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Capital

Apesar de orientação, enfermeiro acusado de estupro atendeu sozinho

“Não é uma obrigação, mas sim uma orientação para que se evite esse tipo de coisa para ambos os lados”, afirma diretora do HR

Mirian Machado | 15/02/2021 16:22
Hospital abriu sindicância para apurar caso (Divulgação)
Hospital abriu sindicância para apurar caso (Divulgação)

Lição que se aprende ainda na escola de medicina tem como orientação que se evite atender pacientes sozinhos, conforme relatado pela diretora do Hospital Regional em Campo Grande, Rosana Leite. A situação não foi levada em conta pelo enfermeiro, suspeito de estuprar uma mulher dentro do hospital no inicio do mês.

“Não é uma obrigação, mas sim uma orientação para que se evite esse tipo de coisa para ambos os lados”, explicou Rosana.

Como o suspeito ainda não foi identificado, o hospital por enquanto aguarda para se manifestar, para evitar que se acuse alguém indevidamente. Até o momento a polícia trabalha com dois suspeitos, que deverão prestar depoimento.

Ainda conforme a diretora do hospital, medidas foram tomadas como mudar a paciente de quarto e acionar a polícia. “Abrimos sindicância para apurar o caso”, disse, além de reforçar ações de orientação, cursos de empatia e os cuidados com os pacientes.

Vítima que ainda se recupera da covid, também tenta se recuperar do pesadelo que viveu em leito(Foto: Henrique Kawaminami)
Vítima que ainda se recupera da covid, também tenta se recuperar do pesadelo que viveu em leito(Foto: Henrique Kawaminami)

Na última sexta-feira (12) a vítima e a mãe procuraram a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil) e formalizaram o pedido de ajuda. A partir de agora, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da entidade vai acompanhar o caso.

“A OAB vai acompanhar por ser grave violação de direitos humanos e dentro de hospital público. Vamos ver as providências que já foram tomadas”, afirma Karmouche.

Caso- A denúncia de violência sexual foi divulgada no último dia 4 pela mãe da paciente. A vítima, uma mulher de 36 anos, estava internada no HR, em Campo Grande, desde o dia primeiro de fevereiro. A paciente tinha covid-19 e respirava com ajuda de máscara de oxigênio. O ataque foi na madrugada do dia 4, uma quinta-feira.

Depois de ter passado mal durante a noite, tendo vômito e falta de ar, a paciente notou quando o profissional de enfermagem começou ir ao quarto dela durante a madrugada e começou a passar a mão em seu corpo. Em determinado momento, o suspeito retornou ao leito com “óleo de girassol”, passou nos dedos e começou a abusar da vítima.

Mesmo debilitada, a paciente diz ter tentado resistir ao abuso como pôde, pedindo para o homem parar e sair de cima dela, mas ele insistia em passar a mão na virilha da paciente enquanto pedia para ela “abrir as pernas”. O homem repetia que queria masturbar a paciente e que não era para ela resistir, se não poderia "dar problema para ele".

No último dia 10, a vítima contou à reportagem do Campo Grande News que o enfermeiro tinha comportamento estranho. “Ele me alisava e me chamava de meu doce. Dizia que era bom no que fazia e que eu iria gostar. Eu tentei resistir, mas ele pedia pra eu não fazer barulho e colaborar. Me aterrorizou a noite toda até conseguir o que queria. Ele era sádico, se divertia com meu desespero”, contou, ainda com a voz fraca pela doença e chorando.

O crime é investigado pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que já ouviu quatro enfermeiras e pediu perícia nas roupas que a paciente usava na noite do estupro.  A paciente, que é bacharel em Direito e trabalha como vendedora,  foi encaminhada para exames no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal).

O Hospital Regional entregou a escala de plantão, mas não se manifestou sobre a denúncia. “Reiteramos que todos os casos de supostas infrações nos diversos campos, administrativo e assistencial, o HRMS pauta-se nos ditames éticos e legais vigentes para tomada de providências", diz a nota do hospital.

Conforme o Código Penal, é crime de estupro constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

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