diversas vezes entrar em contato com ela por telefone e que não chegou a procurar a polícia por medo de ser encontrada por ele. “Eu mudei de emprego e de casa, porque ele ia à noite no meu trabalho, tentou diversas vezes entrar lá para me levar junto com ele. Fiquei com medo de procurar a polícia e ele me encontrar. Ele não sabe onde estou e não quero que saiba”, declarou a jovem, explicando que pelo fato do ex-padrasto ter sido policial, ela temia que a informação vazasse.

Rosilei foi esfaqueada dia 9 de fevereiro de 2019, em um bar de Terenos, depois de discussão com um trabalhador rural Adailton Couto, que foi preso. A mulher chegou a ser socorrida, mas morreu no dia seguinte em um hospital da Capital.

No dia 11 daquele mesmo mês e ano, o corpo de Roseli sumiu do cemitério de Dois Irmãos do Buriti e dois homens foram apontados como responsáveis pelo furto, José Gomes, o ex-namorado da vítima, e Edson Maciel Gomes, primo do ex-tenente, que na época o descreveu como “obcecado pela ex-namorada”.

Cova de onde o corpo de Rosilei foi furtado em Dois Irmãos do Buriti. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Cova de onde o corpo de Rosilei foi furtado em Dois Irmãos do Buriti. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

José "se entregou" no dia 16 de fevereiro, mas apenas por telefone. Na época, a defesa do ex-tenente alegou que ele soube da morte de Roseli quando saiu da prisão, em Terenos. Ele estava preso por ameaças feitas à ex-namorada. O "Coronel" alegou que, durante viagem para Campo Grande, escutou a voz da mulher dizendo que não queria ficar onde estava e nem com a roupa que foi sepultada.

O ex-PM estava em liberdade, mas um dia após procurar a polícia para explicar o furto do cadáver, ele foi preso por dirigir embriagado. O homem passou por audiência de custódia, onde teve a prisão preventiva decretada e conseguiu habeas corpus seis dias depois. Em maio daquele mesmo ano, a filha do ex-tenente pediu a interdição do pai, alegando que o homem sofria de esquizofrenia.

De acordo com Pâmela, até hoje, a sensação é de impunidade, já que José nunca pagou pelo crime e segue vivendo sua vida normalmente. “Eu vejo nas redes sociais, ele curtindo a vida ao lado dos filhos. Eu tive que pegar dinheiro emprestado para sepultar minha mãe e ele foi lá e arrebentou com tudo. Eu acho muito injusto ele viver uma vida normal”, relata a jovem.

osé Gomes Rodrigues, responsável pelo furto do corpo de Rosilei (Foto: Henrique Kawaminami)
osé Gomes Rodrigues, responsável pelo furto do corpo de Rosilei (Foto: Henrique Kawaminami)

Ela afirma ainda que as outras quatro filhas de Rosilei também sofrem com o medo do homem, que na época, acumulava aproximadamente 11 boletins de ocorrência por crimes de estupro, violência doméstica, lesão corporal, ameaça e injúria, praticados contra a ex-namorada.

O Campo Grande News entrou em contato com uma das filhas de José através de mensagem em rede social e aguarda o retorno.

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