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Capital

Absolvido na Operação Omertà, policial civil é reintegrado ao cargo

Márcio Cavalcanti da Silva foi investigado, mas não teve relação comprovada com quadrilha

Guilherme Correia | 23/05/2023 10:55
Márcio Cavalcanti da Silva chegou a ser preso em 2019, durante as investigações da Operação Omertà. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Márcio Cavalcanti da Silva chegou a ser preso em 2019, durante as investigações da Operação Omertà. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul revogou afastamento compulsório do policial civil Márcio Cavalcanti da Silva, após decisão judicial favorável, bem como a constatação de capacidade laborativa por parte da Ageprev (Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul). Ele foi investigado pela Operação Omertà, que visava combater milícia armada no Estado.

A decisão referente ao processo nº 0915362-43.2019.8.12.0001, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, absolveu o investigador e anulou medidas cautelares anteriormente estabelecidas. A decisão reconheceu a inocência do policial e resultou na reintegração ao cargo.

Márcio Cavalcanti da Silva é ocupante do cargo de agente da Polícia Civil, na função de investigador, lotado na Derf (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos). O afastamento compulsório havia sido determinado pela portaria "P" CGPC/MS/Nº 30, de 1º de outubro de 2019, publicada no Diário Oficial do Estado nº 9.999, de 2 de outubro de 2019.

Com a revogação do afastamento, a Polícia Civil informou à Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) sobre a reintegração. A portaria que estabeleceu tal decisão é a "P" CGPC/MS/Nº 012, publicada em 23 de maio de 2023, e assinada pelo corregedor-geral e delegado Clever José Fante Esteves.

Absolvição - O Poder Judiciário absolveu Márcio Cavalcanti da Silva após nenhuma prática ilícita ter sido confirmada pelas investigações. Em 2019, quando tinha 63 anos, o então policial civil afastado chegou a ficar em presídio federal na Capital e negou participação em qualquer plano para ataque ao delegado Fábio Peró, um dos motivos da transferência para a unidade penal.

Também foram absolvidos, em 2022, Alcinei Arantes da Silva (ex-guarda civil metropolitano), Andrison Correia (militar reformado do Exército), Eltom Pedro de Almeida (contador), Eronaldo Vieira da Silva (ex-guarda), Euzébio de Jesus Araújo (conhecido como Nego Bel e segurança dos Names), Flávio Narciso Morais da Silva (segurança), Igor Cunha de Souza (ex-guarda), Luís Fernando da Fonseca (cuidador de cavalos), Rafael Carmo Peixoto Ribeiro (ex-guarda) e Robert Vitor Kopetski (ex-guarda).

Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os guardas teriam sido contratados em razão do cargo, possuindo porte de arma de fogo e conhecimento tático para a segurança da residência. Segundo o juiz, nenhuma prática ilícita foi confirmada. “O fato de trabalharem na casa de Jamil Name, independentemente da função, se como vigias, seguranças, serviços gerais ou motoristas, não é suficiente para cravar que estariam vinculados à organização criminosa existente”.

Anteriormente, Márcio também foi absolvido do processo de obstrução de Justiça (impedir ou embaraçar a investigação de infração pena) e de ter ameaçado Eliane Benitez. As absolvições ocorreram por falta de provas suficientes para a condenação.

Operação Omertà - Em 2019, os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho foram presos na Operação Omertà, que, desde abril daquele ano, investigava participação deles em grupo de milícia e crimes de pistolagem.

A quadrilha era especializada em execuções de inimigos, desafetos da família Name, em negócios e em questões pessoais. As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apontaram que o grupo agiu por pelo menos uma década em Campo Grande e foi criada usando a experiência da família no comando de jogos de azar na cidade, especialmente o jogo do bicho.

Em despacho judicial, conversas por Whatsapp diziam que nesta época foi iniciada "a maior matança já vista na história de Mato Grosso do Sul". Em diálogo que seria de Jamil Name Filho com uma interlocutora, ele se diz chefe do grupo de extermínio “criado para executar e eliminar inimigos e desafetos da Família Name, seja por motivos de ordem profissional (negócios) ou mesmo pessoal”. Nessa troca de mensagens, ressalta “que matarão da pessoa mais simples à mais importante dentro deste Estado da Federação”, utilizando-se da seguinte frase: “Sai a maior matança da história do MS, de picolezeiro a governador".

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