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Cidades

Mulher que era "escravizada" na Capital reencontra a mãe após 9 meses

Vítima veio trazida "à força" de Minas Gerais para trabalhar para uma idosa, que havia empregado sua mãe

Por Adriano Fernandes | 29/03/2021 22:40
De azul, mulher que foi escrazada por família em Campo Grande abraçada com a mãe. (Foto: Reprodução/Youtube) 
De azul, mulher que foi escrazada por família em Campo Grande abraçada com a mãe. (Foto: Reprodução/Youtube)

A mulher, de 34 anos, que foi mantida por nove meses em situação de escravidão na Capital, retornou para a sua cidade de origem, Mateus Lemes, em Minas Gerais, nesta segunda-feira (29). O reencontro da vítima com a mãe, ocorreu no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte e foi acompanhado pela Polícia Civil de Minas Gerais, que atuou junto da Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Campo Grande na apuração do caso.

A situação veio à tona quando a mulher, que não teve a identidade revelada, pediu ajuda em uma igreja de Campo Grande, no dia 21 de março, depois de conseguir fugir da casa onde era obrigada a fazer todo o serviço doméstico, sem remuneração, comendo restos de comida. “Assim que soubemos, fomos ao endereço da mãe da vítima e, após, confirmamos os fatos, verificamos que procediam as informações prestadas. Essa mulher ficou na condição análoga à escravidão por cerca de nove meses. A mãe da vítima somente registrou um boletim de ocorrência em fevereiro deste ano e, ainda assim, contendo informações muito vagas, que não sinalizavam crime. Ela não falava em desaparecimento, apenas que a filha não fazia contato há muito tempo e que não sabia do paradeiro dela”, conta a delegada Lígia Barbieri Montovani, da Polícia Civil de Minas Gerais.

Conforme apurado pela polícia, a mulher foi trazida à força por uma idosa de 70 anos para trabalhar em Campo Grande. A suspeita conhecia a vítima, pois já havia empregado a mãe dele há alguns anos. Na Capital, a mulher era proibida de manter contato com outras pessoas. Todos os números do seu celular foram apagados.

Os familiares da vítima foram identificados e, através de um trabalho conjunto das polícias, nesta segunda-feira, acompanhada de uma conselheira tutelar, a vítima foi colocada num avião, desembarcou no aeroporto em Confins e em seguida encaminhada para uma unidade de pronto atendimento médico para ser avaliada. Conforme a delegada, a mulher precisou ser internada para tomar soro, porque o médico sinalizou uma possível desnutrição. A vítima tem um grau de deficiência mental, mas passa bem.

Investigação -  Após receber a denúncia a polícia fez buscas no endereço onde a mulher estava, no Jardim Tijuca, mas não conseguiu encontrar os suspeitos. O Campo Grande News também esteve na casa indicada pela vítima à polícia. Lá, a informação é de que o imóvel é alugado e os donos, um casal de idosos, vivem em Minas Gerais. A Deam encaminhou o caso à Polícia Federal, que dará continuidade à investigação. A Justiça do Trabalho também foi acionada para tomar as providências cabíveis.

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