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Arquitetura

94% das escolas de MS têm acessibilidade, mas inclusão ainda esbarra em apoio

O surpreendente é que a rede pública concentra profissionais para alunos com deficiência

Por Ângela Kempfer | 18/09/2026 10:21
94% das escolas de MS têm acessibilidade, mas inclusão ainda esbarra em apoio
Piso tátil na Escola Estadual Joaquim Murtinho, em Campo Grande (Foto: arquivo)

Mato Grosso do Sul tem 93,9% das escolas com pelo menos um recurso de acessibilidade, índice superior ao registrado no conjunto do País. Apesar da estrutura física alcançar a maior parte das unidades, dados do IBGE mostram diferenças importantes na oferta de recursos entre as redes pública e privada e, principalmente, na presença de profissionais de apoio aos estudantes com deficiência.

RESUMO

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Mato Grosso do Sul tem 93,9% das escolas com ao menos um recurso de acessibilidade, índice superior à média nacional de 78,5%, segundo o Censo Escolar de 2025. Escolas privadas lideram em estrutura física, mas a rede pública concentra 68% dos profissionais de apoio a estudantes com deficiência, contra apenas 3,9% das particulares. No Centro-Oeste, jovens com deficiência entre 15 e 29 anos têm taxa de analfabetismo 13 vezes maior que os sem deficiência.

Os números fazem parte do levantamento sobre pessoas com deficiência e desigualdades sociais. Os dados de estrutura escolar são do Censo Escolar de 2025. Das 1.859 escolas existentes no Estado, 93,9% possuíam pelo menos um recurso de acessibilidade. No Brasil, a proporção era de 78,5%.

A diferença também aparece nos banheiros adaptados. Em Mato Grosso do Sul, 85,7% das escolas tinham banheiro acessível, enquanto a média nacional ficava em 57%.

Quando as redes são analisadas separadamente, as escolas particulares apresentam os maiores índices de estrutura física adaptada. Entre as 482 unidades privadas de Mato Grosso do Sul, 99% tinham algum recurso de acessibilidade e 95,6% contavam com banheiro acessível.

Na rede pública os percentuais eram menores, embora ainda elevados: 92,1% tinham algum recurso de acessibilidade e 82,3% possuíam banheiro adaptado.

Apoio se concentra na rede pública

A situação se inverte quando a análise deixa a estrutura física e passa para os profissionais que auxiliam estudantes com deficiência. Em Mato Grosso do Sul, 51,4% das escolas contavam com profissionais de apoio, quase o dobro do índice brasileiro, de 26,2%. A distribuição, porém, é bastante desigual entre as redes.

Nas escolas públicas sul-mato-grossenses, 68% tinham profissionais de apoio. Na rede privada, o percentual era de apenas 3,9%.

A diferença é de mais de 64 pontos percentuais e mostra que ter maior proporção de prédios com recursos físicos de acessibilidade não significa necessariamente contar com maior presença desse tipo de profissional.

O indicador exige uma ressalva. O percentual mostra a proporção de escolas que informaram possuir profissionais de apoio, mas não permite concluir, isoladamente, se o número de trabalhadores é suficiente para atender a quantidade de estudantes que necessita do serviço, nem medir a carga de trabalho ou a relação entre profissionais e alunos.

Outro recurso voltado à inclusão são as salas de recursos multifuncionais, utilizadas no AEE (Atendimento Educacional Especializado). Elas estavam presentes em 35,7% das escolas de Mato Grosso do Sul, acima dos 30% registrados nacionalmente.

Novamente, a rede pública concentrava a maior oferta. 42,8% das escolas públicas do Estado possuíam essas salas, contra 15,1% das particulares.

Analfabetismo expõe outra face da desigualdade

A presença de estrutura e profissionais nas escolas não elimina as diferenças educacionais enfrentadas pelas pessoas com deficiência. Nesse ponto, porém, os dados divulgados não permitem calcular uma taxa específica para Mato Grosso do Sul.

O menor recorte disponível para o indicador de analfabetismo é o Centro-Oeste, que reúne Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Em 2022, 9,4% dos jovens com deficiência de 15 a 29 anos no Centro-Oeste eram analfabetos. Entre aqueles da mesma faixa etária sem deficiência, a taxa era de 0,7%.

Isso significa que, proporcionalmente, o analfabetismo atingia os jovens com deficiência em uma taxa cerca de 13 vezes maior na região.

No Brasil, a diferença também era expressiva. 12,2% dos jovens com deficiência entre 15 e 29 anos eram analfabetos, diante de apenas 1% daqueles sem deficiência.

A desigualdade aparece antes dessa faixa etária. Entre crianças brasileiras de 6 a 14 anos com deficiência, 92,6% frequentavam a escola, contra 98,4% entre aquelas sem deficiência. No grupo classificado com deficiência profunda, a frequência diminuía para 82,3%.

O IBGE considera deficiência profunda quando a pessoa declara não conseguir realizar determinada função. Entre adolescentes de 15 a 17 anos nessa condição, a frequência escolar nacional era de 65,6%. Entre aqueles com deficiência severa, caracterizada pela declaração de muita dificuldade, chegava a 82,8%.