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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

24/01/2012 14:13

Campo Grande terá 32 mil casas borrifadas após 199 casos de leishmaniose

Fernando da Mata

Residências de oito bairros terão aplicação de inseticida por terem apresentado maior incidência de casos nos últimos três anos

Agente do CCZ aplicando veneno em casa (Foto: Marlon Ganassin)Agente do CCZ aplicando veneno em casa (Foto: Marlon Ganassin)

O número de casos confirmados de leishmaniose visceral humana chegou a 199 no ano passado em Campo Grande, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Desse total, três pessoas morreram vítimas da doença.

Comparado com 2010, foram confirmados 20 casos a mais em 2011, apesar do número de óbitos ter caído de sete para três de um ano para outro. No início deste ano, oito casos suspeitos estão sendo investigados.

Com o objetivo de prevenir a transmissão da doença para humanos, 70 agentes de saúde do CCZ (Centro de Controle de Zooneses) vão borrifar inseticida em 32 mil residências em oito bairros da cidade.

O gerente técnico do Programa Leishmaniose-Vetor do CCZ, Eliaze Luizo Guimarães, disse que a aplicação do veneno é feita em determinadas regiões com base nos casos registrados nos últimos três anos.

“O inseticida tem como objetivo minimizar o contato do vetor [mosquito] com outras pessoas, para que não entrem nas casas e se alimentem de sangue humano”, explicou Guimarães, que complementou ainda que os cães não ficam protegidos pela borrifação por viverem nos quintais.

Neste mês, os agentes estão borrifando moradias nos bairros Lageado e Santo Amaro. Até abril, o trabalho será feito também no Aero Rancho, Coronel Antonino, Vila Nasser, Jardim Panamá, Vila Popular e Tiradentes. Essas regiões foram selecionadas por terem apresentado maior incidência de casos de leishmaniose.

Visita dos agentes - Nesta terça-feira (24), agentes do CCZ visitaram casas na Vila Almeida, região noroeste de Campo Grande. A supervisora de área, Vanuza dos Santos, detalhou o procedimento.

“Se o morador autorizar, o agente entra e orienta que tem que afastar móveis, cobrir objetos e alimentos. Depois, ele prepara a bomba e aplica o veneno na parede de dentro e de fora da casa.”

Depois que o veneno é aplicado, os moradores da residência devem aguardar pelo menos uma hora para entrar e limpar. De acordo com Vanuza, o efeito do inseticida dura aproximadamente quatro meses e pode matar ou espantar outros tipos de bichos, como baratas e formigas.

O gerente de controle da leishmaniose do CCZ ressalta a importância das pessoas deixarem o agente de saúde entrar na casa e fazer a borrifação.

“É uma ação importante para evitar contato do mosquito com pessoas. Muitos acabam recusando porque é um trabalho que traz transtornos ao morador, pois tem que desarrumar a casa, cobrir móveis, ficar fora da casa ainda uma hora depois”, destacou Guimarães.

A doença - Conforme o Ministério da Saúde, a leishmaniose visceral é uma doença infecciosa, mas não contagiosa, causada por protozoário da família Tripanosoma, gênero Leishmania e espécie Leishmania chagasi.

A transmissão ao homem ocorre por meio da picada de fêmeas de flebotomíneos da espécie Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi, conhecidos popularmente como ‘mosquito-palha, birigui, asa branca, tatuquira e cangalhinha’.

Os sintomas mais frequentes são febre e aumento do volume do fígado e do baço, emagrecimento, complicações cardíacas e circulatórias, desânimo, prostração, apatia e palidez. Pode haver tosse, diarreia, respiração acelerada, hemorragias e sinais de infecções associadas. Quando não tratada, a doença evolui podendo levar à morte até 90% dos doentes.

Frentes contra a leishmaniose - Segundo o CCZ, o combate à leishmaniose está alicerçado em quatro frentes: diagnóstico precoce, controle do reservatório (cão doméstico), controle do vetor e educação e saúde (mudança de hábitos).

Guimarães lembrou que a principal ação de controle do vetor é a ambiente, pois o mosquito se reproduz em matéria orgânica. “Infelizmente, os terrenos e as casas estão cheias de folhas e frutos no quintal, sem limpeza adequada”.

