Levantamento revela perfil e o que falta nas escolas indígenas de MS
Transporte escolar, laboratórios de Ciências, bibliotecas e bilinguismo não estão presentes em todas

Mato Grosso do Sul tem escolas indígenas distribuídas entre 30% de seus municípios, com 20.219 estudantes matriculados. Levantamento realizado com dados do Censo Escolar 2025 do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) pelo Observatório da Cidade, vinculado à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), traça o perfil dessas instituições e mostra o que falta ainda em termos de infraestrutura nos locais.
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São escolas indígenas aquelas que têm projeto político-pedagógico e elementos voltados à cultura indígena, integrando diferentes saberes e processos próprios de aprendizagem. Adotam o bilinguismo ou multilinguismo com uso da língua materna indígena ao lado do português, possuem gestão comunitária e territorial, além de calendário e materiais adaptados à realidade de cada lugar.
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O total de municípios com escolas indígenas é de 24. Entre os estudantes matriculados nelas, 88,5% declaram-se indígenas; 5,3% pardos; 3,5% brancos; 2,5% não declarados; 0,1% pretos; e 0,1% amarelos. As instituições não precisam admitir apenas crianças e adolescentes autodeclarados como de alguma etnia indígena.
As unidades escolares totalizam 69. São 47 as que pertencem às redes municipais e 22 à rede estadual. Estão localizadas em: Amambai, Anastácio, Antônio João, Aquidauana, Aral Moreira, Bela Vista, Caarapó, Campo Grande, Coronel Sapucaia, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Dourados, Eldorado, Japorã, Laguna Carapã, Maracaju, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sete Quedas, Sidrolândia e Tacuru.
O que falta - O levantamento mostra que nem todas as escolas adotam duas ou mais línguas no ensino: 61 das 69 têm bilinguismo, ensinando a língua do povo indígena atendido e também o português. Três delas utilizam somente a língua indígena e cinco, somente a portuguesa.
Em relação ao transporte escolar público, menos da metade utiliza (8.121 estudantes), sendo 6.794 atendidos por transporte sob responsabilidade municipal e 1.327 pelo estadual.
Possuem quadra de esportes 57. Têm laboratório de informática 34 escolas e 30 contam com biblioteca ou sala de leitura.
O acesso à internet é a infraestrutura mais presente: está em 68 das 69 escolas. Equipamentos multimídia podem ser utilizados em 61 e computadores, em 59.

Laboratórios de Ciências estão entre as estruturas mais escassas, com apenas duas unidades dispondo deles.
São 15 as escolas que contam com sala de AEE (Atendimento Educacional Especializado), espaço físico destinado ao apoio pedagógico da educação inclusiva que complementa ou suplementa a formação de estudantes com deficiências como TEA (transtorno do espectro autista) ou altas habilidades/superdotação.
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