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Cidades

Projeção indica mais de 100 mil vítimas da covid em MS, 3 vezes o dado oficial

Segundo especialista, a incapacidade de se realizar testes em toda população provoca a subnotificação

Por Lucia Morel | 10/08/2020 16:34
Milhares de pessoas no Estado podem já ter sido contaminadas e nem ao menos sabem disso. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Milhares de pessoas no Estado podem já ter sido contaminadas e nem ao menos sabem disso. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Mato Grosso do Sul contabiliza nesta segunda-feira, 31.739 casos confirmados de covid-19, mas o número real pode ser 3,2 vezes maior que o oficial, segundo especialista. Apesar do Estado ter uma média boa de testagem, ainda é abaixo do necessário, o que provoca essa subnotificação.

Estima-se que, na realidade, 101.564 pessoas em MS já tenham sido infectadas com o novo coronavírus, mas não procuraram fazer exames e não foram contabilizadas nos dados oficiais. Geralmente, isso ocorre com quem tem sintomas leves, que acaba não procurando nem atendimento médico nem testes.

O infectologista Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), explica que o número de casos real pode ser estimado levando-se em conta a taxa de letalidade, que no Estado está em 1,6%. Isso significa que dos 31.789 confirmados com covid em MS, 1,6% deles - mesmo que 523 – foram a óbito.

A taxa de letalidade normal da doença é de 0,5%, quando se leva em conta os dados contabilizados em países e localidades por onde a doença já passou e que chegaram a uma testagem em massa da população.

Com base nisso, pesquisadores avaliam que toda taxa de letalidade acima de 0,5% indica que a notificação de novos casos está abaixo do total real. Assim, em MS, a taxa de 1,6% está 3,2 vezes maior que a normal, que é 0,5%, o que pressupõe que os casos reais sejam maiores nessa mesma proporção.

“Mato Grosso do Sul ainda está bem, porque em outras regiões do país, essa média é de seis a sete vezes maior, mas aqui estamos testando bem. No entanto, o momento é crítico, é um momento de inflexão, por que vínhamos bem, estávamos tendo uma resposta boa em relação à doença, mas chegou o momento crítico, de aumento substancial de casos. Ou se tomam decisões baseadas cientificamente ou os indicadores vão piorar”, avalia.

Média móvel – O especialista afirma isso levando em conta a média móvel de casos registrados em MS e em Campo Grande, que “não apresentam nenhum sinal de estabilização”.

Curva não aparenta sinais de estabilização. (Fonte: CIIS/USP)
Curva não aparenta sinais de estabilização. (Fonte: CIIS/USP)

Para se ter uma ideia, pelo do CIIS (Centro de Informação e Informática em Saúde) da USP (Universidade de São Paulo), a média móvel de casos novos de covid-19 em Mato Grosso do Sul é de 709 novos casos por dia e 15 de óbitos, com dados até 7 de agosto.

Em Campo Grande é de 481,4 por dia, diante dos dados analisados até 6 de agosto. Já as mortes, são em média nove ao dia. Em ambos os casos, os gráficos apresentam curvas crescentes.

Alguma estabilização de casos, ou mesmo, redução, deve ser verificada quando a média móvel em sete dias seguidos for a mesma, mas não é o que ocorre. Pelos dados da CIIS, no dia 27 de julho, houve 737 confirmações no Estado. Mesmo valor registrado uma semana depois, 4 de agosto.

Atualmente, a taxa de contágio, que é outro indicador em relação ao avanço da covid-19 nas regiões, indica que de 10 pessoas infectadas em Campo Grande, outras 13 são contaminadas, sendo que o índice varia de 1,1 a 1,3, segundo o site Farol Covid, o que é considerado ruim, já que o ideal é a taxa estar abaixo de 1. No Estado, a taxa varia de 1,2 a 1,3, indicando que de cada dez pessoas, de 12 a 13 são contaminadas.

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