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Capivara Criminal

Nino e Bia: casal sintetiza a máxima "caixão ou cadeia"

Rapaz de 21 anos está preso pelo assassinato da ex-namorada, com quem formou dupla conhecida em delegacias

Por Marta Ferreira | 28/02/2021 15:20
Hércules, à esquerda, está preso por assassinar "Bia", com quem compartilhou pelo menos cinco anos de namoro e atos ilícitos. (Foto: Reprodução das redes sociais)
Hércules, à esquerda, está preso por assassinar "Bia", com quem compartilhou pelo menos cinco anos de namoro e atos ilícitos. (Foto: Reprodução das redes sociais)

Nino e Bia. Bem podia ser nome de filme, de livro, de canção de amor, poesia... Mas está mais para a alcunha de casais que têm encontros fadados a acabar mal por escolherem a margem da lei, a bandidagem compartilhada.

Só que na vida real, não há o glamour das aventuras a dois da ficção: “é caixão ou cadeia”, no duro linguajar popular.

Hércules Alves de Souza, o “Nino”, tem 21 anos e está preso desde o dia 22, à espera de conclusão de inquérito. Yasmin Beatriz de Almeida Guedes, a “Bia”, morreu pouco mais de cem dias depois de fazer 18 anos, no dia 28 de setembro do ano passado, no Jardim Colibri, em Campo Grande.

A jovem levou oito tiros, disparados por “Nino”, depois de tentar romper a relação obviamente tóxica. O corpo ficou estendido na rua, ao lado do capacete de motocicleta.

Ele ficou foragido, vivendo como clandestino do dia do crime até esta semana, quando foi localizado por policiais civis na segunda-feira (22).

Na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) não quis detalhar seus “motivos” em depoimento, deixou para a fase judicial. Mas a apuração dos policiais indica roteiro típico dos feminicídios: matou a ex-namorada ao descobrir um novo relacionamento.

Foi o fim da parceria de amor e crimes iniciada quando ela tinha seus 15 anos, e ele ainda não havia chegado à maioridade.

No Facebook, a despedida da mãe de Yasmin Beatriz citou o "amor bandido" e suas consequências. (Foto: Reprodução do Facebook)
No Facebook, a despedida da mãe de Yasmin Beatriz citou o "amor bandido" e suas consequências. (Foto: Reprodução do Facebook)

A "Capivara Criminal" apurou que o casal era conhecido nos ambientes policiais. Juntos, Hércules e Yasmin Beatriz acumulavam quase três dezenas de registros de atos fora da lei, em diversas unidades de segurança.

Carro roubado e dinheiro falso- Em um deles, de outubro de 2017, quando ela tinha 15 anos e ele 18, a dupla  foi pega na rodovia em Sidrolândia, a caminho do Paraguai, em uma Montana vermelha furtada. A empreitada ilegal era “atravessar” o carro para o país vizinho.

“Nino” contou que receberia mil reais para a tarefa. Foi enquadrado em receptação.

Também estava com uma nota de cinquenta reais grosseiramente falsificada.

Na ficha corrida dele, há uma quinzena de registros desde 2015, época do primeiro flagrante por tráfico de drogas. Tinha, então, 16 anos.

Quando matou “Bia”, Hércules estava foragido do sistema prisional. Devia estar cumprindo pena por roubo. Mas continuava cometendo crimes, de tráfico a assaltos.

Ela, aos 18 anos, tinha 12 boletins de ocorrência com seu nome, dois deles nos quais aparece como vítima e o restante como autora de ilícitos.

Ao ser morta, também figurava na condição de fugitiva, pois tinha mandado de prisão em aberto por posse ilegal de arma.

Bia estreou a “capivara” com um assassinato, no dia 15 de julho de 2016. A vítima foi Carlinda Verônica dos Santos, 51 anos, atingida por um tiro no olho, em uma boca de fumo no Jardim Uirapuru.

Nesse dia, foi Hércules quem socorreu a namorada, transportando-a para a casa da tia. Ela acabou capturada horas depois e, a partir dali, outros atos criminosos foram se sucedendo.

Segundo tudo que foi dito desde o assassinato, foi a partir do convívio com Hércules que “Bia” se transformou. Agora, cinco anos depois, duas famílias vivem a herança ruim do relacionamento.

A dela, chora a morte. A dele, espera a conclusão de inquérito que pode levá-lo ao banco dos réus por crime com pena de até 30 anos de reclusão.

No local onde "Bia" foi achada morta, o vestígio do crime sangrento. (Foto: Arquivo)
No local onde "Bia" foi achada morta, o vestígio do crime sangrento. (Foto: Arquivo)


(*) Marta Ferreira, que assina a coluna “Capivara Criminal”, é jornalista formada pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), chefe de reportagem no Campo Grande News. Esse espaço semanal divulga informações sobre investigações criminais, seus personagens principais, e seu andamento na Justiça.

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