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Comportamento

Só tem gay no Carnaval? Na estreia de trio, Majur rebate polêmica

Cantora baiana arrastou foliões pelas ruas do Centro durante apresentação no Enterro dos Ossos do Bloco Eita

Por Natália Olliver | 22/02/2026 07:41
Só tem gay no Carnaval? Na estreia de trio, Majur rebate polêmica
Cantora baiana arrastou foliões pelas ruas do Centro durante apresentação no Enterro dos Ossos, do Bloco Eita (Foto: Natália Olliver)

A baiana Majur estreou, neste sábado (21), em grande estilo no comando de um trio elétrico, primeiro que faz sozinha na carreira. A apresentação aconteceu no Enterro dos Ossos, na programação do Bloco Eita e arrastou foliões pelas ruas do Centro, em um percurso que saiu do monumento Maria Fumaça, percorreu parte da Avenida Calógeras, Avenida Afonso Pena e 14 de Julho.

RESUMO

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A cantora baiana Majur fez sua estreia solo em um trio elétrico durante o Enterro dos Ossos, em Campo Grande, rebatendo polêmica sobre a presença majoritária de pessoas LGBTQIA+ no Carnaval. A artista defendeu que a discussão reflete uma transformação social, onde grupos antes marginalizados agora ocupam espaços públicos com mais liberdade.Durante sua apresentação, que percorreu as principais avenidas do Centro, Majur mesclou hits carnavalescos com músicas autorais. Foliões entrevistados concordaram com a cantora, afirmando que a maior visibilidade LGBTQIA+ está relacionada à crescente sensação de segurança e ao direito de ocupar espaços públicos.

Antes de subir no trio, às 19h, Majur rebateu o vídeo viral do Lado B e a polêmica que circulou nas redes de que há mais gays nos blocos de Carnaval do que héteros e o quanto as mulheres estão sofrendo  com isso. Para ela, a discussão revela muito mais sobre transformação social do que sobre números.

“Eu acho que as pessoas estão percebendo que as bolhas estão se desfazendo. Quem era de uma bolha começa a coexistir com outros grupos. O que está acontecendo é a estranheza do que antes não se via, que era a repressão. A gente tinha um processo de colocar cada vez mais à margem da sociedade o público LGBT. Isso dói, incomoda. A LGBTfobia existe e não permite que sejamos felizes em sociedade. Agora o que era escondido está livre.”, afirmou.

Só tem gay no Carnaval? Na estreia de trio, Majur rebate polêmica
Majur desceu do trio e cantou no meio dos foliões durante a apresentação (Foto: Natália Olliver)

Majur classificou a discussão como “idiota e fútil” e lembrou que o Carnaval sempre teve espaços diversos. “Tem trios super héteros, como os de Léo Santana e vários outros. Se você vai em um bloco gay, é claro que vai ter bateção de leque”, brincou.

O acessório, aliás, virou símbolo do Carnaval 2026 e ganhou ainda mais força nas ruas, seja pelo calor ou como expressão de identidade. No repertório, a cantora misturou as músicas que estão embalando o Carnaval com canções autorais.

“Já que sou eu que estou aqui, vou trazer todo mundo”, disse, ao defender uma festa plural, onde diferentes públicos podem celebrar juntos.

Só tem gay no Carnaval? Na estreia de trio, Majur rebate polêmica
Só tem gay no Carnaval? Na estreia de trio, Majur rebate polêmica
Gabriel de Moraes Teodoro também comentou sobre a polêmica  (Foto: Natália Olliver)

Entre os foliões, a percepção é semelhante. Gabriel de Moraes Teodoro, de 26 anos, acredita que há, sim, uma maior presença da comunidade LGBT nos espaços públicos, mas isso tem relação direta com segurança e visibilidade.

“Acho que estamos caminhando para algo mais seguro. Essa discussão é uma balela. Todo mundo tem direito de ocupar seus espaços e isso não significa tirar o do outro. Significa a comunidade sendo vista e reconhecida. Não está tão desproporcional assim”, avaliou.

 Daniele Rehling, de 33 anos, concorda. Para ela, o que mudou foi a coragem de se mostrar. “Estamos só tendo mais visibilidade, aparecendo mais. Temos mais coragem para ser o que sempre fomos. Sempre estivemos nesse espaço, mas agora ocupando mais. Não estamos roubando nenhum espaço, só ocupando o que também é nosso.”

Só tem gay no Carnaval? Na estreia de trio, Majur rebate polêmica
Festa aconteceu em frente ao monumento Maria Fumaça, em Campo Grande (Foto: Natália Olliver)


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