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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

27/05/2010 07:59

Anistia denuncia lobby de fazendeiros contra demarcação

Redação

A principal entidade mundial de combate as violações de direitos humanos destaca no relatório anual crime contra índios em Mato Grosso do Sul, especificamente, os assassinatos de dois professores guarani, durante confronto em Paranhos, na fronteira com o Paraguai.

O lançamento do relatório anual da ONG Anistia Internacional ocorreu ontem, em Londres/Inglaterra.

Sobre Mato Grosso do Sul, o documento destaca que "o Estado continuou a ser foco de abusos graves contra os direitos humanos dos povos indígenas do Brasil. O governo estadual e o poderoso lobby dos produtores rurais fizeram uso dos tribunais para impedir a identificação de terras indígenas", destaca.

Desde de 2008 a Funai tenta colocar em prática os estudos antropológicos na região sul e em Miranda, onde vive3m os índios da etnia terena.

O relatório se baseou em observações realizadas durante os meses de janeiro a dezembro de 2009, com visitas de representantes da Anistia Internacional em maio e dezembro.

No documento, está registrada a morte do professor guarani Genivaldo Vera e o desaparecimento do primo e colega de profissão Rolindo Vera, depois de confronto com capangas de fazendeiros em Paranhos, em novembro.

Seis meses depois do desaparecimento, apenas o corpo de Genivaldo foi encontrado, com perfurações, boiando em rio da região.

"Índios do acampamento Apyka'y também sofreram ao serem expulsos de suas terras e terem que viver em condições precárias à beira de uma rodovia", detalha também a Anistia sobre o grupo Guarani-Kaiowá do Curral de Arame está acampado às margens da BR-463, há aproximadamente 7 km de Dourados.

Segundo a Funai, por duas vezes o grupo tentou voltar aos territórios originários. Em junho de 2008, houve uma ocupação de um pequeno pedaço da Fazenda Serrana,mas a estratégia da fazenda foi "sitiar os índios através dos serviços da empresa de segurança Gaspem, que impedia que a Funasa [Fundação Nacional de Saúde] e a Funai promovessem atendimento e assistência médica, denunciou naquela época o MInistério Público Federal.

Com a reintegração de posse, os índios foram obrigados a ocupar a outra margem da BR-463, por causa de obras de duplicação da rodovia.

Fome - No relatório, novamente são citados problemas que há décadas colocam em risco as populações indígenas sul-mato-grossenses.

"Os guarani-kaiowá estão sofrendo uma pobreza extrema, subnutrição e continuam sofrendo ataques de representantes de companhias de segurança privada e de [forças] regulares. Continuam sendo despejados e forçados a viver na beira da estrada em condições de extrema pobreza e muitas vezes são forçados a trabalhar em condições irregulares", afirmou ao jornal O Estado de São Paulo, o representante da Anistia Internacional, Tim Cahill.

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