Sesau atribui fila de cirurgias cardíacas pediátricas à complexidade e demanda
Segundo a pasta, a Santa Casa recebe pacientes de todo o Estado, que precisam de avaliações multiprofissionais
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) relatou que a demora para a realização de cirurgias cardíacas pediátricas em Mato Grosso do Sul é devido à complexidade e disponibilidade de leitos especializados. A manifestação ocorre após a divulgação de inquérito civil instaurado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para apurar as medidas adotadas para reduzir a fila de espera de crianças que aguardam os procedimentos na Santa Casa de Campo Grande.
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Em nota encaminhada à reportagem, a secretaria afirmou que a Santa Casa é referência estadual para o atendimento de gestantes de alto risco, recém-nascidos com cardiopatias congênitas e outros casos de elevada complexidade, recebendo pacientes de diversos municípios sul-mato-grossenses, sendo esse um dos motivos para a espera.
A pasta também destacou que a especialidade possui particularidades assistenciais que impactam diretamente o andamento da fila. Segundo a Sesau, muitos pacientes necessitam de avaliações multiprofissionais, acompanhamento por diferentes especialidades médicas, atualização periódica de exames e condições clínicas adequadas para a realização das cirurgias com segurança.
Conforme a secretaria, os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal e pediátrica utilizados como suporte para esses atendimentos são os mesmos que servem de retaguarda para as cirurgias cardíacas pediátricas e para procedimentos de cateterismo cardíaco, tornando a gestão desses recursos dependente da disponibilidade assistencial.
A resposta foi enviada após reportagem mostrar que o Ministério Público converteu em inquérito civil a apuração sobre a fila de espera. Documentos do procedimento indicam que, no início de 2026, ao menos 31 crianças aguardavam cirurgia cardíaca pediátrica, enquanto outras 42 esperavam por consulta especializada para definição da necessidade do procedimento. Há ainda registros de pacientes na fila desde 2019.
Nos autos, a Santa Casa informou ao MPMS que as cirurgias eletivas não foram retomadas porque os seis leitos de UTI destinados ao pós-operatório permaneciam ocupados por recém-nascidos submetidos a procedimentos de urgência e emergência. O hospital também relatou dificuldades relacionadas ao desabastecimento de materiais médico-hospitalares, órteses, próteses e materiais especiais, além da paralisação do serviço de anestesia no último trimestre de 2025.
Segundo a Sesau, a Gerência de Regulação Hospitalar realiza reuniões mensais com a Santa Casa para monitorar a fila, identificar desafios operacionais e discutir estratégias para ampliar o acesso ao tratamento. Entre as medidas citadas estão o alinhamento dos fluxos regulatórios e assistenciais, a atualização da situação clínica dos pacientes, tentativas de contato com as famílias e articulação com as centrais de regulação dos municípios de origem.
A secretaria afirmou ainda que acompanha continuamente a situação em conjunto com a Santa Casa e que busca aperfeiçoar os processos assistenciais e regulatórios para ampliar o acesso às cirurgias e reduzir o tempo de espera.
O inquérito segue em andamento no Ministério Público. Uma reunião entre representantes do MPMS, da SES (Secretaria de Estado de Saúde), da Sesau e da Santa Casa está marcada para 30 de julho, quando deverão ser apresentados dados atualizados sobre a fila e as medidas adotadas para aumentar a oferta de cirurgias cardíacas pediátricas no Estado.


