ACOMPANHE-NOS    
FEVEREIRO, SÁBADO  27    CAMPO GRANDE 23º

Capital

Aumento da covid põe outra vez em xeque condições de trabalhadores da saúde

Relatos são de sobrecarga de serviço, redução de equipes por afastamentos e até problemas na distribuição de equipamentos

Por Nyelder Rodrigues | 27/11/2020 17:53

O brusco aumento dos casos de covid-19 em Campo Grande faz um problema que rondou os hospitais no auge da crise, nos meses de julho e agosto, voltarem à tona: a condição de trabalho dos profissionais de saúde. Nas redes sociais, principalmente o WhatsApp, já começam a circular reclamações de trabalhadores da área.

"O principal problema enfrentado por nossa categoria hoje é a sobrecarga por falta de contingente. Muitos estão contaminados com o novo coronavírus e afastados, reduzindo o número de profissionais disponíveis", revela a vice-presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores da Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Helena Delgado.

Helena ainda frisa que os hospitais acabam trabalhando de acordo com a demanda que se apresenta e novas contratações ocorrem já depois que a procura por atendimento começa a subir nas unidades. "Fora isso tem o cansaço mental, que é o mais desgastante".

Equipes de atendimento à covid com os devidos equipamentos de biossegurança para evitar contaminação (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Equipes de atendimento à covid com os devidos equipamentos de biossegurança para evitar contaminação (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

A sindicalista também aponta para uma possível falta de profissionais no mercado para atender a demanda que surgiu nessa segunda quinzena de novembro e deve se estender durante o mês de dezembro na Capital.

"Ao contrário do que muitos pensam, a covid seguiu adoecendo as pessoas, ela não parou, então problemas continuaram a acontecer entre os profissionais de saúde, inclusive os relativos à distribuição de equipamentos de proteção", aponta.

De acordo com Helena, há exemplos de casos em setores de internação em que máscaras N95, que oferecem maior proteção às vias respiratórias, são só distribuídas aos trabalhadores se houver algum paciente confirmado com covid-19 ali internado.

Porém, ela diz que há grande possibilidade de, mesmo o paciente estar ali internado por causa de outra doença ou acidente, mas ainda assim estar contaminado e transmitir o vírus para quem está o cuidando diretamente no leito.

"Não temos como saber quem está ou não contaminado só por que não apresenta sintomas. Esse funcionário que adoece por falta de equipamento de proteção individual desfalca a equipe e isso sobrecarrega os que seguem na ativa", conta Helena. "Isso acontece por causa do controle, pouco inteligente, feito pelos gestores", conclui.

Atendimento diretos e sem equipamento adequado representam risco, aponta sindicato da enfermagem (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)
Atendimento diretos e sem equipamento adequado representam risco, aponta sindicato da enfermagem (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Cotidiano - Outra questão levantada pela sindicalista é que, com muitas pessoas nas ruas, além da disseminação do novo coronavírus voltar a patamares altos, há ainda um número elevado de vítimas de outras enfermidades que necessitam de atenção nos hospitais - casos de traumatologia são os principais.

A rotina estressante, segundo Helena, se repete tanto em hospitais particulares como hospitais públicos, fazendo com que seja feito um acompanhamento psicológico dos profissionais de perto. Uma das iniciativas foi colocar um psicólogo à disposição telepresencialmente para atender a categoria da enfermagem.

"Recebemos muitas reclamações no início da crise. Elas reduziram um pouco depois que houve uma estabilização, mas nunca pararam. Agora, elas voltaram a crescer com o aumento das internações nas unidades da cidade", explica Helena.

A situação em Campo Grande é considerada crítica por especialistas, levando em consideração a disponibilidade de leitos. No HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) a ocupação vagas de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para tratamento da covid-19 chegou a 100% da capacidade.

Já no Hospital da Unimed, a dificuldade em conseguir uma vaga no setor de covid-19 fez com que fosse criada uma fila de espera. No Hospital Cassems, pacientes tiveram que ser transferidos para Dourados para ter tratamento adequado.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário