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PRF aponta trechos críticos e reforça debate sobre duplicação da BR-262

Levantamento mostra acidentes concentrados nos fins de semana e na chegada às cidades da rota

Por Inara Silva | 04/06/2026 08:46
PRF aponta trechos críticos e reforça debate sobre duplicação da BR-262
Trecho da BR-262 entre Terenos e Anastácio (Foto/Arquivo)

Os acidentes registrados na BR-262 entre Campo Grande e Aquidauana têm locais, dias e horários mais frequentes. Levantamento da PRF (Polícia Rodoviária Federal) aponta que a maior parte dos sinistros ocorre aos fins de semana, no fim da tarde e nas proximidades de Terenos e de Anastácio/Aquidauana. O diagnóstico foi apresentado durante audiência pública realizada em Aquidauana e reforçou o debate sobre a duplicação da rodovia, defendida como medida para ampliar a segurança e melhorar a logística regional.

RESUMO

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A PRF identificou padrões nos acidentes da BR-262 entre Campo Grande e Aquidauana: ocorrem principalmente aos fins de semana, entre 17h e 19h, nos trechos de Terenos e Anastácio. Em 2024, foram 71 sinistros, 29 graves e 11 mortes. O DNIT lançou licitação de R$ 11,6 milhões para estudos de duplicação dos 105,7 km entre Terenos e Anastácio. Audiência pública em Aquidauana resultou na Carta de Aquidauana, que apoia a duplicação da rodovia.

Os dados foram apresentados pelo inspetor da PRF e chefe da 3ª Delegacia da corporação em Mato Grosso do Sul, Francinildo Fernandes de Araújo. O levantamento reúne ocorrências registradas entre Campo Grande e Anastácio/Aquidauana, em um trecho de pouco mais de 120 quilômetros da BR-262.

Segundo a PRF, os acidentes se concentram em segmentos específicos da BR-262, analisados em blocos de 10 quilômetros. Um dos pontos mais críticos fica entre os Km 370 e 380, na região entre o distrito de Indubrasil e Terenos. De acordo com o inspetor, trata-se de um trecho com muitas curvas e grande circulação de ciclistas, o que exige atenção redobrada de todos os usuários da rodovia.

Outro trecho considerado preocupante está entre os quilômetros 480 e 490, que compreendem a área entre o posto da PMA (Polícia Militar Ambiental) e os acessos a Anastácio e Aquidauana. Segundo a PRF, a proximidade com os perímetros urbanos pode contribuir para o aumento do fluxo de veículos relacionado a deslocamentos de lazer e ao retorno de viagens. O inspetor também aponta uma hipótese adicional para explicar a concentração de ocorrências, que é a cobertura de telefonia celular nessas áreas. Para ele, a possibilidade de uso do aparelho ao volante pode se tornar um fator de desatenção e aumentar o risco de acidentes.

PRF aponta trechos críticos e reforça debate sobre duplicação da BR-262
Gráfico mostra maiores sinistos aos sábado e domingo, entre 18h e 19h. (Foto: reprodução/PRF)

E a falta de atenção está ainda entre as causas mais frequentes registradas pela corporação, que incluem ausência de reação do condutor, reação tardia ou ineficiente, sono ao volante e ingestão de álcool. Os tipos de ocorrência mais comuns foram saída de pista, colisão traseira, tombamento e colisão frontal.

Os dados também indicam padrões temporais, uma vez que os sábados e domingos concentram a maior quantidade de ocorrências, seguidos pelas segundas-feiras, ou seja, o fato sugere que os acidentes se concentram em momentos de aumento de fluxo rodoviário no início e fim da semana. Já os horários mais críticos estão entre 17h e 19h, período em que a PRF identifica maior incidência de sinistros.

PRF aponta trechos críticos e reforça debate sobre duplicação da BR-262
Fonte: PRF

Dados - De acordo com a PRF, os números mostram uma relativa constância no total de sinistros ao longo dos últimos anos no trecho Terenos-Aquidauana/Anastácio. Em 2020, foram registrados 65 casos. Em 2021, houve 54 ocorrências. O número voltou a subir para 71 em 2022, caiu para 63 em 2023 e retornou a 71 em 2024.

Apesar de não indicar crescimento contínuo, a série histórica chama atenção pela permanência de acidentes graves e mortes. Em 2024, o trecho registrou 29 sinistros graves e 11 mortes, mais que o dobro de qualquer ano anterior da série. No mesmo período, ocorreram 71 sinistros.

Em 2025, embora o total de sinistros tenha recuado levemente para 62 ocorrências, foram registrados 17 acidentes graves, cinco mortes e 74 pessoas feridas. No mesmo período, a PRF contabilizou dois atropelamentos de animais no trecho analisado. Segundo o inspetor, as ocorrências desse tipo são mais frequentes entre Miranda e Corumbá, na região do Pantanal, onde a presença de fauna silvestre próxima à pista aumenta o risco de colisões. Já em 2026, até 26 de maio, haviam sido registradas 26 ocorrências na rodovia.

O inspetor destaca que o impacto dos números vai além das estatísticas. "Para quem olha apenas o gráfico, pode parecer pouco. Mas para as famílias que perderam alguém nesses acidentes, é um absurdo", afirmou.

A fiscalização realizada no trecho também foi apresentada durante a audiência. Somente em 2025, a PRF registrou 9.220 autuações na rodovia. O excesso de velocidade lidera a lista de infrações, seguido por irregularidades em equipamentos obrigatórios, desobediência à fiscalização e infrações relacionadas ao transporte de carga.

Ao comentar os números, o chefe da 3ª Delegacia da PRF apontou possíveis fatores que podem estar associados à situação. Entre eles, o inspetor citou o aumento da circulação de caminhões de minério oriundos de Corumbá e a mudança de parte do fluxo turístico para Bonito após a pavimentação da MS-345, que passou a oferecer uma rota mais curta para motoristas que saem de Campo Grande.

O inspetor Francinildo ressaltou, contudo, que essas avaliações representam hipóteses levantadas a partir da observação operacional da PRF e não conclusões de estudos específicos sobre as causas dos acidentes.

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Chefe da 3ª Delegacia da PRF em MS, Francinildo Fernandes de Araújo, durante a audiência. (Foto: Divulgação)

Audiência Pública - Os dados foram apresentados durante audiência pública proposta pelo vereador Sargento Cruz (PP-MS), que defende a ampliação da BR-262. Segundo o parlamentar, a mobilização surgiu a partir de reclamações de usuários da rodovia sobre o aumento da circulação de veículos pesados, congestionamentos e acidentes registrados no trecho entre Campo Grande e Aquidauana.

Essas condições têm impactado diretamente o tempo de deslocamento. Um trajeto que normalmente leva entre 1h30 e 2 horas tem chegado a durar até 3 horas, segundo relatos apresentados na própria audiência pelo advogado e pesquisador Tiago Vedovato de Carvalho. Ele relatou uma experiência recente no trecho, ao retornar de Campo Grande.

“Eu passei por 38 caminhões às 20 horas. Cheguei na minha casa às 23h30”, afirmou, ao descrever o fluxo intenso de veículos pesados e o prolongamento da viagem.

De acordo com o vereador, uma comitiva da região esteve em março deste ano em Brasília para discutir melhorias na rodovia com representantes do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Na ocasião, a proposta inicial era a implantação de terceiras faixas. Posteriormente, a discussão passou a se concentrar na duplicação da BR-262.

PRF aponta trechos críticos e reforça debate sobre duplicação da BR-262
Trecho da BR-262, entre Campo Grande e Anastácio (Arte: Thainara Fontoura)

A audiência ocorreu em um momento considerado estratégico pelo vereador, pois pouco antes do encontro, o DNIT lançou a licitação para contratação dos estudos e projetos de engenharia necessários à futura duplicação do trecho entre Terenos e Aquidauana. Conforme informações apresentadas durante o evento, os trabalhos deverão incluir levantamentos topográficos, estudos geotécnicos, análises ambientais, avaliação da pavimentação, adequações geométricas da rodovia e medidas voltadas à proteção da fauna silvestre.

Carta - Ao final da audiência, que foi realizada em 29 de maio, foi elaborada a chamada Carta de Aquidauana, documento que reúne as principais reivindicações e encaminhamentos discutidos durante o encontro. O texto registra apoio à continuidade dos estudos para duplicação da BR-262 e destaca a necessidade de que a obra seja planejada em conjunto com ações de segurança viária, proteção ambiental e desenvolvimento regional. A carta é assinada pelos participantes da audiência, entre eles, autoridades municipais, pesquisadores, parlamentares federais, além de representantes do DNIT e PRF.

Duplicação da BR - O DNIT lançou a licitação no valor de R$ 11.650.868,17 para a contratação da elaboração dos estudos e projetos de engenharia da duplicação da BR-262/MS, no trecho entre Terenos e Anastácio, que totaliza 105,7 quilômetros. O edital foi publicado nesta quarta-feira passada (27) no Diário Oficial da União, com abertura das propostas prevista para 17 de julho, às 9h (horário de MS).

PRF aponta trechos críticos e reforça debate sobre duplicação da BR-262
Autoridades que participaram da audiência pública sobre a ampliação da BR-262. (Foto: Divulgação)

A contratação foi dividida em duas etapas: a primeira abrange o trecho entre o entroncamento da MS-352/355, em Terenos, e o entroncamento da MS-162, acesso a Dois Irmãos do Buriti, do km 383,9 ao km 443,8, com 59,9 km de extensão e custo estimado de R$ 6.061.050,64; já a segunda etapa vai da MS-162 até o entroncamento com a Avenida JK, em Anastácio/Aquidauana, do km 443,8 ao km 489,6, com 45,8 km e valor previsto de R$ 5.589.817,53.

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