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Capital

Até bebê vai para a fila que é esperança de emprego das “mães do Bolsa Família”

Mulheres buscam trabalho para que os filhos tenham iogurte, bolachinha e oportunidades

Por Aline dos Santos | 29/01/2026 07:12
Até bebê vai para a fila que é esperança de emprego das “mães do Bolsa Família”
Nayara segura a mão da filha de 8 meses: fila por emprego tem "cara" de mulheres e crianças. (Foto: Henrique Kawaminami)

Da fila da busca de emprego do Primt (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho), projeto da Prefeitura de Campo Grande, se sai sem nenhuma certeza, pois é um cadastro de reserva, mas a constatação não impede que Nayara Silva, de 25 anos, tenha esperança.

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Mães beneficiárias do Bolsa Família enfrentam longas filas em busca de oportunidades de emprego através do Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho (Primt) em Campo Grande. Com bebês e crianças, mulheres chegam de madrugada aos centros de cadastramento, motivadas pela esperança de conseguir trabalho e melhorar a renda familiar. O programa, destinado a pessoas entre 18 e 67 anos inscritas no CadÚnico, oferece salário mínimo, cesta básica e vale-transporte. No Jardim Noroeste, bairro que teve crescimento populacional significativo nos últimos anos, as candidatas buscam principalmente vagas na área de limpeza, complementando a renda atual que vem de benefícios sociais e trabalhos informais.

Aliás, foi movida por isso que chegou às 3 horas de segunda-feira (dia 26) na fila em frente ao CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) Hercules Mandetta, no Jardim Noroeste.

Até bebê vai para a fila que é esperança de emprego das “mães do Bolsa Família”
Menino olha a movimentação por busca de emprego no Cras do Jardim Noroeste. (Foto: Henrique Kawaminami)

A jovem foi acompanhada pela filha de 8 meses, toda enroladinha no cobertor e no conforto do carrinho, e pela prima Railssa Silva, de 24 anos. O outro filho está no hospital e era acompanhado por um responsável.

Nayara conta que, caso consiga um posto de trabalho, vai procurar vaga na creche para os filhos. A ideia é melhorar a renda, que vem do Bolsa Família e da ajuda que recebe da mãe.

Até bebê vai para a fila que é esperança de emprego das “mães do Bolsa Família”
Cadastro em programa de emprego foi feito no Jardim Noroeste. (Foto: Henrique Kawaminami)

 Railssa afirma que a intenção é começar em algum serviço de limpeza. Há cinco meses desempregada, ela já foi caixa de supermercado e agente florestal. Nos punhos, as primas traziam números anotados com caneta.

A numeração marcava a ordem de chegada na fila. O recurso era para tentar diminuir as brigas, pois apareciam os retardatários querendo passar à frente.

A fila do Primt tem “cara” de mulheres e crianças. No Jardim Noroeste, em 12 anos, a população passou de 13.167 (2010) para 22.767 (2022), conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse total, 3.378 são crianças e adolescentes, na faixa etária até 14 anos.

Até bebê vai para a fila que é esperança de emprego das “mães do Bolsa Família”
"A minha renda é o Bolsa Família. Mas a gente precisa de um trabalho", diz Fernanda. (Foto: Henrique Kawaminami)

“As coisinhas dos filhos acabam” - A possibilidade de ter um emprego para a aumentar a renda levou Fernanda Vareiro Paredes, 30 anos, para a fila. Vinda há três anos de Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai, ela tem uma filha adolescente e um menino de 1 ano e 8 meses.

O sustento vem de programa de transferência de renda e algumas vendas.  “Eu trabalho vendendo enxoval em casa, mas a porcentagem que eu pego é pouca. A comissão é de 25% só. A minha renda mesmo é o Bolsa Família. Mas a gente precisa de um trabalho. Porque as coisinhas dos filhos acabam, o iogurte, a bolachinha” diz Fernanda. Ela busca uma vaga na área de limpeza.

Renata Agadir Barbosa da Silva, de 30 anos, tenta uma vaga do Primt pela primeira vez. O último trabalho com carteira assinada foi em 2021. “Agora, vendo as coisas em casa. Vendo roupas, lençol, tapetes. Eu recebo o Bolsa Família, o Mais Social. Eu sou baixa renda”.

Até bebê vai para a fila que é esperança de emprego das “mães do Bolsa Família”
Renata, que tem dois filhos, vende roupas para refoçar o orçamento doméstico. (Foto: Henrique Kawaminami)

Ela mora com os dois filhos, um adolescente de 14 anos e uma menina de 2 anos. “Eu cheguei aqui 4 horas da madrugada e fiquei em pé. Quando deu 6h, eles abriram e colocaram a gente na quadra”.

O Primt - As inscrições são destinadas às pessoas com idade entre 18 e 67 anos, inscritas no Cadastro Único do governo federal e que estejam desempregadas há pelo menos três meses. O programa também aceita a inscrição de imigrantes que residam em Campo Grande.

Até bebê vai para a fila que é esperança de emprego das “mães do Bolsa Família”
Fila para cadastro em programa de emprego na Vila Popular. (Foto: Marcos Maluf)

Os participantes recebem bolsa-auxílio mensal no valor de um salário mínimo (R$ 1.621), cesta básica e vale-transporte para o deslocamento até o local de trabalho. Também é oferecida qualificação profissional.

Em novembro do ano passado, o Primt chegou a ser paralisado por falta de recursos. Mas o cadastro foi reaberto em janeiro.  A reportagem questionou a Prefeitura de Campo Grande se pretende rever o modelo de distribuição de senhas e aguarda resposta.

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