Fila de cirurgia cardíaca infantil tem pacientes à espera desde 2019 em MS
Inquérito do MPMS aponta 31 crianças aguardando procedimento e investiga medidas para reduzir demanda

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para apurar as medidas adotadas para reduzir a demanda reprimida de cirurgias cardíacas pediátricas na Santa Casa de Campo Grande. Documento produzido pelo órgão aponta que há pacientes à espera desde 2019.
RESUMO
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou inquérito civil para apurar a demanda reprimida de cirurgias cardíacas pediátricas na Santa Casa de Campo Grande, onde pacientes aguardam desde 2019. Em março de 2025, havia 83 crianças na fila; em setembro, 61. Cirurgias eletivas foram suspensas por falta de materiais e problemas no serviço de anestesia. Uma reunião entre as partes está prevista para 30 de julho.
No início de 2026, pelo menos 31 crianças aguardavam pelo procedimento, enquanto outras 42 solicitações estavam pendentes para consulta em cirurgia cardíaca pediátrica, etapa que antecede a definição da necessidade de cirurgia.
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Atualmente, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), apenas a Santa Casa possui habilitação para realizar cirurgias cardíacas pediátricas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Mato Grosso do Sul, atendendo pacientes de todo o Estado.
O caso começou a ser apurado em 2025, por meio de uma Notícia de Fato instaurada pelo MPMS. Diante das informações reunidas, o procedimento foi convertido em inquérito civil para investigar as medidas adotadas pela Prefeitura de Campo Grande, pelo Governo do Estado e pela Santa Casa para reduzir a fila de espera.
Nos autos, a Santa Casa informou ao Ministério Público que ainda não havia adotado planejamento para retomar as cirurgias eletivas porque os seis leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados ao pós-operatório estavam ocupados por recém-nascidos submetidos a procedimentos de urgência e emergência. Segundo o hospital, a situação impedia a realização das cirurgias programadas.
Em março de 2025, a fila de espera contava com 83 crianças. Em setembro do mesmo ano, o número caiu para 61 pacientes. Apesar da redução, o Ministério Público destaca que, desde outubro de 2025, todas as cirurgias cardíacas pediátricas realizadas na instituição ocorreram em caráter de urgência ou emergência.
De acordo com a Santa Casa, as cirurgias eletivas foram suspensas devido ao desabastecimento de materiais médico-hospitalares e de órteses, próteses e materiais especiais, além da paralisação do serviço de anestesia no último trimestre de 2025.
O hospital informou ainda que a priorização dos pacientes segue critérios de gravidade. Crianças com cardiopatias congênitas mais complexas e recém-nascidos que necessitam de cirurgia imediata têm preferência, assim como pacientes com cardiopatias congênitas cianóticas que aguardam procedimentos eletivos.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que, até abril de 2026, tanto a Sesau quanto a SES (Secretaria de Estado de Saúde) ainda não haviam respondido integralmente aos questionamentos sobre judicializações, gastos públicos e medidas adotadas para enfrentar a fila de espera.
Em nota, a SES informou que acompanha permanentemente a assistência prestada, mantendo diálogo com os serviços habilitados e monitorando a execução dos atendimentos. A secretaria, no entanto, não respondeu aos questionamentos sobre judicializações e medidas específicas para reduzir a fila.
A Sesau e a Santa Casa não responderam aos pedidos de posicionamento da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
O inquérito segue em andamento. Uma reunião entre Ministério Público, SES, Sesau e Santa Casa está marcada para 30 de julho, quando deverão ser apresentados dados atualizados sobre a fila de espera e as medidas para ampliar a oferta de cirurgias cardíacas pediátricas no Estado.
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