A população deve manter o quintal limpo e não jogar lixo nos locais públicos. Inclusive, uma praça na rua Colorado, Vila Almeida, foi flagrada pelo Campo Grande News com mato alto e material orgânico acumulado, que podem contribuir na proliferação do mosquito-palha.

Trabalho de borrifação foi feito em casas na Vila Almeida nesta terça (Foto: Marlon Ganassin)Trabalho de borrifação foi feito em casas na Vila Almeida nesta terça (Foto: Marlon Ganassin)
Praça na Vila Almeida com mato alto e material orgânico acumulado (Foto: Marlon Ganassin)Praça na Vila Almeida com mato alto e material orgânico acumulado (Foto: Marlon Ganassin)


Parabéns pela máteria. Sou aluna USP desenvolvo um curativo para liberação do glucantime para o tratamento da leishmaniose cutânea. E gostaria dos dados estatísticos recentes nacional, pois não estou conseguindo essas informações. Encontro apenas dados regionais... e dados nacionais só até de 2005. Por favor se algém tiver alguma informação sob esses dados atualizados me mande.
Obrigada
 
Maria José Alves de Oliveira em 20/02/2012 04:13:34
pq vcs não fazem a matéria sobre o insetisida q esta vencido há mais de 3 anos,desse jeito o mosquito nunca irá morrer,é só apurar os fatos e os dados de casos de leishmaniose sao de 2010,do ano passado nao tem pq nao foi feito a coleta de sangue dos caes em todos os bairros , esse CCZ é uma desorganização total...obrigado
 
Anderson Martins em 25/01/2012 08:56:03
A população tem que participar do Controle deixando seus quintais limpos sem material orgânico exposto: lixo, restos de frutas, jardins "sujos"... pois nestes ambientes que os insetos se reproduzem.
 
Casa Branca Desinsetizadora em 24/01/2012 10:25:05
Ouvi esse papinho de borrifação o ano de 2011 inteiro, porém nunca ví nenhum agente borrifando aqui na capital.
 
Marcelo Max em 24/01/2012 09:18:40
Essa borrifação é muito importante para a prevenção da doença, parabéns ao nosso prefeito Nelsinho que busca cada dia mais soluções para os problemas da população.
 
Maria Helena em 24/01/2012 08:55:10
Finalmente vemos uma ação eficaz de combate a essa doença. Se matar cachorro fosse solução, não estaríamos falando sobre leishmaniose, depois do extermínio de milhares de cães pelo CCZ nos últimos 10 anos. Com uma nova abordagem de conscientização de que quem causa a doença é o mosquito e que é ele quem deve ser combatido, talvez tenhamos melhores estatísticas no ano que vem.
 
Bruna Macedo em 24/01/2012 07:33:34
Se for internado nesse período, só vai começar a tomar a medicação no outro dia após às 7hs. Pela gravidade da doença, por atingir orgãos vitais como, baço, figado, rins e medula óssea, essa medicação devia ser entregue 24hs. Graças a Deus após um mês meu filho está em casa. Papais e Mamães: Febre alta e frequente em bebes, nem sempre são os dentinhos nascendo, como dizem no posto de saúde!
 
Giovani L. Freitas em 24/01/2012 06:03:34
estou indignado, embora não tenha perdido a esperança de ver essa borrifaçao ser realizada na minha residencia, uma vez que atraves de exames laboratoriais realizado foi detectado leishmaniose na minha cadela de estimação. procurei o CCZ e fui informado por funcionários do setor que eu teria que levar o cão até o CCZ, e o mesmo foi sacrificado e apos varios dias não informaram sobre a borrifação.
 
LUIZ CASTRO em 24/01/2012 05:21:49
Excelente essa matéria, principalmente porque ilustrou muito bem a questão da origem do problema do mosquito, que é o lixo e o relaxismo humano. Acredito que pela 1ª vez vemos uma reportagem isenta, que não tenta jogar a culpa nos cães e colocar o sacrifício como medida de controle. E o órgão responsável também merece o mesmo reconhecimento. ATÉ QUE ENFIM. E tomara que essa visão dure.
 
Madalena Sortioli em 24/01/2012 04:51:09
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