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Campo Grande, Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

12/11/2015 07:20

Após interdição da rodoviária, o que pode ser feito para evitar transtornos

Da Redação
Mário César Borges - Diretor da Empresa Cosenge Consultoria e Engenharia Ltda.Mário César Borges - Diretor da Empresa Cosenge Consultoria e Engenharia Ltda.

Iniciar obras ou reformas sem projeto contra incêndio pode inviabilizar o uso do prédio ou gerar altos custos para adequações posteriores. Em entrevista, o Engenheiro Mário César Borges fala sobre a importância de elaborar um projeto e instalar os equipamentos mínimos de segurança contra incêndio, antes de pedir a vistoria dos Bombeiros.

Mário César ainda fala sobre quais os setores do Estado que são mais negligentes com a área de segurança, e ainda dá dicas para quem quer construir ou reformar.

Recentemente os Bombeiros interditaram a antiga rodoviária de Campo Grande, o que o senhor tem a comentar sobre isso?

É importante salientar que o local não atendia as normas mínimas de segurança e também não havia um projeto de segurança contra incêndio protocolado nos Bombeiros, situação que vinha se arrastando por muitos anos. Mas é fundamental que esta situação sirva de exemplo para que outras empresas busquem se adequar, não só pela legalidade mas também pela segurança dos frequentadores e preservação do patrimônio do empresário. Em muitos casos o custo de regularização é menor que o valor da multa aplicada pelos Bombeiros.

Como engenheiro especializado nesta área de segurança contra incêndios, quais os setores em MS que mais negligenciam esta área de segurança e por que?

De forma geral a maioria dos empreendimentos estão passando por modernizações em seus sistemas preventivos e na Cosenge notamos um aumento significativo na contratação de projetos de segurança contra incêndio e no intuito de regularização por parte das empresas. Mas podemos citar como o setor mais crítico em termos de resistência ou demora em regularização é o de casas noturnas, salões de festas, bares e restaurantes, principalmente porque em alguns casos a legislação exige a instalação de saídas de emergências adicionais, inversão no sentido de abertura e instalação de barras antipânico nas portas, o que gera em alguns casos a perda da porta, o que acaba causando este retardamento.

Quais os itens básicos de segurança contra incêndio que devem haver em locais de grande circulação, como boates, hospitais, casas de cultura e igrejas, por exemplo?

Inicialmente deve-se fazer um calculo populacional que defina a quantidade de público máxima permitida para aquele ambiente, depois devemos calcular as larguras das escadas e portas de saídas de emergências proporcionais a este público. Outro aspecto fundamental é que a legislação define um percurso máximo que as pessoas devem percorrer para sair da edificação, que pode variar de 40 a 90 metros, dependendo da ocupação e do tipo de equipamento preventivo instalado, que são exigidos proporcionalmente ao risco da edificação.

Os empresários reclamam dos custos para adequação as normas de segurança, o que o senhor acha disso?

Certamente isto ocorre, mas aos poucos está havendo uma mudança nesta cultura pois o empresário entende que uma edificação de elevado valor pode ser totalmente destruída em função da inexistência de um equipamento preventivo de incêndio que significa 3 a 5% do valor total do imóvel. Dependendo da intensidade do fogo, além do risco para as pessoas toda a edificação pode ser perdida até que os Bombeiros cheguem.

Poderíamos dizer que a população não sabe a diferença entre a aprovação de um projeto junto ao Corpo de Bombeiros e a realização de um projeto de segurança contra incêndio?

Há uma grande confusão neste caso. Não é difícil verificar empresas que requerem a vistoria dos Bombeiros sem que tenham antecipadamente elaborado e protocolado , o que pode levar a uma notificação, multa ou até a interdição pelos Bombeiros.

Que recomendação o Senhor daria aos arquitetos e às pessoas que estão querendo construir ou reformar para que não tenham problemas em uma vistoria dos Bombeiros?

É importante salientar que sem o Certificado de Vistoria do Corpo de Bombeiros não é possível obter o habite-se e o alvará de funcionamento municipal. É comum analisarmos o projeto de uma construção em andamento e infelizmente precisamos recomendar que sejam aumentadas a largura de saídas de emergência e em alguns casos suprimir pavimentos de um edifício em função de uma escada com largura insuficiente. Também por falta de planejamento, acontece de não haver alimentação elétrica para pontos de iluminação de emergência ou o reservatório de água não possui o volume necessário para a reserva de incêndio, situações estas que causam prejuízos e transtornos em uma obra pronta. Por isso, recomendamos que os projetos de segurança contra incêndio sejam realizados juntamente com o desenvolvimento da arquitetura e antes dos projetos elétricos e hidráulicos da edificação.

É por este motivo que os Bombeiros estão notificando obras em andamento sem projeto contra incêndio?

Exatamente. O propósito dos Bombeiros ao fiscalizar obras que são iniciadas sem ter um projeto contra incêndio é evitar transtornos e necessidades de adequações depois da obra pronta, o que também é positivo para o empreendedor.

Perfil: Mário César Borges, Graduado em Engenharia Civil pela UFMS em 1988, é Diretor da Empresa Cosenge Consultoria e Engenharia Ltda com sede em Campo Grande, fez especialização em Marketing pela ESPM, Curso de especialização em resistência ao fogo de estruturas pela University of Cincinnati/EUA e foi o responsável pela elaboração de diversos projetos de segurança contra incêndio no estado de MS, dentre eles o Aquário do Pantanal, Unidade de Fertilizantes da Petrobrás, Usinas de Etanol, Loja Zara, Outback, Tok&Stok e Shopping Campo Grande.



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