O pior é ter que esperar, diz quem demorou anos para receber prótese
Entrega feita hoje pelo INSS foi festejada por pessoas que paralisam a vida depois de uma amputação

Para a auxiliar administrativa de uma empresa de telefonia em Campo Grande, Rosimeire Santos da Silva, 51, a primeira prótese conseguida por meio do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) demorou mais que um ou dois anos. Foram quatro anos esperando.
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Na manhã de quinta-feira, 29, o INSS iniciou a entrega de próteses mecânicas em Campo Grande, beneficiando 14 segurados que aguardavam a substituição de próteses anteriores. A espera média para a entrega é de um ano, devido à burocracia na licitação e compra pública, com alguns casos se estendendo por até quatro anos. O programa de Reabilitação Profissional do INSS atende apenas segurados que contribuem para a previdência ou recebem auxílio-doença. A expectativa é entregar 70 próteses até o final do ano, com um investimento de aproximadamente R$ 1,2 milhão. Segurados de outros municípios devem se deslocar até a Capital para receber os componentes.
Ao todo, ela está há seis anos utilizando os material fornecido pelo órgão. Hoje, fez a substituição da primeira prótese provisória por uma definitiva solicitada ainda em 2024.
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Rosimeire perdeu a perna direita após sofrer um acidente de trânsito aos 6 anos de idade. Antes de obter o auxílio do INSS, ela usava próteses fornecidas por outros órgãos, mas que não eram tão boas. "A que estou usando é mais leve e não dói igual às outras doíam. O ruim é ter que ficar trocando", conta.
Na manhã desta quinta-feira (29), o INSS iniciou a entrega, em Campo Grande, de próteses mecânicas para 14 pessoas que aguardam a substituição das recebidas anteriormente. Rosemeire foi uma atendida na ação realizada na agência da Rua 26 de Agosto, no Centro.
Segundo o gerente-executivo do instituto na Capital, Raimundo Ruiz, a espera dos beneficiários tem levado cerca de um ano devido ao processo que envolve licitação e compra pública. Os atendidos entraram com pedidos em 2024 e 2025.
Ele explica que os componentes que substituem braços, mãos, pernas e pés ausentes desde o nascimento ou amputados podem demorar ainda mais para ser entregues pela empresa fornecedora quando há alguma especificidade. "Às vezes, pode levar mais tempo também porque a pessoa experimenta, precisa de ajustes, tem que retornar e provar novamente", acrescenta.
A ação é parte do programa Reabilitação Profissional do INSS, que contempla apenas quem contribui com a previdência ou recebe auxílio-doença e precisa da prótese para ficar apto a trabalhar e a fazer outras atividades do dia a dia.

Apoio por déficit - Médica perita do INSS de Manaus (AM), Elzilene Viegas tem viajado para atender segurados em outros estados. Ela está dando apoio às entregas e avaliações de próteses no instituto de Campo Grande, que está sem um servidor da área porque ele se aposentou e tem um novo efetivo em treinamento.
Ela deu detalhes sobre alguns dos casos atendidos hoje. "Quase 100% atendeu muito bem a necessidade dos segurados. Por exemplo, recebemos uma pessoa que tinha uma alteração congênita na perna e necessitava de uma ortoprótese. O material entregue se adequou perfeitamente e ela vai recuperar a função dela normal. Tivemos que fazer algumas adaptações em outra prótese para outro segurado com sequela de poliomelite. A própria fabricante vai fazer esses ajustes", descreve.

Elzilene falou também que são raras em Mato Grosso do Sul e em outros estados do Centro-Oeste as entregas de próteses para quem sofreu acidente de trabalho.
"A grande maioria do nosso público sofreu lesão por acidente de moto, lesões de membros inferiores. Nas viagens que eu faço pelo Centro-Oeste, é raro pegar paciente com amputação por acidente de trabalho. Já em Manaus, como nós temos um polo industrial gigantesco, eu pego muita amputação de mão, de dedos. É muito comum", conclui a perita.
Mais entregas - A expectativa do INSS é entregar o total de 70 próteses até o final deste ano. Segurados de outros municípios precisarão se deslocar para a Capital para retirá-las, já que no interior não há agência com perito voltado a esse serviço.
Aproximadamente R$ 1,2 milhão foram gastos para as compras dos componentes para segurados de Mato Grosso do Sul, segundo a assessoria de imprensa.
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