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Cidades

Para médico, morte ou sequela é o destino das vítimas de acidentes no trânsito

Médico diz que quantidade de pacientes que chegam ao hospital com trauma aumentou 30%

Por Lucia Morel e Karine Alencar | 12/05/2022 07:50
Paciente internado na Santa Casa com trauma na perna após acidente de trânsito. (Foto: Kísie Ainoã)
Paciente internado na Santa Casa com trauma na perna após acidente de trânsito. (Foto: Kísie Ainoã)

“Uma sociedade normal tem que ter um controle melhor sobre o trauma”. Com essa premissa, o médico emergencista Rodrigo Quadros enfatiza que a quantidade de pacientes vítimas de acidentes de trânsito ou de outros que são considerados evitáveis – como em obras e com ferramentas, por exemplo – representa 40% das demandas da emergência da Santa Casa.

Em pleno Maio Amarelo, período em que se pretende chamar a atenção para os riscos e também para os cuidados a se ter no trânsito, o médico afirma que a quantidade de pacientes que chegam ao hospital com trauma aumentou pelo menos 30% em relação ao ano passado, quando ainda havia algum controle da pandemia e muitas pessoas evitavam sair de casa.

“Parece que todos ativaram o modo “louco” e pensam que, já que não se sabe quando vão morrer, querem aproveitar o máximo”, desabafa e reforça que o caos instalado atrapalha os demais atendimentos em que o hospital é referência, como cardiologia ou neurologia, por exemplo.

Também detalha que os que não morrem – no local ou no hospital – devido aos acidentes, têm sequelas e há uma série de outros custos. “Geralmente, quem se acidenta é jovem, então, incapacita de trabalhar, empobrece a família, sobrecarrega o sistema de saúde e o pior, decorre de algo que se pode prevenir”. O paciente politraumatizado ocupa leito hospitalar por pelo menos uma semana e dependendo da situação, pode se prolongar por meses.

Médico emergencista Rodrigo Quadros. (Foto: Kísie Ainoã)
Médico emergencista Rodrigo Quadros. (Foto: Kísie Ainoã)

Para Quadros, é possível reduzir os acidentes com “um trânsito mais educado, mais controle policial, multa de verdade, a pessoa ser presa se beber. No Japão, um amigo nosso foi pego sem CNH e foi pra cadeia. Aqui, se você dirige embriagado, no outro dia, você é solto. Isso é o tipo de coisa que não podemos aceitar mais e não compete mais a uma sociedade”.

Vítimas - Lucas dos Santos Paes, de 23 anos, é marceneiro. Está internado há uma semana e sem previsão de alta depois de ter batido sua moto e atropelado pedestre. “Fui desviar de um carro, entrei na contramão, bati num pedestre e acabei caindo, quebrando o joelho e rompendo os ligamentos”, contou. Ele ainda não passou por cirurgia, que foi desmarcada duas vezes por falta de vaga no centro cirúrgico.

O pintor João Lucas Santos, 24, viveu situação parecida, mas ao desviar de outro veículo, acabou batendo em poste de energia. “Era noite, um carro atravessou o pare, desviei, bati na sarjeta e bati no poste. Quebrei o ombro e a perna em três partes – tíbia, tornozelo e joelho”, lamentou. Ele operou o ombro dois dias após dar entrada na Santa Casa, mas há dez dias, espera por procedimentos no joelho, sem data prevista. Ele está internado há 12 dias.

Já o paciente Alison Sérgio Teixeira, 22 anos, mecânico de moto, é exemplo do desafio que é lidar com as sequelas. Ele se acidentou em fevereiro deste ano. “O cara que invadiu a pista furou a sinalização de pare e me acertou de lado. O impacto fez meu fêmur quebrar, coloquei um extensor e depois, fiz a cirurgia definitiva”, contou.

Paciente em maca no corredor do Pronto Socorro da Santa Casa. (Foto: Kísie Ainoã)
Paciente em maca no corredor do Pronto Socorro da Santa Casa. (Foto: Kísie Ainoã)

Alison teve uma luxação traumática do quadril com fratura do acetábulo. Seu procedimento definitivo foi em março deste ano e ele recebeu alta hospitalar dois dias após a cirurgia. Acontece que, em muitos casos, há intercorrências e com ele, não foi diferente. Ele teve uma trombose, tratou e também foi acompanhado pela equipe da cirurgia vascular via ambulatório, além da ortopedia.

Números – Somente em 2022, entre janeiro e abril, foram 1.273 pacientes que deram entrada vítimas de acidentes de trânsito atendidos pela Santa Casa. No mesmo período, foram registrados seis óbitos. Conforme a Santa Casa, “os atendimentos aos pacientes de trânsito em 2022 fizeram com que 344 pessoas passassem por alguma abordagem cirúrgica”.

Já em 2021, o hospital atendeu 2.998 pessoas nesta condição. Delas, 2.334 eram do sexo masculino e 664 do sexo feminino. “A quantidade impressiona, quando deste total de ocorrências, 2.206 envolveram motocicletas”, diz nota da instituição. No ano passado, 73 pessoas morreram depois de serem internadas em decorrência de acidentes de trânsito.

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